Música é assunto para a vida toda

PUBLICIDADE

Review: Paul McCartney – São Paulo, 15 de outubro de 2017

Primeiramente, antes de falar sobre um show que desde a infância sonhava em assistir, mesmo sabendo que os Beatles não existiam mais como banda, sempre mantive o sonho de uma reunião com os músicos remanescentes, ou um show solo deste gênio da música, gostaria preliminarmente de esclarecer alguns posicionamentos pessoais.



Não pretendo nesse texto ser formador de opinião, nem me aparecer, nem esnobar, nem me vangloriar por ter conseguido ir num show caríssimo em outra cidade (que adoro e respeito) e muito menos me considerar mais roqueiro, mais fã, ou mais fodão que os outros, até porque acho isso de uma infantilidade e de uma babaquice sem tamanho. Falo isso e acho necessário, porque infelizmente vivemos em uma sociedade carregada de rancor, inveja e ódio gratuito, de uns querendo ser mais que os outros, vemos na internet que a felicidade de alguns incomoda a muitos e isso não faz o meu tipo e abomino tal.

Mas se você não for um desses, que bom que você também é feliz, mas em todo caso, em nenhum momento quero despertar esses sentimentos negativos e gostaria que o leitor se despisse dessas coisas ruins, até porque o texto é sobre alegria, sobre vida, sobre música. Embora você ir a um show desses e fique totalmente empolgado e extrapole felicidade,  gostaria que todos tivessem esse sentimento, sendo que o ideal e eu desejo que todos que apreciam rock, boa música e The Beatles pudessem assistir este espetáculo.

Eu nunca fui muito de sair, sou caseiro nato, ainda mais agora casado e com filho pequeno. Até gostaria de frequentar mais a noite em Campo Grande-MS, conhecer mais a fundo as bandas daqui, repetir shows que já vi em outras oportunidades, mas também gosto muito de estar em casa com meus familiares, assistir shows no dvd, ouvir meus discos, ler meus livros, advogar, ir a programas infantis com meu filho, e além disso, a Confraria já tem representantes que acompanham e resenham com muita propriedade a cena local.

Estou aqui escrevendo porque eu quero e gosto de música, porque ela me faz bem. Eu me sinto muito bem quando falo, ouço, toco (quase nada é verdade) ou compartilho música e quando vou a um show como esses é porque me deixa feliz, realizado e emocionado.



Faço parte de um grupo de confrades que são amantes de blues, rock e demais gêneros, sobretudo da boa música. Queremos apenas curtir e compartilhar a paixão pela música e essa resenha me foi solicitada pelo glorioso amigo André Floyd, presidente da Confraria Floydstock, um conhecedor de boa música, sobretudo The Beatles.

Desde já agradeço a oportunidade de fazer parte da Confraria Floydstock e me considero sortudo por estar onde estou hoje, tendo a possibilidade e condições de ir a grandes shows (nem todos que gostaria de ir, é verdade, preciso trabalhar e estudar mais/ problema meu) e poder compartilhar minha experiência (no sentido de ter vivenciado o evento, não no sentido de saber de tudo, tá bom!?!?! rs).
Dito isso, paz e amor! Vamos lá…

Desde o dia 2 de maio deste ano, quando foram confirmadas as datas da Turnê One on One e que o Brasil estaria no roteiro do beatle, foi a ansiedade tomando conta em montar o quebra-cabeças no planejamento para o dia do show. Quem vai comigo? Minha esposa é quem sempre me acompanha, mas dessa vez seria complicado, pois sem tempo hábil para retorno e sem previsão de férias em outubro. Por isso mesmo, já poderia ficar no fim de semana cuidando do nosso filho. Como sou Advogado, minha profissão permite perder um dia de trabalho a não ser por duas hipóteses inadmissíveis: perder prazo processual ou faltar audiência de instrução e julgamento, fora isso, dá para reverter. Então por mim, tudo ok. Tenho grana pra investir nessa empreitada, mas irei sozinho? 
Como diria o velho Raul Seixas: “Sonho que se sonha só É só um sonho que se sonha só; Mas sonho que se sonha junto é realidade”

Um amigo? Quem? Não sei….mas a resposta já existia dentro da família. Como minha esposa não vai, Minha Mãe também é a minha melhor amiga, além de ser uma das responsáveis por eu gostar de Paul e Beatles. Primeiro porque é minha genitora e ouvia The Beatles comigo no colo. E sempre conversamos, “puxa os Beatles poderiam se reunir novamente!” “ah daí iríamos juntos nesse show!” Após a morte de George Harrison em 2001, o sonho ficou bem distante. Mas Paul já tinha vindo ao Brasil 5 vezes, sendo que a última vez em 2014, já havámos tentado, mas não conseguimos ingresso. Puxa…..era agora ou nunca.



