O Anti-Inércia, o Rei Lagarto
O lirismo lúgubre, Jesus e Judas num só, o homem com valores e opiniões pétreas, mas com toda a flexibiidade lisérgica.
Ele nunca propriamente pertenceu à turma do paz e amor, mas era notoriamente avesso ao Estado e sua hipocrisia moral e conservadora.
Jim era a anti-inércia, uma vez que afrontava qualquer coisa, principalmente seu próprio público, que quando apático, via o azedume do “Rei Lagarto“, seu personagem nos palcos, nem o ilustre Ed Sullivan escapou de sua ousada e firme opinião.
“Quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo será percebido como realmente é”; e Jim percebeu, e muito, e postulou todos os excessos em poesia e música, de forma atemporal, permanecendo, de alguma forma, vivo entre nós.
The Doors: Jim Morrison – “Severed Garden“
A vida só acaba quando a música acaba.
“Estou farto de dúvidas
De viver à luz de um certo sul
Laços cruéis
Os servos têm o poder
Homens ignóbeis e as suas mulheres vulgares
Puxam cobertores vulgares sob
Os nossos marinheiros
(e tu onde estás nesta hora escura,
A aparar a barba ou a beber uma margarita?)
Estou farto das caras soturnas
Que me olham das torres televisivas
Quero rosas nos canteiros do meu jardim, compreendido?
Bebés reais e rubis
Devem agora tomar o posto
Dos estranhos abortos na lama
Estes mutantes, pasto de sangue
Para a planta semeada
Estão à espera de nos arrastar até ao jardim separado
Sabes o quão pálida e excitantemente indesejada vem a morte numa hora estranha, sem anunciar, imprevista
Como um hóspede inimigo que levamos para a cama
A morte faz anjos de todos nós e dá-nos asas
Onde tínhamos ombros macios como as garras dos corvos
Chega de dinheiro, chega de luxos
Este outro reino é de longe melhor
Até que a sua outra face mostre incesto
E a cega obediência e uma lei vegetal
Não irei aí
Prefiro uma festa de amigos
À grande família“
The Doors – “Severed Garden”
Isto era Jim Moorison.
Viva Jim!
Cena final do filme “The Doors”, dirigido por Oliver Stone e estrelado por Val Kilmer & Meg Ryan em 1991:








