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Os melhores álbuns de 2017 escolhidos pela Confraria Floydstock

Enfim chegamos aos derradeiros dias de 2017, um ano imensamente frutífero no campo fonográfico com lançamentos ao longo deste com qualidade de sobra.



A Confraria Floydstock expõe abaixo alguns álbuns que passaram por nossos ouvidos e que mereceram nosso enaltecimento e recomendação.

Obviamente que há inúmeros outros bons álbuns que também poderiam ser lembrados aqui e você, caro leitor pode ficar a vontade para citá-los.

Enfim, para a Confraria Floydstock os melhores álbuns de 2017 foram:

20: Epica – “The Solace System



Sendo uma obra de tiro curto, este EP serviu como uma espécie de sobremesa para os amantes do álbum “The Holographic Principle” (2016).
À exceção da música em voz e violão, a bela “Immortal Melancholy” que acalma as coisas, as demais canções soam pesadas, harmônicas, com todo o segmento de coral e orquestração muito bem postado e na medida certa, assim como os vocais guturais de Mark Jansen, aqui bem moderados, aparecendo pouco nas canções, e claro, a prima-dona Simone Simons as irrompendo com sua voz em tons altos em todo o trabalho, deixando entrever muito bem seus enfeitiçantes agudos.

19: Xandria – “Theater of Dimensions

Aqui temos peso e por vezes celeridade combinados com a elaboração, o erudito e sequências harmônico-orquestradas, regadas a corais lírico-gregorianos e tudo isso com uma bela prima-dona nos microfones, Dianne van Giersbergen, que infelizmente, antes desse ano terminar, fora deposta da banda que ela ajudou a elaborá-la melhorá-la.

18: Accept – “The Rise of Chaos



The Rise of Chaos” ilustra a confirmação de que o Accept talvez seja a banda quarentona de heavy metal mais inquestionável e irrepreensível do momento, pois conseguiu a proeza de manter a sua essência oiteintista dos tempos de “Balls to The Wall” (1983), por exemplo, e ao mesmo tempo soar novo e moderno.

17: Sepultura – “Machine Messiah

Desde “Roots” que o Sepultura mostra de peito aberto sua impavidez ao ousar em seus trabalhos e o fez de forma absolutamente categórica em “Machine Messiah“, que desde a faixa-título de abertura já deixa escancarada tal proposta, com um som pesado-refinado, nos remetendo a um disco de música bem feita e não simplesmente um álbum de metal qualquer.

16: Living Colour – “Shade



Quando o casamento do groove e o riff acontece perfeitamente o resultado não pode ser outro: um álbum fantástico de rock and roll pesado e suingado. Foi o que o vocalista Corey Glover e o guitarrista à frente do Living Colour neste trabalho nos entregaram lindamente. Um disco para ouvir no volume máximo várias vezes.

15: Adrenaline Mob – “We The People

Além do aclamado Dream Theater e do isolado Yellow Master Custard, considero o Adrenaline Mob o melhor dentre os míriades de projetos do baterista Mike Portnoy, que os deixou em 2013 dando  lugar ao baterista Jordan Cannata, que assumira as baquetas neste álbum na companhia do excelente vocalista Russell Allen, oriundo do Symphony X. “We The People” é o rock-metal cru e direto na boca do estômago, feito com todo o esmero e competência. Infelizmente a alegria desse lançamento fora subtraída pelo letal acidente que vitimou o baixista David Z em junho.

14: Rick Wakeman – “Piano Portraits



O mago dos teclados, sintetizadores, moogs, etc. se despira de todo o aparato de recursos e efeitos eletrônicos e discorrera sua genial musicalidade simplesmente ao piano de cauda, com notas secas e majestosas para clássicos da música tais como “Space Oddity” (David Bowie), “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin), “Summertime” (Janis Joplin), “Help” (Beatles, além de eruditos como “Swan Lake” e Wonderies Stories, do Yes, banda que o consagrou. O resultado não poderia ser menos do que esplêndido.

