Evolução, Planeta Terra, Natureza, Ser Humano. Todos estes, temas individuais e entremesclados, que fascinam Tuomas Holopainen, possuinte da mente pensante, propulsora e compositora do Nightwish.
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Após o profuso evolucionista álbum “Endless Forms Most Beautiful” (2015), onde mergulhado na obra literária do cientista darwinista bretão Richard Dawkins, e, notoriamente permear o prog rock dentro da atmosfera musical do Nightwish, Holopainen, agora empodera-se com tudo o que tem direito nas características pré-descritas para tecer o novíssimo “Human :||: Nature“, 9º álbum de estúdio de sua nórdica banda, cada vez mais agigantada, que chegara em dez de abril último, num momento onde as questões biológicas x humanidade estão apicais, devido ao cotidiano viral-pandêmico em que vivemos.
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“Human :||: Nature”
Subdividido em duas partes, o trabalho traz em sua primeira, 9 canções típicas da banda, mas já temperada no conceito proposto a partir do álbum antecessor, contendo maiores elaborações harmônicas e de arranjos, flertando a todo momento com o rock progressivo e o folk-erudito (que ótimo). Parte essa a qual discorrei melhor um pouco adiante.
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Na segunda parte, o folk-erudito, com nuances celtas torna-se mais intenso e totalitário, na canção única deste segmento, “All The Works Of Nature Which Adorn The World” segmentada em oito partes, todas elas instrumentais e ambientais, vez ou outra contendo vocalizaçoes da frontwoman Floor Jansen.
Este tipo de sonoridade da 2ª parte desta obra não chega a ser uma surpresa, se for considerado que Tuomas sempre a desejara, desde os tempos embrionários do grupo, quando mudara de ideia após se deparar com o tamanho potencial vocal da cantora original, Tarja Turunen. Quem conhece seu trabalho paralelo, o AURI, onde ele, o multi-instrumentista Troy Donocley e sua esposa e cantora, Johanna Kurkela navegam por uma sonoridade semelhante, também não se espantara.
Mas agora voltemos à majestosa 1ª parte do disco, onde nove estupendas e fascinantes canções contemplam os ouvidos do apreciador.
“Music” abre o álbum com direito à intro prog tibal climática, desembocando numa belíssima canção evocada pelos sintetizadores de Tuomas e o canto coralístico que a entregam para os primeiros versos cantados pela absoluta Floor Jansen, que no refrão, conclama todo a banda para tocar, com direito ao solo melódico do guitarrista Emppu Vuoriinen.
“Noise” vem a seguir trazendo o selo padrão Nightwish, com aquela formatação conhecida pelos fãs, presente em canções de todos os álbuns da banda, “as de trabalho”, tendo inclusive sendo lançada anteriormente como single e ganhando clipe próprio. O maravilhoso power-metal sinfônico, de andamento rápido e harmônico, com as imponentes bases do teclado de Tuomas, e o refrão forte, para cantar junto e bangear a cabeça, típico do grupo.
Em “Shoemaker“, Floor Jansen começa cantando, puxando o freio da cadência acelerada das canções anteriores, nesta peça esplêndida e cadenciada, onde ela divide os vocais com o multi-instrumentista e também vocalista, Troy Donocley, que fornece o seu serenado canto. As partes de Tuomas aqui também merecem todo enaltecimento. Uma das melhores canções da carreira da banda.
A bateria do estreante em estúdio com o Nightwish, Kai Hahto, ritma a aveludada e tenra canção “Harvest“, que recebera os vocais principais de Troy, que canta em tom macio, tornando a música uma delícia de se apreciar e cantar junto, além de brindar o ouvinte com um belo solo de sua gaita irlandesa.
As coisas voltam a ficar rápidas e possantes em “Pan“, embora aqui, miss Jansen a entoe maviosamente, bem como as teclas de Tuomas parecem pingos sutis na melodia, marcada pela interessante linha de baixo de Marko Hietala. E o coral a alavanca e a torna pujante novamente.
A linda “How’s The Heart?” se inicia com o tripé Troy, Floor e Marko funcionando nela perfeitamente. O primeiro com sua ímpar gaita irlandesa novamente, a segunda com sua afinadíssima voz e o terceiro com sua precisa marcação nas quatro cordas. Tudo se completa com um refrão que pega o ouvinte.
A paz pode ser encontrada nos primeiros versos entoados por Floor Jansen na tranquila linha melódica de “Procession“, canção de beleza lírico atmosférica em canto suave irrompido pela guitarra de Emppu e a bateria de Kai.
A presença de povos primitivos é transmutada em canção erudito-rústica em “Tribal“, uma espécie de “Roots“* do Nightwish.
O baixista e vocalista Marko Hietala tem seu grande momento em “Human :||: Nature” na faixa que encerra o primeiro disco, “Endlessness“, onde elegantemente destila todo o seu poder de tenor frente às bases harmônicas oriundas das teclas de Tuomas Holopainen.
Concluindo, “Human :||: Nature” traduz toda a riqueza da mente criativa de Tuomas Holopainen, que só fora possível se realizar, por este estar cercado de virtuosíssimos executores que o cercam em todos os instrumentos e aos microfones, contando ele com o canto de 3 vocalistas brilhantes.
E pensar que a turnê de divulgação desta belíssima obra estaria passando por terras brasileiras neste fim de semana próximo, com um show em São Paulo e outro no Rio. Ambos adiados para janeiro de 2021, em virtude da pandemia do COVID-19 (Coronavírus). É de se lamentar e muito, mas tudo passará e o Brasil e o mundo enfim poderão assistir as canções de “Human :||: Nature“executadas ao vivo nos palcos.
*”Roots” = faixa-título do álbum do Sepultura, lançado em 1996, que conta com elementos indigenas brasileiros.
Tracklist:
CD 1:
- 1. Music
- 2. Noise
- 3. Shoemaker
- 4. Harvest
- 5. Pan
- 6. How’s The Heart?
- 7. Procession
- 8. Tribal
- 9. Endlessness
CD 2:
- 1. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Vista
- 2. All The Works Of Nature Which Adorn The World – The Blue
- 3. All The Works Of Nature Which Adorn The World – The Green
- 4. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Moors
- 5. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Aurorae
- 6. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Quiet As The Snow
- 7. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Anthropocene (incl. “Hurrian Hymn To Nikkal”)
- 8. All The Works Of Nature Which Adorn The World – Ad Astra
A Banda:
- Tuomas Holopainen – teclado, piano, produção, gravação, mixagem
- Emppu Vuorinen – guitarra
- Marko Hietala – baixo, vocais, guitarra acústica
- Troy Donockley – gaita irlandesa, apito baixo, bouzouki, bodhrán, aerofone, guitarra, vocais
- Floor Jansen – vocais
- Kai Hahto – bateria










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