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Led Zeppelin: há 45 anos era findada a investigação que definiu a causa da morte de John Bonham

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John Bonham

Baterista ingeriu 40 doses de vodca na véspera. Tragédia culminaria no fim da banda, oficializado 2 meses depois.

Em 25 de setembro de 1980, o mundo da música perdia John “Bonzo” Bonham, lendário baterista do Led Zeppelin, aos 32 anos de idade. Brilhando por sua técnica explosiva e potência única na bateria, Bonham foi peça fundamental na sonoridade do Led Zeppelin. Ele, um dos maiores bateristas da história do rock, de acordo com grande parte da crítica e público. Sua morte repentina não apenas chocou fãs e músicos, como também marcou o princípio do fim de uma das bandas mais bem-sucedidas dos anos 1970. Para além de seu talento, Bonham tinha forte vínculo com a família e os colegas de banda. A ruptura de tais laços deixaria uma lacuna profunda no mundo do rock.

Os eventos que antecederam a tragédia

Nos dias que antecederam a tragédia, Bonham participava dos preparativos para a próxima turnê norte-americana do Led Zeppelin. Essa seria a primeira desde 1977, prevista para começar em outubro de 1980. Ele havia deixado sua casa em Worcestershire no dia 24 de setembro para encontrar os outros integrantes nos estúdios de ensaio em Bray, Inglaterra. Durante a viagem, Bonham consumiu vodca misturada com suco de laranja. Após a sessão de ensaio, seguiu com a banda para a casa do guitarrista Jimmy Page, em Windsor, onde continuou bebendo excessivamente. Estimativas posteriores indicam que, entre o meio-dia do dia 24 e a madrugada do dia 25, o baterista ingeriu cerca de 40 doses de vodca (aproximadamente entre 1 e 1,4 litro da bebida) nesse intervalo, uma quantidade extremamente alta, muito acima do recomendável.

Na madrugada do dia 25 de setembro, após encerrar os ensaios, Bonham adormeceu na casa de Page. Um assistente o colocou em uma cama, posicionando-o de lado e amparado por travesseiros. Seria uma tentativa de evitar problemas caso ele passasse mal durante o sono. Infelizmente, essa precaução não foi suficiente. Por volta das 13h45 daquela quinta-feira, o técnico de som Benji LeFevre e o baixista John Paul Jones foram verificar Bonham. Eles o encontraram inconsciente, já sem sinais vitais. Imediatamente chamaram um médico, que apenas pôde confirmar oficialmente o falecimento do músico.

Investigação, autópsia e causa da morte

A morte de John Bonham gerou enorme comoção e imediata especulação da mídia. Diante da tragédia súbita, muitos se perguntavam o que de fato ocorrera, inclusive levantando hipóteses sobre abuso de drogas. As autoridades abriram investigação e um inquérito oficial para esclarecer as circunstâncias do falecimento. No dia 7 de outubro de 1980, há exatos 45 anos, as investigações se findaram, e o veredicto final apontou que a morte foi acidental. A autópsia revelou que Bonham faleceu por asfixia ao inalar seu próprio vômito enquanto dormia, consequência direta de seu alto grau de embriaguez na noite anterior. Testes toxicológicos não encontraram nenhuma substância ilícita em seu organismo, nenhuma droga foi detectada, apenas álcool em quantidades fatais. Em outras palavras, a causa mortis oficial registrada foi asfixia provocada pelo consumo excessivo de álcool, caracterizando morte acidental por broncoaspiração.

Os detalhes da morte de John Bonham

Os detalhes revelados pelo inquérito foram estarrecedores. Conforme apurado, Bonham havia consumido o equivalente a 40 doses de vodca nas 24 horas anteriores à sua morte. Esse nível de consumo o levou a um estado de profunda intoxicação alcoólica (alcoolismo agudo), tornando-o incapaz de responder reflexivamente ao vomitar. Assim, durante o sono, o conteúdo gástrico foi aspirado para os pulmões, causando sufocamento. O legista de Berkshire, na Inglaterra, classificou o caso como “morte acidental”, atribuída unicamente aos efeitos do álcool, conforme reportou a imprensa à época, esclarecendo de vez os boatos sobre possíveis outros fatores:

Na autópsia foi revelado que o baterista morreu por asfixia. O músico engasgou com o próprio vômito depois de consumir o equivalente a 40 doses de vodka.

Apesar do teor trágico, membros próximos à banda enfatizaram que não houve nenhum elemento de intencionalidade ou comportamento autodestrutivo deliberado naquela noite, tratou-se de um acidente infeliz. O próprio baixista John Paul Jones desabafou sobre a perda do amigo e colega:

Ele morreu por causa de um acidente… Ele estava deitado do jeito errado, algo que poderia acontecer com qualquer um que bebesse muito.

Essa conclusão trouxe um pouco de alívio aos entes queridos, ao menos no sentido de encerrar especulações e honrar a memória de Bonham sem estigmas infundados.