Pensei…a coroa está aposentada e sempre teve o desejo de ver esse show! É ela! Liguei e disse: Mãe, vamos no Paul McCartney em outubro? E um silêncio do outro lado da linha….Alouuuuu Mãe, está me ouvindo? Sim, estou meu filho…e o sonho começava a se tornar realidade.

Comprei os ingressos tranquilamente no primeiro dia após algumas horas da abertura de venda on line. Em seguida as passagens aéreas com máxima antecedência e bom preço. Pronto, agora só faltava a hospedagem, que para uma cidade como Sampa está muito bem servida de hotéis para todos os gostos e bolsos.

Embarcamos no dia 14/10 sábado e no desembarque já combinamos um preço camarada com um taxista mais camarada ainda, que gosta de shows e que nos narrou sua emoção e paixão por Bon Jovi, mostrando no som do carro os áudios do último show que contou com  abertura arrebatadora do The Cult. Ficou emocionado em nos ouvir e de conversar sobre McCartney, nos dizendo que nunca tinha ido ao show do Macca e que iria tentar comprar ingresso com cambista para o dia seguinte. Se ele conseguiu? Não sabemos, mas se a resposta for afirmativa ele viu um estupendo espetáculo.

Aproveitamos de tudo antes do show, menos drogas kkkkk. Sim, não fomos para assistir jogo do SPFC ou do SEP, mas sim para visitar galerias do rock, nova barão, santa Efigênia, teatro municipal dom Pedro, MASP, parque Trianon, avenida paulista no domingo com diversas bandas expondo sua arte, das quais destaco:  Faca Amolada (MG), uma mulher e um senhor que tocam com o coração. Ela uma voz lindíssima e ele uma calma e talento para tocar gaita e guitarra ao mesmo tempo com repertório de alto nível; Banda Corcel (SP) um quarteto feminino tocando somente música folk; e por fim Picanha de Chernobyl (RS) um trio tocando um misto de Classic, Acid and Psicodelic Rock, muito afinado e entrosado execução de alta qualidade.



Daí almoço, hotel e cama. Em seguida metro para desembarque na barra funda e acesso ao portão D do Allianz Parque, destinado ao setor de cadeira inferior. Quatro filas para mulheres e Duas filas para homens. Entramos com certa demora, mas por volta das 19 horas já estávamos lá dentro, suficiente para escolher um ótimo lugar do nosso setor com vista direta do palco e dos telões, livre das estruturas das torres de iluminação e da casinha de som no meio do gramado.

Viramos crianças, impossível não ficar feliz. Compramos bebidas e lanches, conhecemos pessoas de todas as idades, famílias de Jundiaí, Bragança Paulista, Manaus, Minas Gerais e da própria capital e aguardamos o show que iniciou às 21 horas em ponto, como manda o estilo britânico.
Paul entra no palco e acena para a plateia de aproximadamente 50 mil pessoas. Frisson….esteria….os primeiros acordes com A Hard Day’s Night, Uau…trilha do primeiro filme dos besouros, lembro da cena da correria dos rapazes e a perseguição dos fãs. Lembrei da minha infância. Foi para aquecer. Ao fim de cada música Paul sempre busca contato com a plateia, falando em português, muito bom por sinal, deve ser as repetidas vezes aqui e outros lugares como Portugal, lendo um papel escrito: “Boa noite São Paulo! Tudo bem? Como estão vocês?” “Que balada!” está bombando! Yuuuuhuuuullllll”

Simpático, carismático e de um talento impar. Começou tocando o famoso baixo hofner, embalando a segunda música Junior’s farm, alternando uma da fase beatle seguida de outra da fase com Wings. Can’t buy me love com roupagem semelhante a versão original, arrebentando a boca do balão, lembrei novamente de minha infância e de um filme chamado Namorada de Aluguel.

