Ontem (09/10) o eterno gênio floydiano, Roger Waters, iniciou no Allianz Parque em São Paulo a perna brasileira de sua Us And Them Tour, que ficará no país até o show de Porto Alegre, no dia 30 próximo.
Mas antes de tudo, este texto não é uma resenha sobre este show ou os próximos. A resenha sobre o espetáculo em si virá na semana que vem quando este que vos escreve assistir in loco ao show de Brasília.
Porém, como acompanho a carreira de Waters, praticamente desde que nasci, não contive a vontade de explanar umas coisas.
Para começar, nessas eleições eu jogo a moeda e ela cai sempre em pé, pois um monstro é criador e fomentador do outro, como Nietzsche diria.
Não sei qual o perfil do público que assistiu ao show do baixista do Pink Floyd ontem à noite, mas fico imaginando que deveria ter uma grande maioria de fãs recentes do músico ou do contrário, realmente não dá para entender as vaias em peso ofertadas ao anfitrião da noite.
A fim de ilustrar a sequência dos meu comentários, peço a licença ao jornalista Ricardo Seelig, da Collectors Room para usar a sua citação no Instagram há pouco:
Ora, vejamos, antes mesmo dos álbuns citados por Seelig, Roger Waters já dava sinais claros de que a política e principalmente a política belicista, a qual ele atribui as perdas de seu avô e pai nas Primeira e Segunda Guerras Mundias, respectivamente. Isso já aparece na letra de “Corporal Clegg“, canção dele incluída no segundo álbum do Pink Floyd, “a A “Saucerful of Secrets“, de 1968.
Mais adiante, na sequência de álbuns citados por Seelig, Waters mergulha de corpo inteiro na crítica político-social, sendo inclusive alçado à condição do grande letrista e intelectual de sua banda já gigantesca, fascinando a muitos que estavam no show de ontem à noite, justamente por esta característica.
Oposição aos governos tidos como “Linha Dura” e a atmosfera social de valores que os envolvem, passaram a ser a tõnica principal de suas poesias, como em “Brain Damage“, “Pigs“, ‘Run Like Hell“, “Get Your Filthy Hands Off My Desert“, citando apenas uma canção por álbum de sua fase mais cítrico-política.
A finada ex-primeira-ministra bretã Margareth Tatcher, para ele, “carinhosamente’ a Maggie, que o diga. Era constantemente bombardeada por ele nas letras e declarações, assim como Trump o é, hoje em dia e, claro, por que alguém acharia que ele pouparia o presidenciável tupiniquim Jair Bolsonaro num contexto de crítica à extrema-direita mundial?
Com o “primeiro fim” do Pink Floyd em 1983, Waters se lança em carreira solo e aí mesmo que a política se torna definitivamente o seu assunto-mor, invariavelmente contra governos dos EUA, Rússia, Cuba, Israel e a própria Inglaterra.
Já devem ter esquecido a homenagem que ele fizera ao brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado covardemente pela polícia londrina, nos shows de “The Wall” em 2012.
E não, não dá para dissociar. Show de Roger Waters não é e nunca será como um show de David Gilmour, onde você assiste um lindo e paradisíaco espetáculo aúdio visual de canções, sem levar um cutucão e uma mensagem para casa, gostando ou não dela.
Imagine os dois principais beatles em turnês distintas pelo Brasil. Nos shows de Paul McCartney, que aliás já tivemos alguns por aqui, você pôde contemplar uma apresentação de puro entretenimento e canções históricas, mas eu posso garanti, sem dúvida de errar, que num show de John Lennon também veríamos o famigerado #ELENÃO no telão, como viram ontem no show do Waters em São Paulo, ou até mesmo bradado pelo próprio John, e nenhum dos dois seriam menos Beatles e menos gigante por isso.
Waters é política e política é Waters, inerentemente. Não dá pra entender em pleno 2018, com o cara já com 50 anos de carreia explícita, que alguém se surpreendesse ou somente se indigne com mensagens anti-direita, anti-belicistas, anti-ditaduras, etc. em seus shows. é como se um fã esquerdista de Ted Nugent o vaiasse ao ver uma arma de caça no telão do palco de seu show. Ora, O fã sabe ou não sabe quem ele idolatra?
Assistirei Roger Waters em Brasília e é óbvio que verei o #ELENÃO e afins no telão e não estou nem um pouco preocupado com isso, faz parte. Há um show monstruoso a admirar (e chorar).
“The Show Must Go On“.











2 comentários em “Roger Waters em São Paulo: Ah, agora ele é político?”