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Paul McCartney lança faixa repleta de ruídos e chiados, como protesto ao uso de IA na música

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Paul McCartney

Faixa dura 2min45seg e integra o álbum de protesto contra o uso não autorizado de obras musicais para treinar inteligências artificiais.

Paul McCartney prepara o lançamento de uma nova gravação que foge completamente do formato tradicional de canção.
Trata-se de uma faixa quase silenciosa. Ela traz ruídos de estúdio e chiados, criada como protesto contra o uso de obras musicais para treinar sistemas de inteligência artificial sem autorização prévia.



A música, intitulada “(Bonus Track)”, tem 2min45seg de duração e integra a edição em vinil do álbum Is This What We Want?.

O projeto reúne mais de mil artistas e faz campanha contra mudanças propostas na legislação de direitos autorais do Reino Unido. Tais mudanças abririam espaço para o uso de material protegido em treinamentos de IA sem licenciamento específico.

Detalhes da faixa “(Bonus Track)

A nova gravação marca o primeiro lançamento de estúdio de McCartney desde o álbum McCartney III, de 2020.

A faixa foi registrada em um estúdio praticamente vazio. Ela vem explorando sons ambientais, chiado de fita e pequenas intervenções acústicas, em vez de melodias e letras convencionais.



A música começa com cerca de 55 segundos de chiado contínuo. Em seguida, surgem aproximadamente 15 segundos de ruídos indefinidos, como passos e movimentação de porta, antes de retornar a mais de um minuto de hiss e sons sutis até um fade-out gradual.

Ao optar por uma gravação repleta de ruídos, chiados e quase silêncio, McCartney busca simbolizar um cenário em que a exploração indevida de catálogos por empresas de tecnologia “silencia” os criadores humanos.

A faixa aparece como bônus no lado B da versão em vinil de Is This What We Want?. O materias será lançado em 8 de dezembro de 2025.

O álbum silencioso Is This What We Want?

Is This What We Want? é um álbum coletivo formado por gravações de estúdios e espaços de apresentação vazios.



A proposta é ilustrar o impacto econômico e criativo que os músicos temem caso o governo britânico flexibilize o uso de obras protegidas em treinamentos de IA sem licenças adequadas.

De acordo com a página oficial da campanha:

Em 2024, o governo do Reino Unido propôs alterar a lei de direitos autorais para permitir que empresas de inteligência artificial construam seus produtos usando obras protegidas de outras pessoas, música, obras de arte, textos e muito mais, sem uma licença.
Os músicos deste álbum se reuniram para protestar contra isso.
O disco consiste em gravações de estúdios e espaços de performance vazios, representando o impacto que esperamos que as propostas do governo tenham sobre o sustento dos músicos.
Todos os lucros do álbum serão doados para a instituição de caridade Help Musicians
”.

O tracklist do álbum forma, ao juntar os títulos das 12 faixas, uma frase de protesto dirigida ao governo britânico. A ensagem reforça o caráter conceitual da obra e a natureza coletiva da mobilização.

Debate sobre IA, direitos autorais e o futuro da criação musical

A movimentação em torno de Is This What We Want? envolve mais de mil artistas de diferentes estilos, incluindo nomes como Kate Bush, Hans Zimmer, Jamiroquai, The Clash, Imogen Heap e Yusuf/Cat Stevens.



O grupo critica propostas que permitiriam a desenvolvedores de IA treinar modelos com qualquer material ao qual tenham acesso legal, exigindo que os criadores optem ativamente pela exclusão.

Em declarações anteriores, Paul McCartney já havia demonstrado preocupação com o tema.
O músico defendeu que é necessário cuidado para que a tecnologia não prejudique especialmente novos compositores e autores, cuja carreira pode depender da remuneração por suas obras.

A campanha, que inclui o lançamento digital e agora a edição em vinil do álbum silencioso, busca pressionar o governo do Reino Unido a revisar os planos de flexibilização e a manter um regime de direitos autorais que exija consentimento e remuneração justos para o uso de conteúdos no treinamento de sistemas de IA.

Ao participar de Is This What We Want? com uma faixa repleta de ruídos, chiados e longos trechos de quase silêncio, Paul McCartney adiciona sua voz, aqui, simbolicamente quase inaudível, a um debate que se tornou central para a indústria musical em escala global.

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