Depois Jet, outro grande sucesso, com destaque para um lindo telão no fundo do palco com a imagem de um jato fazendo acrobacias entre as nuvens, entretendo e empolgando o público cada vez mais. Outro exemplo é a clássica abertura de Rubber Soul, drive my car não deixa nenhum fã a desejar a vontade de cantar outro sucesso beatle.



Hora de tirar o blazer, arregaçar as mangas e pegar a guitarra pra tocar let me roll it. Dessa vez, Brian Ray assume o baixo. Vocês estão gostando? Pergunta o beatle, Siiiiiiimmmmmmmmmm. Segue com I’ve got a feeling e a coisa começa a ficar séria para quem é fraco do coração.
Ainda de punho da guitarra, Paul mostra sua versatilidade e talento solando uma jam session de uma música de Jimi Hendrix, lhe rendendo uma menção e homenagem ao Deus da guitarra. Fiquei impressionado com o desempenho de Paul solando uma Gibson canhota. Uau!

Começam as homenagens e o lado humano de Paul McCartney em lembrar todas as pessoas que o acompanham. “Imagine” todas as pessoas, menos a Yoko Ono que em nenhum instante das fotos históricas, dos filmes no telão sequer aparece ou é mencionada, por que será? Sugiro a leitura da “bibliografia autorizada dos Beatles” e “A história por trás das canções dos Beatles”, ambas do autor Hunter Davies, para vocês terem uma noção do tanto que ela “tumultuou/causou” na trajetória dos besouros. E não haveria o por que ela ser lembrada ou ter alguma saudade…

Paul larga a guitarra gibson, senta no piano e diz: “Agora vou tocar uma música em homenagem a Linda” e desfila categoria em Maybe i’m amazed e percebe-se uma voz embargada no início que depois é retomada próxima ao normal. Sim, observei que a voz de Paul teve uma leve mudança de 2012 para cá. Vejam os vídeos dos últimos 5 anos e comparem com as apresentações anteriores a 2010. Não sou nenhum expert, audiófilo convicto, técnico ou graduado em música, mas aqui já dá pra se discutir a questão da mudança da voz conforme o avanço da idade e as consequências de centenas de shows que deixo para os especialistas. Mas aos 75 pra mim ainda está impecável! Ao vivo e ainda na ativa, está perfeito! Comparado a Bon Jovi e Axl Rose, Paul está maravilhoso!

We can work it out, destaque para o harmonioso acordeon tocado por Paul “Wix” Wickens, que acompanha McCartney desde 1989 (época da turnê flowers in the dirt), que encaixa perfeitamente no contexto problemático da letra sobre duas pessoas em adversidade.



Depois voltou no tempo com a primeira gravação dos Beatles, ainda quando intitulados como The Quarrymen, tocando a histórica balada folk In spite of all the danger, com participação do público vocalizando Oh Oh Oh Oh…
Depois foi a vez de Paul homenagear George Martin com a primeira gravação com ele, o hit Love Me Do foi muito bem recebido e entoado pela plateia com o  tradicional solo de gaita.
Momento mais engraçadinho da noite, quando Paul já dessa vez tocando violão em and i love her, no solo vira de costas para a plateia e começa a rebolar o quadril com close no telão levando as mulheres taradas a loucura. Apesar da descontração é uma clássica canção de amor.

Blackbird só Paul voz e violão. Notas magistrais e melodia doce. Uma das músicas mais belas compostas por Paul. Emociona. Antes ele disse que iria falar dos direitos humanos porque quando a compôs estava pensando na situação dos negros nos EUA, encorajando a luta pela igualdade.
Chegou a hora de homenagear John Lennon, Paul disse que escreveu essa música após a morte do amigo e fala sobre uma conversa que poderiam ter tido, ou seja, uma espécie de desabafo, já que não se encontravam após o fim dos fab4 até quando John faleceu. Enquanto a música era executada, imagens da dupla em momentos felizes eram mostradas no telão. Acho que é assim que McCartney gosta de lembrar Lennon.

