Frontman prefere que manifestações sejam feitas apenas no tempo entre as canções
Ian Anderson, lendário frontman do Jethro Tull, não esconde sua insatisfação com o comportamento de parte do público durante seus shows. Em uma recente entrevista ao Classic Album Review, o músico britânico criticou fãs que interrompem as apresentações com gritos, assobios e pedidos por músicas específicas, destacando os brasileiros como um exemplo de comportamento que considera “incrivelmente rude“.
“Eu quero me libertar da sensação de que estou de alguma forma tendo que ceder aos desejos e demandas de outras pessoas. E, quanto mais exigente é uma plateia, menos eu aproveito o show.“
O músico ressaltou que diferenças culturais podem influenciar o comportamento do público, mas isso não significa que ele aprecie certas atitudes.
“Posso citar o Brasil, por exemplo, onde o público acha que é normal assobiar, gritar, vaiar e pedir músicas que querem ouvir. Eu acho isso incrivelmente rude e realmente não gosto. Não é em todo show que toquei no Brasil, mas me deparei com isso algumas vezes no ano passado, durante minha turnê por lá. É assim que eles são.“
Anderson comparou a experiência de se apresentar para plateias barulhentas a uma falta de respeito com o trabalho artístico. Ele sugeriu que os fãs deveriam se comportar de forma semelhante ao que se espera em uma apresentação de balé, ópera ou peça teatral.
“Gosto de um silêncio respeitoso até o final de uma música. Então, é hora de aplaudir. Algumas pessoas podem achar isso difícil de entender ou algo que não gostam particularmente, mas é assim que sempre fui. E, nas raras vezes em que vou a um show, não começo a assobiar, gritar ou pedir músicas que quero ouvir. Ou vaiar. Qual é o sentido disso? Melhor sair do local e ir para o pub mais cedo.“
Além dos gritos, Anderson também expressou sua frustração com o uso de celulares durante os shows. Ele comparou o hábito de gravar as apresentações com os braços estendidos a um gesto que remete a comícios nazistas.
“A primeira vez que vi isso, lembrei de tocar em um anfiteatro de concreto no meio da floresta, em algum lugar da antiga Alemanha Oriental, que foi construído para comícios nazistas. De repente, há um mar de braços levantados, e você percebe que eles têm celulares na ponta.“
O músico afirmou que sempre faz “anúncios educados” pedindo que o público guarde os celulares durante seus shows e que, em geral, as plateias entendem seu ponto de vista.
“Geralmente, recebo aplausos quando digo isso, porque muitas pessoas pensam da mesma forma. Elas não pagaram por um ingresso caro para ficar olhando para a tela do celular da pessoa à frente.“
Anderson reforçou que sua crítica não é um desabafo, mas sim uma defesa de uma experiência musical mais imersiva e respeitosa. Para ele, o verdadeiro reconhecimento está nos sorrisos e aplausos no momento certo e não nas interrupções durante a performance.








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