Lisa Stansfield, o pop que ninguém reclamaria no Rock In Rio de hoje.
Atualizado em 25/09/2017
OBSERVAÇÃO: Este texto fora escrito logo após o primeiro fim de semana da recém-findada edição do Rock in Rio, que apesar de ter uma melhora substancial em seu line up no segundo fim de semana, no todo, ficou bem aquém de edições anteriores.
A frase mais clichê entre adeptos do rock que vem progressivamente sendo usada desde a segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã em 1991 e principalmente nos anos 2000 após a volta do festival para terras cariocas em 2001, piorando ainda mais de 2011 pra cá e culminando nesta edição beirando ao caos de 2017, é: “o que menos tem no Rock In Rio é rock“
Claro, todos nós sabemos que o festival nunca fora exclusivamente de rock, tendo o seu idealizador Roberto Medina se aproveitado de um slogan e marca, o Rock, numa cidade mundialmente conhecida e empática, o Rio, para fazer um grande negócio e empreendimento, afinal ele é um empresário, não um fã romântico.
Aponto não ser esse o grande problema.
O Brasil, como o cantor Lobão disse em entrevista recente, não tem uma cultura rocker à altura de países, sobretudo desenvolvidos, da Europa. Portanto esqueçam quaisquer esperanças de termos festivais a La Wacken Open Air da Alemanha, Download Festival da Inglaterra, Graspop da Bélgica ou Hellfest da França. Não, por aqui o pop manda e comanda as ações dos produtrores, ainda que estes mesmos de repente apreciem um bom rock e heavy metal nas suas casas ou ouvindo nos seus carros. Sim, entre deixar uma gama de roqueiros contrariados e ganhar milhões em ingressos, patrocínios da Rede Globo, bancos, cervejarias, toda publicidade envolvida e etc., ele preferirá ganhar a grana.
A questão da qualidade das últimas edições passa por um raciocínio: o pop-radiofônico que piorou muito e o rock que também deixara de ser pop.
Voltemos no tempo, à edição primeira de 1985.
O hoje chamado clássic rock era na época um menino em evidência com bandas que se consagram em nas década de 70, tais como Yes Queen, Ozzy Osbourne, egresso do Black Sabbath, Scorpions e AC/DC, que todos no Brasil queriam e tinham o sonho de ver por aqui e bandas advindas da nova onda do heavy metal bretão, como o Iron Maiden. Tudo isso era muito forte nesse tempo, com grande chance de dar certo, embora tais negociações com esses artistas eram demasiadamente complicadas devido à desconfiança destes pelo Brasil não ser rota de shows internacionais. Mais havia todo um público ávido para vê-los de perto. E viu.
Para completar o cast, Medina contratou outros artistas de sucesso tanto no Brasil como do exterior fora da cena do rock and roll, embora em sua grande maioria, todos esses artistas eram de segmentos com certa afinidade com o rock, como George Benson e Ivan Lins, que inclusive juntos fizeram uma das mais famosas jam sessions da história do festival, embidada em jazz.
Citando mais alguns exemplos, tivemos o pop romântico de James Taylor, o também jazzistico Al Jarreau, o new wave de B-52’S, vários da nossa MPB, entre outros. E ninguém reclamou, pois mesmos os artistas mais pop e mais afastados da proposta que o título do festival sugeri, a qualidade era bastante alta.
No segundo Rock In Rio, em 1991, onde lá eu estava, o festival já começou a ganhar torcidas de narizes por se mudar da Cidade do Rock para o Maracanã, o que gerou uma certa polêmica, mas nada que fosse um problema muito grande.
Nessa edição a cena pop o tomou com mais força. Aristas como Debbie Gibson, Lisa Stansfield, Dee-Lite, Information Society e até New Kids on he Block se misturaram às atrações que faziam jus ao nome do evento como Megadeth, Judas Priest, Joe Cocker, Sepultura e Guns N Roses.
Mas percebam que as atrações pop supracitadas dentre outras, excetuando-se o New Kids, detém uma qualidade que seria bem vinda na edição atual.
Ou seja, a partir de 2001 o Rock in Rio começou a declinar e mais ainda de 2011 até hoje, porque a cena pop desandou e o rock também deixou de ser pop.
A questão em si não é o Rock in Rio 30% rock e sim que o que vigora hoje no pop-radiofônico está abaixo do deplorável.
A culpa portanto não é do festival carioca, é de um enfraquecimento cultural nos âmbitos de massa, do empobrecimento do pop rentável, do jabá e outras cositas más.
Logo, melhora-se o Rock in Rio, melhorando o nível do pop que cativa os ouvintes nas rádios e youtubes da vida e o rock ciclicamente voltando a ocupar um maior espaço nessas mídias, (vale lembrar que constatou-se recentemente uma mundialmente queda na venda de guitarras em 15%), o que denota um alarmante perda de interesse pelo estilo por parte do sujeito que começa a se ligar em música.
Por ora, negócio é pincelar as atrações e aproveitar o que der. Um dia melhora… ou não.
E não reclamemos muito, do contrário poderemos ter sertanejo universitário nas próximas edições.
Oremos.
André Floyd.