Algumas músicas do álbum NEW preenchendo o set list com um pop britânico da melhor qualidade e por falar em qualidade é essa banda que acompanha a nossa estrela maior.
Fui dar uma pesquisada nos músicos da banda de Sir Paul.
Abe Laboriel Jr o baterista peso pesado e sorridente é americano formado na tradicional Berkeley. Começou cedo na música, inspirado pelo Pai Abraham Laboriel, famoso compositor. Já tocou com BB King e Shakira. Rusty Anderson o guitarrista é fã de Beatles desde pequeno, começou tocar aos 13 e sua banda Eulogy ganhou reconhecimento chegando a tocar com The Police, Van Halen e Quiet Riot. Brian Ray é o que toca baixo quando Paul pega a guitarra, mas ele também faz a guitarra base na maioria das vezes. Diretor musical e guitarrista de Etta James durante 14 anos, Ray dividiu os palcos com músicos lendários, como Keith Richards, Santana, Joe Cocker, Bonnie Raitt, John Lee Hooker e Bo Diddley. (fonte: site Terra).

Lady Madonna uma aula de música. Letra inteligente de um cotidiano de uma dama com o mais puro e clássico rock regravada por diversas bandas mundo afora, incluindo Os Mutantes.
Chega a hora de Eleanor Rigby. Essa música é muito especial pra mim, pois me traz a primeira lembrança musical, quando ainda criança aos 5 anos de idade, deitado no banco traseiro do Chevette marron que meus pais tinham e me levavam para dar voltas a noite até eu adormecer. Era uma fita k7 basf selo marron com uma versão estendida da canção, que hoje sei que é do álbum Give my regards to broad street. Achei que ia chorar, mas não chorei. Fiquei estático atento a execução, exatamente como há 33 anos, ouvindo atentamente o k-7, olhando para as estrelas e me concentrando no abstrato e nas informações. Os dois personagens ainda estão no imaginário.



Eleanor Rigby seria a noiva ou uma convidada do casamento? Seria a faxineira da igreja?  “picks up the rice in the church where a wedding has been”. E Father McKenzie seria o Pai de Paul trocando apenas o sobrenome propositalmente? Ou ele é um solitário que escreve um sermão que ninguém irá ouvir?
São dois personagens que se reúnem quando ela morre. “She died in the church and was buried alone with her name”. Será que era solitária, não era casada, não tinha família, não era ninguém…??? Seria uma mulher solitária e grávida a espera de Father Mckenzie que foi para a 2º guerra e não voltou? Perguntas existem….todas na  imaginação.

Agradeço ainda a George Martin pelo lindo arranjo de um octeto de cordas orquestrado que nos faz viajar nessa que é uma das mais belas canções dos fab4.
Paul manda uma abraço para os amigos Rolling Stones e fala da música I wanna be your man,  por eles encomendada. Rockão de primeira qualidade! Uma ótima música para curtir as duas das maiores bandas inglesas.

Na música seguinte, o palco se transforma em psicodelia pura, com pedaços de vidros ou cristais que refletem um emaranhado colorido parecido com arco íris, na execução da faixa being for the benefit of mr.kite! Eu jurava que se fosse do álbum Sgt. Peppers, Paul escolheria além da faixa título, getting better ou she’s living home, até porque já estava na torcida para a day in the life. Surprezaça!!!
Daí vem a parte do show que eu desmoronei….Meu Deus!!!

Não imaginava que iriam tocar Something. E foi justamente a hora de Paul homenagear George Harrison. A versão começa despretensiosa, com McCartney tocando ukulele sozinho e cantando. Abre parêntese (Paul já tinha tocado baixo, guitarra base e solo, violão, piano, agora um ukulele e depois viria a tocar órgão. Pensei daqui a pouco ele fala pro batera: sai pra lá meu, agora é minha vez). A música começa a se desenvolver e a partir da 2º estrofe entra a banda inteira tocando espetacularmente os acordes e no telão várias imagens de George. Lágrimas me tomam novamente ao escrever isso pra você. Lindo Demais! Harrison também era fantástico, apesar de não compor tanto era um exímio guitarrista (ouça todos os solos dos Beatles) e quando compunha, rapaz!!!!



A day in the life é magnífica e eu não acreditei por que o aglutinado sonoro das pessoas conversando parece que vão sendo sugados por um túnel com eco e aquelas vozes paralelas com o orquestrado e o volume aumentando progressivamente, não dá pra explicar aquilo! E o despertador é igualzinho o da gravação. Fiquei igualzinho aos personagens dos looney tunes em desenho animado, abobalhado! Ele emenda com refrão acidental de Give Peace a chance de Lennon, fazendo toda a plateia acompanhar.
Mais uma do álbum branco, retoma com muita energia e alegria a sequência final. “Ob-la-di, Ob-la-da” é citada com o primeiro exemplo de ska branco. Mesmo sendo uma frase em urhobo, a música que Paul compôes em torno dela e os personagens inventados eram da Jamaica. Quando gravou os vocais, Paul cometeu um erro ao cantar Desmond, em vez de Molly, “stayed at home and did his pretty face”. Como os outros Beatles gostaram da escorregadela, ela foi mantida. Paul amava a música e queria que fosse um single, John sempre a detestou.

Band on the run é incondicionalmente com Maybe i’m amazed, let me roll it e live and let die, as melhores músicas de sua carreira solo. Estruturada como uma suíte de várias partes, a música versátil não só é o carro chefe do seu melhor disco pós Beatles, como também responsável por dar nova vida na carreira de Paul. Essa é fundamental. Música fantástica.  Que solo de guitarra!!!
Um dos melhores rocks da noite pra mim Back in the USSR é muito contagiante. Você nunca pensou em pegar um avião rumo ao leste europeu, tomar vodka, se divertir e flertar com russas e ucranianas? Telão com clipe maravilhoso com muito vermelho e branco neve, guitarras vibrantes com solo arrebatador (obrigado novamente George!).

Let it be, sem palavras. Estádio apagado e milhares de luzes de smartphones velando McCartney cantar a música que escreveu após a morte sua Mãe Mary. Ficou tão bonito que foi ovacionado e ele agradeceu muito pelas luzes. Lágrimas nos olhos novamente. Lembrei da infância novamente.
Live and let die é o maior espetáculo pirotécnico que eu já vi em um show de rock. O que eu posso dizer que o palco praticamente ficou em chamas. É aquela hora que os músicos tem seus lugares marcados e não podem se mover para não se machucar. Absurdo! Para nenhum fá de Kiss botar defeito! A hora que Paul canta o refrão ocorre quatro pontos de explosão ao mesmo tempo em todo o palco e cai uma cortina de fumaça e fuligens, enquanto fora do estádio e acima fogos de artifício (aqueles das festas de réveillon) são atirados para cima completando o cenário cinematográfico das perigosas aventuras de James Bond. Sensacional!

Por fim, Hey Jude. Paul compôs esta canção em homenagem a Julian Lennon que andava triste por conta da separação de John e sua mãe Cynthia. Já sabia que Paul sempre encerra seus shows com essa, já vi vários dvds e o povo canta o refrão “na-na-na-na-na-na-na” até enjoar.. Ao contrário do que diria Raul Seixas, esta música só tem começo e meio. De tão linda que essa música é, ela nunca termina. Paul disse:” agora só os manos” nananananana….”Agora só as minas” nanananana. E deveria não terminar! Essa música também marcou minha infância, mas não vou me estender porque preciso terminar essa resenha.



Volta para o bis,  trazendo a bandeira do Reino Unido (Paul é inglês, mas de origem irlandesa) e do Brasil. Só ele, apenas voz e  violão, toca Yesterday de forma única. Todos tentam tocar igual, mas só ele consegue tocar daquela forma. Um clássico absoluto! Ele sonhou com essa música, acordou e rascunhou. Mas já achava que ela já existia. No outro dia apresentou pra várias outras pessoas que nunca tinham ouvido. Esse cara é um ET! Deve viajar no tempo! A música é perfeita!
40 anos de Sgt Peppers e não poderia faltar ela. Só que na versão reprise, mais rápida, enxuta e animada, encerrando as faixas do considerado álbum mais importante e influente da música.

Outra grande surpresa Helter Skelter! PQP!!!!!! KRLEO!!!!VTNC!!!!!! Que aula de guitarra!!! E os vocais….batera enlouquecido….pra mim essa música é um heavy metal! Tocada alta, com distorção, muita palhetada pra baixo e varias vezes urrada por Paul!
Birthday foi tocada para os aniversariantes, mas na verdade era para todos que conseguiram assistir esse show e, sobretudo para a excelente banda de McCartney que nada deixou a desejar.
Sabem aquele vídeo que circula na internet que mostra uma homenagem a Paul McCartney na plateia condecorado com uma medalha ao lado de Oprah, Presidente Obama e no palco Steven Tyler do Aerosmith cantando lindamente Golden slumbers/carry that weigh/the end? Pois é, o encerramento é esse só que com telão maior, com imagens maravilhosas da carreira musical e espetáculo de iluminação com Paul cantando esses clássicos do álbum Abbey Road. Lágrimas nos olhos, palmas e mais palmas. Foi a excelência da música em pessoa. 

