Música é assunto para a vida toda

PUBLICIDADE

O Adeus ao “Amen Ra” do Som: Morreu Afrika Bambaataa

gig-review-afrika-bambaataa-11

Músico tinha 67 anos e sucumbiu a um câncer

O universo da música eletrônica, do funk e da cultura de rua amanheceu mais silencioso nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026. Afrika Bambaataa, o homem que transformou a violência das gangues do Bronx em um movimento global de paz e beats hipnóticos. Ele nos deixou aos 67 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer.
Bambaataa não foi apenas um DJ; ele foi um alquimista. Se o rock progressivo explorava o cosmos através de sintetizadores europeus, Bambaataa pegou esses mesmos sintetizadores e os jogou no asfalto quente de Nova York, criando uma ponte improvável e genial entre o futurismo alemão e a alma africana.

Do Caos das Gangues à Universal Zulu Nation



Nascido Lance Taylor, o jovem que viria a ser Bambaataa foi líder dos Black Spades, uma das gangues mais temidas do Bronx nos anos 70. Mas, após uma viagem à África que mudou sua percepção sobre comunidade e ancestralidade, ele decidiu que a guerra agora seria travada nas picapes.
Em 1973, ele fundou a Universal Zulu Nation. O lema? “Peace, Unity, Love and Having Fun” (Paz, União, Amor e Diversão). Ele não estava apenas tocando discos; estava reescrevendo o DNA social de uma geração que o sistema preferia esquecer.

O Triunfo de “Planet Rock”: Quando o Kraftwerk encontrou o Gueto

Se há um momento que define a genialidade de Bambaataa para os ouvidos, é 1982. Foi o ano de “Planet Rock“.
Ao lado da Soulsonic Force, Bambaataa fez o que parecia impossível: pegou a frieza mecânica dos alemães do Kraftwerk (Trans-Europe Express e Numbers) e a fundiu com o groove visceral de James Brown. O resultado foi o nascimento do Electro-Funk. Com a icônica caixa de ritmos Roland TR-808, ele não apenas criou um hit; ele inventou a sonoridade que daria origem ao Techno, ao House, ao Freestyle e até ao nosso Funk Carioca.

Legado de Som e Sombra

Nos últimos anos, a figura de Bambaataa foi cercada por controvérsias e graves acusações que mancharam sua trajetória pessoal, mas sua importância histórica para a música popular é incontornável. Ele foi o “Master of Records”, o arqueólogo do vinil que conseguia transformar um riff obscuro de rock em uma explosão de dança.

​Ele esteve no Brasil diversas vezes, sempre demonstrando um carinho profundo pelo “tamborzão” e pela batida que vinha das nossas periferias, reconhecendo nelas a mesma energia que ele ajudou a libertar no Bronx décadas antes.



PUBLICIDADE

Assuntos
Compartilhe
Comentários

Deixe uma resposta

PUBLICIDADE

Veja também...

PUBLICIDADE

Descubra mais sobre Confraria Floydstock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading