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Elis Regina: João Marcello Bôscoli descarta shows com uso de hologramas de sua mãe

Elis Regina

“O olhar não está ali”, disse o produtor musical e filho da saudosa cantora

João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina e produtor musical, deixou claro: hologramas da artista não farão parte de projetos artísticos futuros. Em entrevista à CNN Brasil, ele reforçou a decisão, feita em conjunto com a família, de não usar tecnologias como inteligência artificial (IA) para recriar a imagem da cantora em apresentações ao vivo. A declaração foi dada às vésperas do evento Elis 80 , que celebra os 80 anos de nascimento da artista, no dia 28 de março, no Espaço Unimed, em São Paulo.



Quando questionado sobre especulações de uso de hologramas para reviver a voz e imagem de Elis no palco, Bôscoli foi direto, destacando que a expressividade e a presença de Elis são irreplicáveis.

A gente nunca usou e nunca usará, no catálogo da Elis, as ferramentas de inteligência artificial para a área criativa. O olhar não está ali.

O produtor admitiu, no entanto, que já houve propostas para projetos com hologramas, mas a família as rejeitou, como ele disse, em entrevista à Rolling Stone Brasil.

Apenas consideraríamos se a holografia, no futuro, conseguisse reproduzir com fidelidade a expressividade dela.

IA apenas para restauração de materiais

Apesar da rejeição a hologramas, a família autorizou o uso de IA em projetos de restauração de áudio e vídeo. No evento Elis 80 , a tecnologia será usada para limpar ruídos em gravações antigas e isolar a voz da cantora.

A presença da mãe no palco seguirá sendo subjetiva. Se você quiser ver a Elis, vai ter que fechar os olhos.

O caso do comercial “Gerações”

Em 2024, a família autorizou um projeto polêmico: o comercial Gerações , da Volkswagen, que usou deepfake para mostrar Elis cantando Como Nossos Pais ao lado da filha Maria Rita. A campanha entretanto gerou debates sobre os limites éticos da IA e foi alvo de representação no Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).



João admitiu que a decisão foi controversa, mas também destacou o impacto positivo:

“Dei mais de 50 entrevistas para veículos como The Guardian e New York Times.”

Além disso, o comercial ampliou a audiência jovem e aumentou o faturamento dos trabalhos de Elis.

Elis 80: celebração autêntica

O evento de 28 de março priorizará a homenagem sem artifícios tecnológicos. Segundo João, a ideia é resgatar a essência da artista por meio de músicas e histórias, sem substituir sua presença física.

A Elis é uma figura que transcende a tecnologia.

Ademais, para Bôscoli, a rejeição a hologramas não é apenas uma questão técnica, mas emocional.

A família entende que Elis é intocável. Sua voz e sua arte são únicas.

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