13: Deep Purple – “inFinite

Esse álbum é realmente muito bom. Mas sobretudo por ganhar uma atmosfera contextual histórica, por estar predestinado a ser o epílogo fonográfico do Deep Purple, talvez a maior banda da história do hard rock. Um álbum genuíno e honesto, com uma sonoridade blues-hard-rock de raiz, ante às limitações físicas impostas pela idade e cansaço de seus integrantes, principalmente o vocalista Ian Gillan.
inFinite” nos prova que quem foi rei nunca perde a majestade se não perder o bom senso.”

12: Steven Wilson – “To the Bone



Que coisa linda fizera o multi-instrumentista Steven Wilson, notabilizado desde outrora por seu grupo prog Porcupine Tree.
Já em profícua carreira solo, ele chegou esse ano nos entregando o moderníssimo álbum “To the Bone“, com os elementos progressivos que lhe são peculiares, porém traduzidos numa sonoridade muito bem acessível e soando tão atual, que até mesmo os ouvintes que chegam a reclamar que o rock progressivo tem partes chatas, não teriam como dizê-lo aqui.

11: Black Country Communion – “BCCIV”

Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Jason Bonham e Derek Sherinian parecem nos transportar para o epicentro da cena hard-rock setentista com o álbum que marcou o retorno do quarteto aos trabalhos com o Black Country Communion. Aqui o bom e velho hard-rock passa longe de respirar por aparelhos.

10: Gov’t Mule – “Revolution Come … Revolution Go”



O Gov’t Mule, capitaneada pelo guitarrista e vocalista Warren Haynes é uma banda de southern e blues-rock com vinte e poucos anos de fundação e uma sonoridade que nos remete há uns quarenta anos, só que pemanecendo contemporâneo. Em “Revolution Come … Revolution Go”, a sonzeira é contagiante e os solos de guitarra garantidos faixa a faixa.

9: Ayreon – “The Source

A epopéia metal-progressiva, obra-prima em álbum duplo conceitual do elaboradíssimo multi-instrumentista holandês Arjen Lucassen que contara com as participações especiais de James LaBrie (Dream Theater), Simone Simons (Epica), Floor Jansen (Nightwish), Hansi Kürsh (Blind Guardian), Tobias Sammet (Avantasia, Edguy), Tommy Kaverik (Kamelot), Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) e Tommy Rogers (Between the Buried and Me), entre outros, que encarnaram personagens em suas vocalizações e com Paul Gibert (Mr. Big), Joost van den Broek (piano e piano elétrico, ex-After Forever), Mark Kelly (sintetizador, Marillion), Guthrie Govan (guitarra, The Aristocrats e ex-Asia), entre outros. Precisa falar mais?

8: P.P. Arnold – “The Turning Tide



Talvez uma das mais subestimadas divas da música negra americana, P. P. saiu de uma latência musical causada por esse pouco olhar da industria fonográfica e emergira com tudo no trabalho de altíssimo nível intitulado “The Turning Tide“, onde destila agradavelmente seu rhythm and blues, soul e rock and roll com categoria absoluta, agraciada ainda com as participações de Eric Clapton e canções de Steve Winwood, Van Morrison e Maurice e Barry Gibb.

6 e 7: Neil Young – “Hitchhiker” e “The Visitor

Aqui temos um caso especialíssimo! Só mesmo um artista da categora de Neil Young seria capaz de lançar dois álbuns no mesmo ano, dignos de figurarem uma lista entre os melhores do período.
O primeiro, o até então disco perdido  “Hitchhiker“, lançado em setembro, reúne canções de cunho intimista, todas compostas na época de 1975.
O segundo, “The Visitor” está fresquinho, chegou no dia primeiro desse mês. Aqui já temos Young mais uma vez acompanhado da banda Promise of the Real mandando músicas mais elétricas e plugadas, onde o timbre ímpar da guitarra do canadense se destaca.



5: Robert Plant – “Carry Fire”

O o eterno frontman do Led Zeppelin é certamente um dos músicos veteranos mais sensatos da atualidade.
Totalmente consciente, aos seus digníssimos sessenta e nove anos de idade, de que o tempo passou para ele e consequentemente para sua voz, Robert Plant vem há tempos deixando a berraria zeppeliana de lado e juntamente com o Sensational Space Shifters, banda que o acompanha, nos vem entregando uma musicalidade mais abrangente e condizente com suas possibilidades, flertando cada vez mais com os ritmos africanos e o folk music, fazendo música boa despreocupadamente do rótulo Led Zeppelin e “Carry Fire” é seu melhor trabalho nessa linha.