Veja o setlist completo do show de 15/10/2017:

1) A Hard Day’s Night
2) Junior’s Farm
3) Can’t Buy Me Love
4) Jet
5) Drive My Car
6) Let Me Roll It
7) I’ve Got a Feeling
8) My Valentine
9) Nineteen Hundred and Eighty-Five
10) Maybe I’m Amazed
11) We Can Work It Out
12) In Spite of All the Danger
13) Love Me Do
14) And I Love Her
15) Blackbird
16) Here Today
17) Queenie Eye
18) New
19) Lady Madonna
20) FourFiveSeconds
21) Eleanor Rigby
22) I Wanna Be Your Man
23) Being for the Benefit of Mr. Kite!
24) Something
25) A Day in the Life/Give Peace a Chance
26) Ob-La-Di, Ob-La-Da
27) Band on the Run
28) Back in the U.S.S.R.
29) Let It Be
30) Live and Let Die
31) Hey Jude
Bis:
32) Yesterday
33) Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
34) Helter Skelter
35) Birthday
36) Golden Slumbers/Carry That Weigh/The End



Foram 38 músicas executadas em 2 horas e 40 minutos de um espetáculo que pode ou não ter sido a última turnê de Paul McCartney no Brasil, que encerrará sua passagem pelas terras tupiniquins no dia 20/10/17 em Salvador/BA.

Mas para quem ainda não foi ou já foi e quer ir novamente no Brasil, tenho uma ótima notícia: Quando Paul se despediu ele disse em português em alto e bom som: “Tchau São Paulo, até a próxima…”. A sensação foi a de que ele quer voltar. Que ele gosta de estar no palco, de interagir com o público e de se sentir jovem. Ele deixou a porta aberta. Se é um hábito dele sempre falar que irá voltar, já não sei afirmar…

Tenho certeza que estão todos agradecidos por tudo que ele representa para a história da música e pelo grandioso show no ultimo domingo.
Como explicar a banda The Beatles que influenciou tantas outras bandas, inovou a música, o ye ye ye, ditou à moda, o mundo do showbiz, o rock de arena, experimentaram diversos métodos de gravação, a psicodelia, quebraram as barreiras de possibilidades dentro do estúdio, compuseram as mais belas canções de todos os tempos, muitas tocadas nesse show (vide setlist);  13 discos em apenas 8 anos de trajetória, além dos vários singles reunidos em obras como Past Masters; #1;e outras coletâneas?

Como explicar que um menino do subúrbio de Liverpool, quase não foi aceito na banda de John, porque sua Tia achava que o fato de Paul ser pobre, poderia ser uma péssima influência para seu sobrinho, mas mesmo assim ele foi aceito e começaram a trilhar com diversidades e talentos próprio, com George e Pete, esse último dispensado por Brian Epstein, dando lugar a Ringo, juntos seguiram o caminho para se tornar a maior banda de rock de todos os tempos….?
E que após liderar os Beatles, seguir longa carreira artística com os Wings e depois solo, está vivo com 75 anos de idade e ainda nos proporciona oportunidades de vê-lo tocar e cantar ao vivo, levando sua música para várias gerações.



No dia do professor, tivemos uma senhora aula sobre a história da música, ministrada pelo maior músico e compositor do Planeta.
Mother “Delma” comes to me speaking words of wisdom e nós realizamos o nosso sonho. Obrigado Mãe e parabéns para você também que é professora de história hoje aposentada!
A não ser por isso e pela emoção que tomou conta de mim no show e de toda vez que me emociono quando ouço suas canções, eu não tenho mais palavras. Deixo a música falar por si só.

Some people like rock,
some people like roll.
I love both!

Por: Confrade Leonardo Malta.

PUBLICIDADE

Assuntos
Compartilhe
Comentários

Deixe uma resposta

PUBLICIDADE

Veja também...

PUBLICIDADE

Descubra mais sobre Confraria Floydstock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading