Dando inicio a série de resgates sonoros do selo, O Hominis Canidae disponibilizou nos streamings toda discografia do projeto de música instrumental paraibano Ubella Preta.
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A banda foi formada em 2009, mas apenas em 2010 começou realmente a mostra suas influências, quando lançou seu primeiro trabalho “Água de Jamaica”, um mergulho nas ondas do Afrobeat, tão presente no Brasil no final da década passada. O estudo do ritmo africano criado pelo mestre Tony Allen, se misturava as mais variadas influências do, na época, trio formado por David Neves, Felipe Tavares e CH Malves.
Em 2011, no aniversário de 3 anos do blog Hominis Canidae, o trio lançou um estudo no qual voltaram seus olhares para as referências de dentro de João Pessoa. Sendo assim, foram atrás de uma das influências declaradas da banda, um dos totens da música paraibana, o grupo Jaguaribe Carne e realizaram o sonho de dividir o que o ser humano tem de mais importante, suas ideias e no caso de uma banda, seu som. Surgiram então duas faixas em um EP absurdamente livre e criativo chamado “Em Tubos de Ensaio no Laboratório Experimental”. Um registro que é uma celebração da música paraibana na união de duas gerações que fazem música para o mundo em uma sonoridade jazzística e de improviso surreal.
Em 2012, já como um duo, formado por David Neves (guitarras, órgão, synths e samples) e Felipe Tavares (baixo e efeitos), o projeto lançou o álbum “Evento Horizonte”. Definido pelos músicos como “Um cortejo sinuoso entre a transgressão do rock and roll, liberdade do jazz e o prazer da dança”. O álbum tem 8 faixas com o que tem de mais fino da música instrumental feita no mundo. Eles experimentam, nos moldes do free-jazz, são coesos como o post/math-rock e experimentais como o mais psicodélico dos projetos com liberdade sonora devem ser.
O grupo tocou em diversos festivais do nordeste, como No Coquetel Molotov, Festival Mundo, Festival DoSol, o MIniFestival UIVO do Hominis Canidae (em Recife e João Pessoa), Festiva Nova Consciência, sempre chamando atenção pela sonoridade abrangente e apresentações instigadas. Nada mais justo que comemorar 10 anos de projeto, espalhando a música da Ubella em todos os streamings possíveis do mundo, boa parte deles compilados no site do nosso selo (também pra download no blog)!
Segue abaixo um Faixa a Faixa dos dois álbuns lançados apenas pela Ubella Preta, nas palavras do David Neves:
Faixa a faixa: Água de Jamaica (Por David Neves)
O EP foi gravado nos dois dias logo após a quarta feira de cinzas do carnaval de 2010.
“Nas águas do Róger”
Surgiu de uma sessão de improviso dentro da subdivisão 6/8. O nome da musica se deu pelo baixo com delay inspirado em Roger Waters em “Sheep”. No caminho pra gravar, ouvindo a gravação demo, passamos por cima de uma água que escorria do presídio do bairro do Roger, em João Pessoa, a água invadia todo o asfalto, junto com a referência do baixo com delay aquoso, e no trocadilho com água do nome do Roger Waters, a música ganhou o título de Nas águas do Roger. A primeira música da banda.
“Savana Grossmann, O velho”
Surgiu de sessões gravadas e foi escolhida pra EP pelas cores do noise, eletrônica, jazz e música nordestina. O nome foi tirado de um personagem de uma HQ do Robert Crumb, “Savanna Grossmann, O Velho” o personagem era dono de uma gravadora.
“Moicanos Soleite”
Foi resgatada de uma sessão gravada da banda, que em seguida foi adicionada uma voz de uma cantora lírica francesa. No dia da gravação do EP, foram ingeridos psicodélicos, e na sessão fora entoado sons de sapos e tribais, gerando uma enorme diferença entre as versões. O nome da musica inicial foi “Semente de Ophélia”, depois “Moicanos do Sol”, “Moicanus Soleite”.
“Vela de 7 dias”
Surgiu de um tema de guitarra em 7 compassos, no EP foi adicionado Theremin. Foi à única que não veio das sessões ao vivo da banda.
Faixa a faixa: Evento Horizonte (Por David Neves)
Gravado em junho de 2011 em 1 dia de gravação. O disco discorre sobre as relações da borda de um buraco negro, onde no horizonte de eventos mora todas as chaves das leis de atração, espaço e tempo.
“Supermoon”
O experimento sambakraut abre o disco Evento Horizonte. A música começa com um groove em sete compassos que logo é tomado por um clima espacial. O nome inspirado numa noite de super lua.
“Aldebaran”
É a estrela mais brilhante da constelação de touro. A música recheada de clima synth-space somada ao som do Trem da Morte, gravado numa viagem pela América do Sul rumo a Machu Picchu.
“Fuga de ideias”
A fuga de ideias é um tipo de transtorno da velocidade de pensamento caracterizada pela variação incessante do tema do pensamento e uma dificuldade de chegar em uma conclusão. Com guitarra e baixo tocando o inicio do tema com cobertura do sax havaiano de Stephan Thomas. A música segue trocando o tema e todo o envolto, uma música de três singularidades.
“Sincinaty”
Vem de um jogo de fonemas que envolvem o cotidiano na cidade. Um baião Psicodélico, com guitarra melada no jazz e percussão com referência ao oriente médio.
“Gliese 581G”
A música surge de um synth-dark-ambiente que ganha os sons da Rua de Oruro, na Bolívia. A música cria um ambiente de suspense, uma novela psych que se conclui com o acelerar do motor de um fusca.
“Futuro do Silício”
A música narra a saga do carbono até chegar ao silício e sua morte. Outra com participação de Stephan Thomas no Sax Tenor.
“Beatless”
Música inspirada num dia cinza de uma cidade ensolarada. Meio setentista, meio breakbeat, com efeitos na bateria num clima pós industrial.
“Marte”
Música se chamou inicialmente Mars, que era a abreviação de Marsicano, um citarísta paulistano que a banda tocou numa apresentação ao vivo. A música foi feita pra ele colocar um solo de cítara, a versão demo foi enviada e ele gostou bastante. O encontro para a gravação nunca aconteceu, ele faleceu tempos depois. A música se chamou “Marte”, e foi adicionada uma session violenta de viola de 10 cordas e 12 cordas, cujo Felipe Kariri mudou a afinação no meio da música para fazer o solo final, sem cortes.
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4 comentários em “O selo HCREC resgata discografia do projeto instrumental paraibano Ubella Preta”
deusos sonoros do mojo
Sim, foi o carunxo.
deusos sonoros do mojo
Sim, foi o carunxo.