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Morreu Jamie Muir, ex-percussionista do King Crimson

Músico tinha 82 anos de idade

Jamie Muir, o lendário percussionista do King Crimson conhecido por sua abordagem única e experimental, faleceu no dia 17 de fevereiro de 2025, aos 82 anos, em Cornwall, no Reino Unido. A notícia foi confirmada por Bill Bruford, ex-baterista do King Crimson, que compartilhou uma emocionante homenagem ao colega em sua página no Facebook.



Muir, que integrou o King Crimson durante a gravação do icônico álbum Larks’ Tongues in Aspic (1973), deixou uma marca indelével na música com sua percussão inovadora e sua presença de palco carismática. Bruford descreveu Muir como um homem “artístico e gentil”, cuja influência foi profunda, tanto profissional quanto pessoalmente.

Ele teve um efeito vulcânico em mim, uma influência que ainda lembro meio século depois

Nascido em Edimburgo, em novembro de 1942, Muir começou sua carreira musical no jazz, inspirado por nomes como Tony Williams e Pharoah Sanders. Sua jornada o levou a Londres, onde colaborou com artistas como o coreógrafo Lindsay Kemp e integrou bandas de jazz experimental, como o Music Improvisation Company. Sua abordagem única à percussão, que incluía o uso de objetos do cotidiano como chocalhos, sinos, gongos e até latas, chamou a atenção de Robert Fripp, líder do King Crimson, que o convidou para se juntar à banda em 1972.

No King Crimson, Muir se destacou por sua energia selvagem e performances teatrais. Ele era conhecido por subir nos alto-falantes durante os shows, vestindo um casaco de pele de lobo e simulando sangramento na boca, enquanto arremessava correntes pelo palco. Sua contribuição para Larks’ Tongues in Aspic foi fundamental, e lendas dizem que foi ele quem sugeriu o título do álbum, comparando a música a “Larks’ Tongues in Aspic“.

Após o lançamento do álbum, Muir surpreendeu a todos ao deixar a banda abruptamente para se tornar um monge budista no Mosteiro Samye Ling, na Escócia. Em entrevistas, ele explicou que a decisão foi motivada por experiências pessoais que o levaram a buscar um caminho espiritual.

Senti que tinha que fazer isso, ou seria uma fonte de profundo arrependimento pelo resto da minha vida.



Apesar de sua partida precoce do King Crimson, Muir continuou a influenciar outros músicos. Jon Anderson, vocalista do Yes, creditou a Muir uma conversa que o levou a ler Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, um livro que mudou sua vida.

Jamie foi como um mensageiro para mim.

Muir retornou à música na década de 1980, colaborando com artistas como Derek Bailey e Evan Parker, além de trabalhar com o ex-baterista do King Crimson, Michael Giles, na trilha sonora do filme independente Ghost Dance (1983). No entanto, na década de 1990, ele deixou a música para se dedicar à pintura, disciplina que praticou até o fim de sua vida.

A morte de Jamie Muir marca o fim de uma era para os fãs do King Crimson e da música experimental. Sua contribuição única e sua busca incessante por significado e expressão artística continuarão a inspirar gerações de músicos e ouvintes. Como escreveu Bruford em sua homenagem:

Ele era um ser humano belo e será muito sentido. Adeus, Jamie.

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