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Pink Floyd: em seus acordes David Gilmour emana seu DNA

Era segundo semestre de 1967 na Inglaterra e o Pink fazia enorme sucesso com seu estourado álbum de estreia “The Piper At Gates of Dawn“, regenciado pelo seu então líder, compositor e guitarrista Syd Barrett.



Mas infelizmente este vinha fritando seu cérebro com uso maciço de mandrax e LSD e não era mais possível depender dele nos shows.

A solução foi chamar um velho amigo de Cambridge, trazendo na bagagem a experiência de ter tocado nas bandas Joker’s Wild (depois se tornou Flowers) e Bullitt.

A solução fora efetivar David Jon Gilmour.

Inicialmente a pressão era enorme. Empresários e produtores chegavam a exigir que David literalmente emulasse fielmente o modo como Syd Barrett tocava as músicas, quase como um playback.



Syd já havia conquistado o total respeito no meio, devido ao estupendo legado que deixou no pontapé inicial do Pink Floyd.

Portanto a missão de David Gilmour seria claramente árdua.

Mas não era somente Syd Barrett, um louco diamante. O brilho de Gilmour já começa a acender antes mesmo do fim da década de 60.

Além de seus acordes de guitarra começarem a despontar no segundo álbum do grupo, “A Saucerful of Secrets“, em canções como “Let There Be More Light” e “Corporal Clegg“, no álbum seguinte, a trilha “More“, ele se revela também um ótimo cantor de voz macia nas bela “Green Is The Colour“.



E eis que sua virtuose minunciosa surge embrionariamente no cult e duplo álbum “UMMAGUMMA“, metade estúdio, metade ao vivo, onde em ambos os formatos, David Gilmour é cativante: na parte ao vivo, com uma ousada pegada na canção “Astronomy Dominée“, de seu antecessor, e na linda versão de “A Saucerful of Secrets“, onde imortalizou a parte final com seu belo canto; na parte de estúdio foi sublime no duo voz e violão com Roger Waters e na sua peça dividida em três partes “The Narrow Way“, onde começa-se a marcar o “estilo David Gilmour”, usando todo o equipamento de pedais que lhe são disponibilizados, experimentando e dando seu refinamento nas notas sem pressa ( e para que a pressa).

Chega a década de 70 e David Gilmour já entra nela com o devido respeito no meio musical, especialmente como guitarrista.
No opulento álbum “Atom Heart Mother“, faz o solo embluesado dentro da canção-titúlo, solo este que por sí só já valeria toda ela. Gilmour nos brindou ainda neste mesmo álbum com a belíssima “Fat Old Sun“, a música mais antiga que ele toca até hoje em sua carreira solo. O disco finaliza com a psicodélico-progressiva “Alan’s Psychedelic Breakfast“, com participação magnífica dos quatro floyds, e claro, de David Gilmour.

Gilmour vai ficando cada vez mais classudo e virtuso a cada álbum do Pink Floyd. Em “Meddle“, ele volta com sua linda voz em “A Pillow Of Winds” e “Fearless”, além de ser esplendoroso em “One Of These Days” e “Echoes“, que graças a todos os deuses ele a resgatara na turnê solo de 2006.

Obscured By Clouds” é talvez o melhor álbum dos menos badalados do Pink Floyd, embora tenha feito um sucesso até considerável na América.
E ele o é porque nele contém “The Gold It’s In The…“, “Wot’s Uh Deal“, “Mudmen” e “Childhood’s End“, onde Gilmour está absolutamente mergulhado no mar do rock progressivo.
Aí chegamos no “DC – Depois de Cristo”.



Quando “The Dark Side Of The Moon” ganhara o mundo, este conheceu um guitarrista para cravar seu nome na história.

Chega a ser tolice querer explicitar onde David Gilmour fora genial ao longo das dez faixas desta obra-prima. Ainda assim tentemos: “Breathe“, Time“, “Money“, “Us And Them” e “Any Colour You Like” são para aplaudí-lo de pé por meia hora.

Ali parecia que não havia como melhorar, ledo engano.

No álbum seguinte e seu preferido do Floyd, ironicamente ‘Wish You Were Here“, que integralmente homenageou Syd Barrett, David Gilmour gravou seus acordes e notas que o definiram: na introdução de “Shine On You Crazy Diamond“, na parte final desta, em “Have A Cigar” e obviamente na imortal faixa-título.



Seguimos com “Animals“, disco amplamente concebido e dominado por Roger Waters. Porém, ainda assim Gilmour conseguiu ser magistral.

O que seriam de “Dogs“, “Pigs” e “Sheep” sem ele?

Roger Waters já reina absoluto no Pink Floyd e então a Ópera-rock The Wall foi lançada em 1979. David Gilmour cada vez mais espremido nessa obra, reluz em “Another Brick in The Wall“, “Mother“, “Young Lust“, “Hey You”,Is There Anybody In There“, “Run Like Hell” e na canção onde certamente habita o melhor solo de sua carreira: “Comfortably Numb“.

No “epitáfio” floydiano de Roger Waters, “The Final Cut“, lá estava Gilmour alfinetando seus solos como em “The Fletcher Memorial Home“, na faixa-título e na “pesada” “Not Now John“.



O Pink Floyd então chegou ao seu fim! Não, não chegou.

David Gilmour reconvoca seus colegas floydianos Rick Wright e Nick Mason, desperta a ira de Waters e em 1986 lançam o sucesso “A Momentary Lapse Of Reason“, que deu origem a turnê registrada no duplo ao vivo “The Delicate Sound Of Thunder“, contendo as inesquecíveis “Dogs Of War“, “On The Turning Away” e a sensacional “Sorrow“.

Vira a década e em 1993, mais uma dádiva.

Chega o álbum ‘The Division Bell“, com a estupenda guitarra de Gilmour nas canções “Cluster One“, “What You Do Want From Me“, “Marooned” e “High Hopes“. Esse disco originou a turnê P.U.L.S.E., onde Gilmour executou o melhor solo, na melhor versão de “Comfortably Numb“.



Para fechar com chave mestra, das sobras de “The Division Bell“, foi lançado no fim de 2014 o epílogo floydiano “The Endless River“, como um tributo ao saudoso tecladista Richard Wright, mas que David Gilmour bem aparece numa das melhores canções do Pink Floyd, “Louder Than Words” e na rasgada “Nervana“.

E isso sem contar a carreira solo que é um outro capítulo, à parte.

Abaixo ouça a nossa playlist A Arte de David Gilmour:

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