Um mês após ser definitivamente afastado da banda que criou, Syd Barrett ainda era a alma do Pink Floyd, tanto para o público da época, como para a gravadora EMI, que obviamente queria lucrar com uma espécie de “The Piper at Gates of Dawn” número 2, ou “saideiro”.
A consequência disso fora uma reunião de músicos e produtores envolvidos em alavancar e realizar o primeiro álbum solo de Barrett, o cultuado “The Madcap Laughs“, que teria seu processo de gravação entre maio de 1968 e agosto de 1969, para ser lançado somente em 3 de janeiro de 1970.
Entre os músicos envolvidos estavam membros do grupo Soft Machine, tais como Hugh Hopper, Mike Ratledge e Robert Wyatt e do Humble Pie, como o baterista Jerry Shirley, além dos companheiros de Floyd, David Gilmour e Roger Waters, que se dividiram na guitarra, baixo e produção, fazendo-o paralelamente à produção do álbum floydiano “Ummagumma“.
A capa e contracapa, fotografadas pelo fotógrafo e amigo de Syd Barrett, Mick Rock e concebida pela Hipgnosis, no mês passado fora devidamente relembrada devido à morte de Iggy “The Inuit” Rose, a modelo então namorada de Syd Barrett que aparece na contracapa do álbum.
“The Madcap Laughs” é o “Desire” (icônico álbum de Bob Dylan) de Syd Barrett. A riqueza nostálgica das canções contrastadas com melodias mais alegres e empolgantes permeiam toda esta obra magnífica.
Para David Gilmour, Syd Barrett não precisava nunca se esforçar para compor pois “as canções já estavam nele” e ele na hora H ainda aparecia com improvisações e repentes takes novos no estúdio.
Canções lindíssimas como “Terrapin“, bem como “Dark Globe” (ambas executadas em tempos recentes por David Gilmour), o clamor em canção “If It’s in You“, “Long Gone“, todas essas belas baladas ao violão com pitadas folk-psicodélicas, contrastadas com as empolgantes e vitaminadas mais calcadas no blues-rock “No Good Trying“, “No Man’s Land” (essa para mim a melhor do álbum juntamente com a faixa derradeira), “Octopus“, “Love You“, nos remetem a uma deliciosa bipolaridade musical que culmina no encerramento com a lisérgica “Late Night”, a derradeira faixa em que Barrett nos convida a uma viagem (talvez sem volta), discorrendo suas cordas da guitarra molhadas em LSD, sobretudo nos takes instrumentais.
Concluindo, “The Madcap Laughs” não alcalçou o objetivo da gravadora EMI que era vender horrores de cópias valendo-se da lenda chamada Syd Barrett, mas fora um sucesso de crítica e é considerado até hoje um dos melhores álbuns lançados no ano de 1970 e figura como um dos melhores álbuns solo de um membro do Pink Floyd, sendo para muitos o melhor.
Ainda que o advento do streaming seja evolutivamente uma realidade, “The Madcap Laughs” é um daqueles discos que vale a pena ter uma cópia física tanto em CD como em LP (ou ambos), por se tratar de uma relíquia fonográfica.
Tracklist The Madcap Laughs:
- 1. Terrapin
- 2. No Good Trying
- 3. Love You
- 4. No Man’s Land
- 5. Dark Globe
- 6. Here I Go
- 7. Octopus
- 8. Golden Hair
- 9. Long Gone
- 10. She Took a Long Cold Look
- 11. Feel
- 12. If it’s In You
- 13. Late Night










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