4: David Bowie – “No Plan

Programado para 8 de janeiro de 2017, o lançamento de menor duração desde ano mais um dos maiores em importância. Duram apenas 18 minutos o sopro final do epitáfio fonográfico “Blackstar“, lançado exatamente um ano antes, no aniversário de David Bowie.
No Plan” traz apenas quatro canções em tom lúgubre que fizeram parte do espetáculo teatral homônimo, que fora pessoalmente supervisionado pelo próprio Camaleão até o mesmo sucumbir ao câncer e nos deixar em 10 de janeiro de 2016.



3: Gregg Allman – “Southern Blood

Um maravilhoso epílogo de um legado de um brilhante southern rocker. Assim Gregg Allman nos deixara em maio deste ano, mas nos brindando com “Southern Blood“, um álbum póstumo elegantíssimo, ainda mais se contarmos o fato de ter sido gravado com Allman padecendo pela doença que o levou. Selou sua carreira com chave de ouro.

2: Paul Weller – “A Kind Revolution

‘The changing man’, Paul Weller, começou a trabalhar em seu último lançamento ‘A Kind Revolution‘ quase imediatamente após a finalização do anterior ‘Saturns Pattern’, de 2015, e aparentemente há outro trabalho pronto pra saltar do forno. O vocalista/guitarrista/compositor da pós-punk The Jam (revival da cena Mod tão cara a Pete Townshend) e da Style Council, onde Weller pôde desenvolver sua imponente veia soul, arrancou o genial Robert Wyatt de sua aposentadoria para participar da jazzeada ‘She Moves With The Fayre’, e o Culture-Club Boy George para a disco-funkeada ‘One Tear’. Fica claro que esse incrível lançamento de 2017 não assenta em nenhum estilo que o possa definir.



1: Roger Waters – “Is This The Life We Really Want?

Após vinte e cinco anos, o eterno líder floydiano rompera seu silêncio fonográfico com uma obra de arte da música com enfoque político, coisa que ele começou a dar lampejos desde “Corporal Clegg”, no segundo álbum do Pink Floyd, “A Saucerful Secrets” (1968) e voltou com força do aclamadíssimo “The Dark Side of The Moon” (1973) em diante.
Dali para frente a política jamais saiu da poesia de Roger Waters, tanto no Floyd, tanto na carreira solo.
Is This The Life We Really Want?” deveria vir com uma irônica dedicatória autografada para o presidente norte-americano atual Donald Trump e com singela homenagem ao russo Vladimir Putin.
O disco tem uma produção primorosa, que ficou a cargo de Nigel Godrich, o “George Martin” do Radiohead.
Diferenciado, desta vez o álbum solo de Roger Waters despreocupou-se de trazer um grande guitarrista solista, como foi o caso de Eric Clapton em “Pros And Cons“(1984) e “Jeff Beck em “Amused to Death”(1992), talvez por manter algum traço competitivo com o então Pink Floyd de David Gilmour, para investir num trabalho de um todo instrumental elaborado, repleto de efeitos sonoros, formando-se uma atmosfera perfeita para a poesia paranóico-magoada de Waters, que discorre “trocentos” palavrões nas canções, “homenageia solenemente” Trump e se coloca enquanto ser indiginado, onipresente e solidário quanto aos refugiados pelo mundo que irrompem fronteiras em busca de vida ao invés de sobrevida.
Destaque total para a canção “Picture That” que catalisa toda a essência da obra.

Menção honrosa:

Kraftwerk – “3-D The Catalogue”

Este só não entrou na lista acima porque não foi um lançamento de músicas inéditas gravadas em estúdio e sim uma grande compilação ao vivo, repassando todos os álbuns lançados pelo grupo criado por Ralf Hutter e Florian Schneider no início da década de 70.
3-D The Catalogue” traz os vovôs da música eletrônica e criadores do krautrock em uma série de oito concertos por museus e salas de concerto mundo afora, com arranjos supra-modernos para as suas clássicas canções contidas em seus oito discos de estúdio lançados. Trata-se de uma obra-prima músico-tecnológica em terceira dimensão.

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