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Nick Mason, sem qualquer gigantismo, resgata a raiz e essência do Pink Floyd

O Pink Floyd, logo que idealizado e criado por Syd Barrett, ao lado de Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason, explodiu e conquistou o underground londrino e se tornara a grande atração de clubes locais, como o antológico UFO em meados dos anos 60.



A banda, já de cara se tornando a mais psicodélica do Globo, retivera as atenções de musicistas então já consagrados na cena do rock, como Eric Clapton, Pete Townshend, Mick Jagger, Paul McCartney, Ringo Star, Jimmy Page entre outros, que ou iam assisti-los ao vivo no UFO, Alexandra Palace e em outros pontos da cena cult-lisérgica de Londres, ou mesmo em sua sala de gravação no estúdios da Abbey Road, cartão postal da cidade.

Com a demissão de Syd Barrett em 1968, o guitarrista David Gilmour se tornara o senhor das seis cordas da banda e esta prosseguiu numa fase transitória do rock psicodélico ao progressivo, constantemente navegando nos dois estilos.

Nessa fase toda, entre 1965 e 1972, tanto em estúdio como ao vivo, podemos sentir uma certa atmosfera floydiana peculiar, embebida em um LSD que não precisamos necessariamente ingerir para nos sentirmos naquela época, basta ouvi-los ou assisti-los.

Um exemplo claro disto e acho que muitos fãs do Pink Floyd podem participar desta opinião, é o que percebemos no famoso filme “Pink Floyd – Live at Pompeii“, dirigido por Adrian Maben e que deu origem ao VHS e posteriormente DVD que mais representa o clima do Pink Floyd pré-“The Dark Side of the Moon“, ainda que nele contenha cenas da gravação deste, mas ainda era tudo bem intimista, sem o futuro gigantismo.que se tornaria a marca indelével da banda.



Com o estratosférico sucesso de “The Dark Side of the Moon“, era inevitável a ascensão ao gigantismo supracitado, com a sofisticação embutida em tudo o que o mainstream requer.

Foi o que se vira ao passar dos anos nas turnês de “The Wall”, “The Delicate Sound of Thuner’ (aqui já sem Roger Waters), P.U.L.S.E. e nas turnês solo de David Gilmour e Roger Waters, que separadamente, cada vez mais aumentavam seus espetáculos tecnológicos, calcados principalmente em seus discos fora do Pink Floyd e nos trabalhos pós-Dark Side do grupo, mas praticamente sepultando as canções da fase pregressa ao mainstrem, executando isoladamente uma ou outra apenas.

Ao assistirmos a apresentação da banda Saucerful of Secrets, criada este ano pelo baterista Nick Mason, para resgatar justamente esta fase esquecida da carreira do Pink Floyd, incluindo os primórdios barrettianos, a quem Mason reverencia e agradece nos shows com palavras que frisam a importância do Criador e termina com um “Thanks, Syd”, gesticulando com a mão e olhos ao alto, sentimos como se estivéssemos presenciando um show no UFO, Alexandra Palace, num show de alguma Universidade como em “Ummagumma”, ou mesmo um reboot de “Live Pompeii”, com a alegria da sensação de estarmos naquela atmosfera do underground londrino-floydiano.

Sem qualquer gigantismo, Nick Mason nos trouxe de volta à raiz e essência do Pink Floyd. E os músicos que o acompanham na Saucerful of Secrets:  Guy Pratt, Gary Kemp, Lee Harris e Dom Beken, parecem estar imersos neste espirito.



Assistir a esse show é como presenciar a criação, crescimento e o desenvolvimento de uma banda que se tornaria gigante.

Para 2019, Nick Mason declarou que a Saucerful of Secrets deverá levar esse espetáculo à América do Norte e do Sul e quiçá conte com Roger ou David em algum momento, além de considerar incluir nos setlists algumas canções pós-Dark Side.

Mas, sinceramente, ainda que não as inclua, como está já está maravilhoso. Imperdível.

Assista ao show da Saucerful Secrets em Luxemburgo, no player abaixo:



Setlist:

Interstellar Overdrive
 (1:49)
Astronomy Domine
 (7:20)
— Nick Mason Talks 
 (12:12)
Lucifer Sam (13:31)
Fearless (17:06)
Obscured by Clouds (22:30)
When You’re In  (27:40)
Arnold Layne (29:59)
Vegetable Man (33:19)
— Nick Mason Talks Again (35:48)
If (37:44)
Atom Heart Mother (39:35)
If (Reprise) (47:08)
The Nile Song (49:24)
— Guy Pratt Talks (52:59)
Green Is the Colour (54:03)
— Gary Kemp Talks (58:07)
Let There Be More Light (59:26)
— Nick Mason Talks Once Again (1:03:19)
Set the Controls for the Heart of the Sun (1:04:02)
See Emily Play (1:14:52)
Bike (1:18:04)
One of These Days (1:20:43)

Encore:

A Saucerful of Secrets (1:28:52)
— Guy Pratt Talks Again (1:37:54)
Point Me at the Sky (1:38:29)
— Nick Mason Says Goodbye (1:42:10)

A Banda:

Nick Mason – Drums
Guy Pratt – Bass and vocals
Gary Kemp – Guitar and vocals (Spandau Ballet)
Dom Beken – Keyboards
Lee Harris – Guitar (The Blockheads)

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