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Milton Nascimento processa Cruzeiro por uso indevido de sua música

Milton-Nascimento
Milton Nascimento

Cantor e compositor, torcedor do clube, o está processando pelo uso de “Clube da Esquina nº 2” sem a devida autorização.

Milton Nascimento está movendo uma ação judicial contra o Cruzeiro Esporte Clube, juntamente com Lô Borges, Márcio Borges e a gravadora Sony Music. A acusação é o uso não autorizado da músicaClube da Esquina nº 2“.



A canção, um clássico da MPB, foi utilizada em um vídeo publicado nas redes sociais do clube. A peça anunciava a contratação do atacante Gabriel Barbosa, o Gabigol, na virada de 1º de janeiro de 2025.

De acordo com a coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, os autores da obra alegam violação de direitos autorais. Eles solicitam indenização pelo uso indevido da música. A gravadora Sony pede reparação por danos materiais. Cada compositor requer o pagamento de R$ 50 mil por danos morais.

O processo foi aberto na 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Apesar de Milton Nascimento ser um torcedor histórico do Cruzeiro, os artistas reforçam que o clube agiu sem qualquer pedido de autorização prévia. Segundo eles, essa conduta fere a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998).

Em resposta, a diretoria do Cruzeiro afirmou a Justiça não citou formalmente o clube. A instituição informou que recebeu apenas uma notificação extrajudicial há cerca de seis meses sobre o caso. O clube se defende alegando que apenas compartilhou, em formato “collab“, um vídeo originalmente postado pelo próprio jogador Gabigol. Essa publicação utilizava uma trilha sonora disponibilizada pela biblioteca musical do Instagram, com os devidos créditos aos autores durante a exibição.



Segundo o Cruzeiro, a intenção ao compartilhar o conteúdo foi apenas editorial, como uma homenagem ao artista Milton Nascimento. O clube sustenta que não houve objetivo comercial nem qualquer edição que caracterizasse exploração indevida da obra musical.

Manifestação de Milton Nascimento

Diante da repercussão do caso, a equipe de Milton Nascimento divulgou uma nota oficial nas redes sociais no domingo (3). O comunicado tinha o objetivo de esclarecer os motivos da ação judicial.

No comunicado, o cantor classificou o processo como uma “ação legítima” para defender seu trabalho. Ele enfatizou que utilizaram a obra sem autorização prévia em uma campanha publicitária do clube.

A nota destaca que não houve qualquer solicitação de licença ou tentativa de diálogo prévio por parte do Cruzeiro. Essa conduta configuraria infração à legislação de direitos autorais.



O texto do artista também rebate críticas e ataques pessoais dirigidos a ele após a divulgação do processo. Muitos comentários negativos surgiram nas redes, inclusive ofensas de cunho etário contra o cantor de 86 anos.

A equipe de Milton lamentou o “ódio destilado” propagado online e reforçou que a internet “não é terra sem lei“. O comunicado indica que comentários ofensivos e criminosos estão sendo identificados e poderão ser alvos de medidas legais.

Milton Nascimento enfatiza que a iniciativa não se trata de uma briga por dinheiro. É uma questão de princípios e de respeito à arte.

O comunicado traz uma analogia para ilustrar o ponto: “Música é trabalho, é sustento“, afirma a nota. O texto compara o uso não autorizado de uma canção à atitude de pegar produtos em um supermercado sem pagar.



O comunicado argumenta que, assim como um jogador de futebol é remunerado por seu ofício, compositores e músicos também têm direitos sobre suas obras. Eles têm o poder de decidir quando, como e quem pode utilizar suas músicas.

Mesmo sendo um apaixonado pelo Cruzeiro, Milton ressalta que é preciso separar a paixão clubística do aspecto profissional. O clube, enquanto instituição que visa ao lucro, deve respeitar os direitos autorais como forma de valorizar a profissão artística.

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