Pete Townshend diz que o Who voltou à atividade porque um “acordo desajeitado” está funcionando muito bem.
O guitarrista e compositor Townshend recapitulou a situação em uma entrevista por e-mail antes da apresentação do Who no Ruoff Home Mortgage Music Center.
Townshend não estava preparado para uma turnê do The Who sem o compromisso de gravar novas músicas. O vocalista Roger Daltrey inicialmente não se entusiasmou com as últimas músicas de Townshend, e Daltrey queria que o Who fizesse uma turnê com uma orquestra, uma idéia que não foi um sucesso instantâneo para o guitarrista.
Felizmente, os induzidos ao Hall da Fama do Rock and Roll entraram em acordo.
“Nós concordamos em pôr de lado nossos julgamentos e nos suplantar“, disse Townshend. “(Daltrey) comprometeu-se com as músicas, eu me comprometi com a orquestra. É uma explosão! Um acordo desajeitado levou a um dos momentos mais interessantes e desafiadores da história do Who.“
Este toma-lá-dá-cá ressoa no título que Townshend e Daltrey atribuíram à turnê: “Movin ‘On (Seguindo em Frente)!“
Eles são os membros sobreviventes de um quarteto do Who formado em 1964. O baterista Keith Moon morreu em 1978. O baixista John Entwistle morreu em 2002. Ao longo do caminho, a banda gravou clássicos do rock que vão desde “My Generation” e “I Can’t Explain” até “Baba O’Riley” e “Pinball Wizard“.
No anfiteatro de Ruoff, Townshend e Daltrey serão acompanhados pelo baterista Zak Starkey, pelo guitarrista Simon Townshend, pelo tecladista Loren Gold, pelo baixista Jon Button e por uma orquestra liderada pelo maestro Keith Levenson.
O nativo de Londres, Pete Townshend, respondeu às perguntas do IndyStar sobre um álbum do Who que deve chegar este ano, o apelo universal de certas músicas e o que inspirou suas escolhas de figurinos no final dos anos 60.
Pergunta: Você escreveu no Instagram recentemente: “Não consigo acreditar em como uma orquestra pode ser alta.” Isso me faz pensar, nós não devemos esperar uma apresentação delicada quando a turnê chegar a Indianápolis? Existe uma ou duas músicas em especial que se beneficiam especialmente desse formato?
Resposta: As orquestrações são todas de David Campbell, que é o pai do mais célebre dos Beck. Elas são totalmente apropriadas para as músicas. Onde as músicas são bombásticas, como o final de “Tommy”, ou o final de “Love, Reign O’er Me” em “Quadrophenia”, a orquestra complementa e suplementa isso, e o nível de intensidade é extraordinário. Por outro lado, músicas como “I’m One” e “Drowned”, por exemplo, são tratadas com muito cuidado e amor. David fez basicamente o que eu teria feito nas gravações originais, se isso estivesse no meu conjunto de habilidades na época.
Hoje, com a ajuda da minha esposa, Rachel, eu posso orquestrar e o faço, e fiz isso em um par de faixas no próximo álbum do Who.
P: The Who está fazendo um álbum, o que é uma ótima notícia. Você pode compartilhar o tema de alguma letra ou idéias musicais representadas na gravação?
R: Eu tirei um ano sabático de outubro de 2017 a outubro de 2018. Eu queria estudar, dedicar meu tempo inteiramente às minhas próprias necessidades criativas e espirituais. Quando o ano de 2018 iniciou – e parece que foi ontem para mim – eu estava começando a pensar em tentar escrever algumas músicas que se adaptassem a Roger. No começo, isso não era inteiramente sobre o Who. Eu tinha trabalhado um pouco com o Roger em seu álbum solo, e embora eu achasse que era uma performance muito forte, e eu adorei, foi baseado principalmente em músicas antigas.
Quando comecei a escrever, senti que algo muito estranho estava acontecendo. A perspectiva de fazer uma turnê com Roger – sujeita a novas músicas do Who em desenvolvimento – me fez sentir que poderia haver mais distância para viajarmos. Nós temos confiado em nossas coisas antigas (como Stan e Ollie) por tanto tempo que a turnê para mim estava começando a parecer “Groundhog Day (Feitiço do Tempo)”. Eu fiz uma aposta real e reservei o verão para escrever pelo menos 12 músicas para um possível álbum do Who, cada música diretamente voltada para o que eu achava que mais envolveria Roger e se adequaria à sua voz.
Os fãs de longa data do Who não se surpreenderão em saber que levou algum tempo para Roger reagir às músicas. De fato, quando ele finalmente as discutiu comigo, ele confessou que achava que elas eram mais adequadas para mim do que para ele. Eu não tentei escrever músicas de álbuns solo. Eu já havia escrito cerca de 40 músicas para o meu próprio projeto solo que será baseado no meu romance, “The Age of Anxiety”, a ser publicado em 5 de novembro. Eu não tenho planos no momento para um álbum solo convencional. Eu não queria viajar novamente sem a promessa de novas músicas do Who, e Roger só estava disposto a fazer uma turnê se fizéssemos algo corajoso e audacioso – como trabalhar com uma orquestra como ele havia feito no ano passado com “Tommy”. Cada um tinha suas ressalvas.
Nós concordamos em pôr de lado nossos julgamentos e nos suplantar. Ele se comprometeu com as músicas, eu me comprometi com a orquestra. É uma explosão! Um acordo desajeitado levou a um dos momentos mais interessantes e desafiadores da história do Who.
Tudo o que posso dizer sobre as músicas é que elas apresentam uma seleção muito variada de abordagens, desde rock pesado, pop baseado em sintetizadores até jazz-ballad.
P: Este é um aniversário histórico em sua carreira. Se você me permitir perguntar, sobre tocar nos festivais de Woodstock e Ilha de Wight no intervalo de algumas semanas, além da crescente popularidade de “Tommy” durante o segundo semestre de 1969, o que você foi capaz de fazer para saborear o momento e aproveitar ao máximo a atenção do mundo? Ou foi mais como um passeio que estava fora do seu controle?
R: Eu sabia o que estava fazendo. Meu medo era que fugisse do controle, e isso aconteceu. “Tommy” foi muito difícil de controlar, com certeza. O motivo pelo qual a história ressoou tão profundamente entre os jovens americanos sempre me surpreendeu. Para aqueles de nós “pobres diabos” nascidos por volta do final da Segunda Guerra Mundial, surgiram questões que não seriam toleradas por um segundo no mundo moderno. Nós nos acostumamos ao abuso, negligência, abandono e sermos obrigados a ser gratos e calar a p– da boca. Recentemente, tenho consciência de que, quando escrevi “Tommy”, uma enorme quantidade de revelação pessoal da infância foi consagrada na história. Isso dificulta sua execução nos dias de hoje. Roger tem notado lembranças dolorosas ocorrendo a mim no palco; Suas experiências quando criança eram muito diferentes.
P: Politicamente nos Estados Unidos, parece que estamos muito longe da evidente comunidade de quando o Who tocou no Concerto para Nova York no Madison Square Garden em 2001. Aquela foi uma noite que lhe deu uma noção clara do poder dentro das músicas que você escreveu?
R: Isso me deu a sensação de como as pessoas usavam as músicas que tocávamos em sua vida diária. Os Estados Unidos modernos não mudaram. Sempre houve grandes diferenças na forma como as pessoas pensam e vivem em todo o país. Ambos os lados podem encontrar ressonância em uma música como “Won’t Get Fooled Again” ou “Who Are You”, por exemplo.
P: Terminarei com uma nota mais leve. O macacão de [operador de] caldeira está recebendo atenção no mundo da moda feminina em 2019. Posso perguntar o que o influenciou a usar macacões de caldeira no palco? Foi um conceito utilitário, semelhante ao porquê você colocou números em suas guitarras?
R: Eu estava farto de roupas psicodélicas. Eu me cansei de ter que pensar cuidadosamente sobre o que vestir no palco todas as noites. O macacão e as botas Doc Marten eram uma boa maneira de fazer uma declaração de moda irônica. Eu ainda me importo com moda, e eu amo a melhor moda – alta e baixa. Ainda sou bastante utilitário. Eu estou levando dois macacões comigo nessa turnê. Eu duvido que vá usar qualquer um deles, mas quem sabe?
Traduzido pelo confrade Renato Azambuja via IndyStar.com









