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Emocionada, Fernanda Lira fala sobre a escalação da banda Nervosa para o Wacken 2020

Antes mesmo de findada mais uma bem-sucedida edição do Wacken Open Air, a organização do festival germânico divulgara as primeiras atrações para 2020, cujos os ingressos já se esgotaram.



E uma gratíssima supresa fora o anúncio do power-trio de thrash metal do Brasil, a banda Nervosa, da baixista e vocalista Fernanda Lira, que muito emocionada, postou o seguinte:

“WACKEN….
É isso, o maior sonho da minha vida até então, vai se realizar. Acho que cheguei no ápice das minhas expectativas, e o misto de emoções é tão intenso que só tô conseguindo meio que processar agora, ontem fiquei um pouco em choque ao ver aquele anúncio concretizado, todo dourado ali, lindo, ao lado do Mercyful Fate e tal, tão especial que simplesmente fiquei atônita e não consegui reagir direito. Vcs sabem que eu sou maria chorona e obviamente já chorei mil vezes de ontem pra hoje, por vários motivos diferentes. Abaixo vou tentar explicar um pouco sobre alguns deles.
Nas fotos aqui no post, o anúncio de 2020 e eu no Wacken em 2008, com meus 18 aninhos, em ambas as situações, realizando um sonho.
Quando adolescente, eu e meus amigos éramos muito extremamente viciados em metal, a gente se encontrava nas casas um dos outros pra ficar ouvindo música e vendo video ao vivo das bandas que a gente amava. Muito desses vídeos eram ao vivo das bandas no Wacken. Toda a minha galera vem de um background difícil, humilde, periférico, então o Wacken era tipo algo inalcançavel, um oásis do metal totalmente inatingível, já que muitas vezes a gente passava junto na catraca do ônibus pq um ou outro não tinha grana pra ir no rolê, pedia dinheiro em fila de show (mil vezes) ou invadia o show pq não tinha como entrar, ou juntava meses e meses pra comprar um CD na Destroyer (que era a loja mais barata), quem dirá conseguir cruzar um continente pra ir no fest. Mas aí a gente foi crescendo, começando a trampar, e a determinaçao veio junto. Juntei o máximo que eu pude, peguei um pouco de dinheiro emprestado e resolvi tentar ir pro Wacken, mesmo sem nunca nem ter viajado sozinha pra qualquer lugar nem perto de casa. Até hj não sei como me virei nessa viagem numa época com mto pouco acesso a internet e com o dinheiro que fui no bolso, que hj é o equivalente ao que eu gastaria em 4 dias numa viagem aqui, mas fiz render pra 2 semanas hahaha Lembro até hoje da minha festa de despedida pra ir pro Wacken que eu fiz com os meus amigos, foi muito foda. O sentimento era de uma realização de sonho coletiva, a gente tava muito feliz.
Quando cheguei lá, nem acreditei. Minha ficha só caiu na hora que eu tava na primeira fila no show do Maiden, e quando tavam tocando aquela pausa no meio da Rhime of the Ancient Mariner que fica só o baixo, ficou um silêncio brutal na plateia e bateu uma brisa de vento muito suave na minha cara (parece os autores de literatura descrevendo os baguio, mas é vdd haha) e ali eu desabei de chorar. Senti a presença que cada um dos meus amigos, do meu pai, de todo brazuca que queria tar ali e não tinha conseguido e foi muito intenso, um misto de gratidão, felicidade, amor e realização por mim e pelos meus próximos. E ali também, surgiu aquela pulga atrás da orelha – será que um dia eu conseguiria tocar aqui? E esse, que já era um sonho de muleca, se tornou muito mais forte e minha maior meta como headbanger. Um dia eu vou tocar nessa porra. Nunca esqueci disso. Em cada dificuldade, esse sonho tava lá. Em cada vez que eu botei meu pé num palco nesses mais de 500 shows com a Nervosa, meu sonho tava lá. Em cada minuto desse trampo tão difícil e trabalhoso que foi estabelecer a Nervosa, esse sonho tava lá. Em cada vez que eu tinha que deixar algo de lado ou pra trás, que deixar de ir num rolê ou perder aniversário de algum parente (fazem 5 anos que eu não passo o niver da minha irmã, que é hoje aliás, com ela haha), meu sonho tava lá.
E hoje ele chegou. É muito surreal, significa muito mais do que vcs imaginam. Tô realizando meu sonho e dos meus migos. Trabalhamos demais, superamos muitas coisas, vencemos batalhas que muita gente nem imagina, mas, eu e as meninas CONSEGUIMOS.
Agradeço a elas, minhas companheiras de banda de hoje, Prika e Lu, e as que já foram um dia, por estarem nessa caminhada. À minha família pelo apoio e a compreensão, aos meus amigos queridos e pentelhos pelo colo, incentivo e paciência. A bandas como o Krisiun e o Sepultura, que me inspiraram e mostraram que é possível sim ser latinoamericano, metaleiro fudido, e mesmo assim, fazer acontecer. A todas minhas ídolos mulheres dentro do metal, que me ensinaram a tacar o foda-se e que é possível ter seu espaço num meio predominantemente masculino e por vezes intimidador pras minas. Gratidão a tudo o que eu e as meninas passamos, aos infortúnios que ensinaram a gente na marra a crescer, a ser fortes, a se profissionalizar mais. Aos que tanto hostilizaram a Nervosa, tb gratidão – transformei minha tristeza em ser tão julgada por gente que nem me conhecia, em garra pra seguir em frente, sempre dá pra tirar algo bom de algo ruim. E por fim a cada um que depositou uma gotinha de confiança, esperança e apoio, que apostou num possível potencial: gravadora, patrôs, cada promotor de show, cada um que ajudou nas nossas vaquinhas, que viu nosso clipe, ouviu nossa música, que divulgou algo nosso, nos deu espaço de alguma forma, às minas que se sentiram inspiradas e nos inspiraram de ver outras minas fazendo o corre, aos brazucas que sentiram representados a cada micro passo da gente na gringa, e, claro, nossos fãs, tão bonitinhos 💕
Um sonho não se alcança sozinho.
Obrigada.
Graças a vocês todos, o brilho nos olhos daquela menininha headbanger de colete com patch, hoje é uma realidade.”

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