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O Bando do Velho Jack: A Confraria Floydstock entrevista Marcos Yallouz

Na década de 90, cinco músicos passaram a transformar várias noites de Campo Grande, capital de Mato Grosso do SUL, como seus habitantes gostam de frisar o gentílico, em verdadeiras avalanches musicais.



Ainda com o nome de Jack Daniels, o grupo que cravara a sua formação clássica com Rodrigo Tozzete (guitarra e voz), Fábio Terra, o Corvo (guitarra), Marcos Yallouz (baixo) e Alex Cavalheri (teclados) e João Bosco (bateria), formação esta que irrompera os anos 2000 com CDs e DVD, canções autorais, outras não e shows memoráveis na bagagem, sedimentando-se na cena local, já como O Bando do Velho Jack.

Ir num show do Bando era um evento marcante. Era ir em um autêntico concerto de rock and roll.

Em 2014 a banda entrou em hiato tendo seus integrantes seguido caminhos paralelos…

Mas no dia 11 de outubro de 2017, feriado estadual comemorativo pelo nascimento do Estado de Mato Grosso do Sul (separado oficialmente de Mato Grosso em 1977), fora celebrado também no Blues Bar MS, o retorno da maior banda de rock do referido Estado.



Sobre esse tão esperado retorno, a Confraria Floydstock conversou nas linhas abaixo com o baixista Marcos Yallouz:

Primeiramente, conte como foi o processo de retorno. De quem partiu a ideia e como fora a receptividade dos membros do grupo?

Eu já vinha com essa ideia a algum tempo porque eu recebo a maioria dos contatos dos fãs pelo face, e-mail ou fone.  Por incrível que pareça o número de pessoas que não conhecia a banda e daí descobriu na internet e entrava em contato só aumentava. Sem falar nas pessoas que já conheciam e cobravam um retorno. Sites me procuravam para entrevista, pessoas queriam cds… isso foi me deixando muito pensativo. Acho que dar um tempo foi bom, mas quando conversei com todos sobre a ideia da volta, a aceitação foi bem rápida. Todos tem trabalhos paralelos em outras bandas e isso ajuda muito.

Desde os tempos do Farol (antológico bar noventista), o Bando do Velho Jack, ainda se chamando Jack Daniels, ficou conhecido por entregar apresentações viscerais calcadas na atmosfera classic-rock setentista. O público pode esperar a volta dessas inspirações performáticas?

Sem dúvida. A grande diferença dessa época para agora é que não conseguimos pular tanto por causa da idade (hahaha) e também estamos focando mais no trabalho autoral. Não exclusivamente, mas prioritariamente. O Repertório é calcado nos discos que gravamos. Uma característica nossa que permanecerá sempre é a Jam Band… ou seja muito espaço para improviso.

Vocês não tocam todos juntos desde 2014. De lá para cá possivelmente cada um teve contato com novas sonoridades. Influências novas poderão ser encontradas em shows e num vindouro álbum do grupo?

Pouco provável. O que tinha que mudar e adaptar, já aconteceu ao longo do tempo da banda. Não tem como sair dos anos 70. E cada um ter seu trabalho próprio ajuda a que isso não mude no bando. Novas experiências podem ser feitas individualmente. Aliado a isso, dentro do estilo que gostamos não exploramos 1% das possibilidades.



Ainda no gancho da pergunta anterior, como você vê a cena da música em 2017? Especialmente no campo blues-rock, mundial, nacional e regionalmente?

No geral a música está se perdendo quanto a real musicalidade. Mas mesmo assim tem ótimas bandas ainda rolando. Blackberry Smoke é a que cito em 1º lugar. Banda sensacional que não tem nenhum disco ruim.

Regionalmente, sem dúvida um grande destaque pra voltado Bêbados além de bandas de altíssimo nível como o Whisky de Segunda que estão fazendo um ótimo trabalho. Acho importante a forma com que eles trabalham. Com seriedade… não é apenas subir no palco e tocar. Existe todo um trabalho administrativo, preocupação com divulgação e com a marca da banda. Hoje em dia, com a forma fácil de divulgação do trabalho, se não fizer assim não sai do lugar.

Para você já existe uma ou mais bandas “filhas” do Bando do Velho Jack, que se embebedaram na fonte de vocês?

Vários músicos falam sobre isso com a gente. Nós fomos o “1º show ao vivo” de vários músicos. Vários que hoje já estão rodando bastante por ai.
E o que mais nos orgulha… Vários que viraram grandes amigos, tais como o Rod da banda Rivers ou o Joao Brandes da Bosstones e Barata Tonta.
E quando procuro na internet por bandas de rock e acho bandas que nem conheço, mas nos citam como influencia, sempre entro em contato e me apresento.

Isso os deixa, a princípio surpresos, mas logo viramos amigos trocamos muitas ideias.

Ter assistido o The Who nessa primeira passagem deles pelo Brasil lhe dá vontade de tocar mais uns trinta anos?

Sem dúvida. Um show vale mais que mil palavras! Hahahaha. Ver show com os papas é algo incrível, inacreditável. E melhor, em especial, este do THE WHO (em SP) o som estava perfeito.



O Bando do Velho Jack já é um expoente do Southern Rock produzido no Brasil e tenho visto um bom interesse de várias pessoas pelo país em ter vocês tocando em suas cidades. Pretendem cair na estrada?

Sem dúvida. Já estamos montando agenda. Vamos voltando aos poucos mas para o ano que vem São Paulo e Brasília já estão na rota.

Inegavelmente, O Bando do Velho Jack é a maior referencia histórica em rock and roll de Campo Grande-MS e uma das maiores do Centro-Oeste. Tentando dentro do máximo possível ver a coisa de fora, como um analisador comum, como você dimensiona o retorno da banda mais influente da região?

Difícil conseguir analisar de fora. Se já não fazíamos som da moda a 15 anos atrás muito menos agora. Todo o aspecto externo é desanimador. O público cada vez menor para o estilo apesar de termos ótimos lugares para tocar. Menos espaço na mídia. Tudo joga contra, exceto a nossa vontade, que é o que interessa.



Para finalizar, pode nos adiantar três canções que certamente estarão no setlist de amanhã e deixar uma mensagem final para o público desta quarta histórica para banda e para o rock mato-grossense-do-sul.

Com certeza teremos Trem do Pantanal com uma homenagem especial ao Geraldo Roca, Rock das Cadelas para homenagear Renato Fernandes, e Palavras Erradas. Acho que não fiz surpresa nenhuma né? hahahahaha.


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