Deveria ter uns 12 anos quado ouvi o disco “A Night At The Opera” a primeira vez na casa de um tio já falecido. Dentre tantos discos que haviam na coleção dele, grande fã de Pink Floyd, The Who, Suzi Quatro, Yes, Led Zeppelin, Deep Purple e muitos outros este disco foi para mim arrebatador.
Em princípio achei estranho o nome da banda. Mais estranho até que The Who. Na casa havia um aparelho de som daqueles que enchem a metade de uma parede. Um Gradiente enorme com aquelas caixas acústicas de madeira que reproduziam um som inesquecível e de inigualável qualidade.
No início achei as músicas do disco estranhas mas sempre tive o costume de ouvir um disco inteiro. Me simpatizei muito com “You’re My Best Friend” e continuei ouvindo. Veio mais algumas canções como “Love Of My Life” e continuava achando estranho.
“Good Company” me pareceu inspirada nos Beatles pois é um swing antigo que eles amavam fazer e a música termina com um longo solo de Brian May. Esperei mais alguns segundos e veio “Bohemian Rhapsody“.
Mais uma música estranha, pensei. Mas havia nessa música em princípio enquanto ouvia, a presença do rock. No inicio uma perfeita balada de rock e estava curtindo bastante. Veio o solo de May e achei aquilo magistral. Lírico e perfeito.
Aí veio o que descrevo como HECATOMBE. Inacreditável! O som estava realmente muito alto! Rock é para se ouvir ALTO! Fiquei literalmente embasbacado com o que estava ouvindo! Já me disseram que Tommy era uma ópera rock mas aquilo que eu estava ouvindo SIM, era uma verdadeira ópera rock!
Uma profusão de sons e vozes arrebatadores! Olhei para a capa do disco, que naqueles tempos eram uma obra de arte, achando tudo aquilo inacreditável! E de repente veio ele: O ROCK. Rock’n Roll puro, pesado e certeiro como tem que ser. E no final o lirismo toma conta do tema novamente.
Devo ter voltado essa música pelo menos 10 vezes naquela manhã antes do almoço. Ainda bem que a casa era tipo uma chácara e meu tio um grande amante da música porque realmente “Bohemian Raphsody” merecia todos os bis do dia.
E assim descobri o Quenn. Virei fã e colecionador dos vinis que, infelizmente, não os tenho mais. O Queen voltaria fazer algo parecido com “Somebody To Love“.
“Bohemian Raphsody” é uma canção cercada de mitos e incertezas. Um deles é que o piano em que foi gravada a música foi usada por Paul McCartney em Hey Jude. O outro é que a gravadora EMI queria encurtar a música e os músicos se negaram veementemente.
Freddie insistia que a música perderia todo o sentido lírico e a canção não encontraria motivos para ser lançada. A música durou mais de 70 horas para ser gravada. O restante da banda ficaram surpresos com a quantidade de partituras, anotações em guardanapos e cadernos que Freddie levou para o estúdio.
Quanto a gravadora a EMI ficou surpresa com o sucesso da canção nas rádios. Uma música de mais de 6 minutos onde um rapaz mata alguém, vende a alma a Belzebu e quer saber se Scaramouche pode fazer o Fandango? O resultado disso tudo é que a música ficou em 1º lugar durante nove semanas no Reino Unido.
Também reza a lenda que se alguém começar a cantar a música em algum transporte público na Inglaterra, outra pessoa começa a cantar junto, e depois outra, e depois outra e no final todos estão fazendo o coro juntos.
“Bohemian Raphsody” voltaria a ter sua segunda onda de sucesso com o filme ‘Wayne’s World’ que no Brasil tinha como título ‘Quanto Mais Idiota Melhor’, um pastelão rock’n roll de muito sucesso nos anos 90. A cena dos cinco amigos no carro é impagável e muitos repetiram isso e ainda se repete com toda a certeza. Alguns confrades aqui devem se lembrar do que ocorria num fusquinha chamado Lars ou numa Brasília chama Savannah (homenagem a uma atriz pornô), e nas festas Big House que fazíamos. Velhos tempos, belos dias…
E May, ainda continuamos ouvindo a música no carro também e aguardamos a cerveja para comemorar o lançamento de uma das mais belas canções que o rock produziu.
Confiram com o Queen no link abaixo:
Pelo confrade Gonçalo Jr., vulgo Sapão.