Tristeza, saudade de casa e o estado de espírito de Bonham

Para aqueles que conviviam com John Bonham, sua morte, embora chocante, não foi totalmente desconectada de um contexto pessoal difícil. Amigos e familiares relatavam que Bonzo vinha se mostrando cada vez mais triste e abatido nos meses finais, sofrendo com a distância de casa e morrendo de saudade da família, especialmente do filho Jason, então com apenas 14 anos de idade. A perspectiva de encarar mais uma longa turnê parecia pesar em seu ânimo. O baterista, conhecido por ser um homem caseiro e dedicado aos seus, detestava ficar longe do lar: Bonham odiava viajar de avião, e as intermináveis excursões do Led Zeppelin pelo mundo tornaram-se para ele um fardo que minava sua resistência física e sua confiança ao longo dos anos.

O vocalista Robert Plant chegou a revelar detalhes do comportamento de Bonham no dia de seu último ensaio, evidenciando o estado emocional frágil do amigo.

No último dia de vida dele, enquanto dirigíamos para o ensaio, ele não estava tão feliz quanto poderia. Ele disse: ‘Estou farto de tocar bateria. Todo mundo toca melhor do que eu.’ […] E completou, ‘Quer saber? Quando chegarmos ao ensaio, você toca a bateria e eu canto.’ E esse acabou sendo nosso último ensaio juntos.

Esses relatos reforçam que Bonham enfrentava inseguranças e cansaço mental. A pressão de manter o posto de baterista da “maior banda de rock do mundo” vinha acompanhada de estresse, saudade e hábitos nocivos, um combo perigoso que culminou na tragédia acidental daquela noite fatídica.

Consequências imediatas e o fim do Led Zeppelin

A morte de John Bonham teve consequências avassaladoras e imediatas. A turnê pelos EUA que o grupo estava prestes a iniciar foi cancelada assim que a notícia se espalhou. Nos dias e semanas seguintes, multiplicaram-se rumores na imprensa sobre uma possível substituição de Bonham e continuidade da banda com um novo baterista. Entretanto, os três integrantes remanescentes, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, logo deixaram claro que a posição de Bonzo era insubstituível. Eles preferiram não seguir adiante sem o amigo cuja presença constituía o coração rítmico do Led Zeppelin.

Dois meses após a tragédia, em 4 de dezembro de 1980, o Led Zeppelin anunciou oficialmente seu fim. A declaração veio por meio de um comunicado de imprensa sucinto e emotivo, divulgado pelo selo Swan Song (gravadora da banda). Nele, os músicos expressaram que não poderiam continuar sem Bonham:

Desejamos comunicar que a perda de nosso querido amigo e o profundo respeito que temos por sua família, juntamente com o sentimento de harmonia indivisa sentido por nós e por nosso empresário, nos levaram a decidir que não poderíamos continuar como estávamos.

Com essas palavras, formalizava-se o encerramento de uma era. O Led Zeppelin, que já havia revolucionado o rock em apenas 12 anos de carreira (1968–1980), chegava ao fim marcado pela ausência de seu “motor” insubstituível.

A decisão de encerrar a banda foi recebida com tristeza pelos fãs, mas também com compreensão e respeito. Ficara evidente que “não existe Led Zeppelin sem John Bonham”, como resumiu o vocalista Robert Plant anos depois. A profunda ligação pessoal e musical entre os membros era a essência do grupo, e seguir em frente seria inviável sem a poderosa batida de Bonzo nos palcos e estúdios. Assim, ao perder John Bonham, o Led Zeppelin se despediu dos fãs deixando um legado brilhante, e um visível vazio no mundo do rock com o qual admiradores e colegas de profissão precisaram conviver dali em diante.

Legado de John Bonham e tributos

Mesmo passadas décadas, John Bonham permanece como uma referência absoluta na música. Seu estilo influenciou gerações de bateristas: nomes como Neil Peart (Rush), Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters) e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) sempre citaram Bonham entre suas maiores inspirações. Em 2016, a revista Rolling Stone o elegeu o maior baterista de todos os tempos, reconhecimento que reforça a magnitude de sua contribuição para o rock. Sua técnica aliava potência, velocidade e precisão rítmica raras, perceptíveis em clássicos do Zeppelin como “Moby Dick”, famosa peça de solo de bateria e tantos outros sucessos.

Após a perda de Bonzo, seus colegas de banda seguiram caminhos distintos, reunindo-se esporadicamente para homenagens. Em 2007, por exemplo, os membros remanescentes do Led Zeppelin voltaram a tocar juntos em um concerto único em Londres, tendo Jason Bonham (filho de John, também baterista) na bateria, um tributo emocionante ao legado do pai. Jason, que era praticamente ainda uma criança na época da morte do pai, cresceu seguindo seus passos musicais, mantendo vivo o sobrenome Bonham no mundo do rock.

Sepultamento, homenagens e relevância eterna do baterista do Led Zeppelin

John Bonham foi sepultado em 10 de outubro de 1980 em Rushock, sua terra natal em Worcestershire, sob forte comoção. Participaram de seu funeral cerca de 250 pessoas, entre familiares, amigos e grandes nomes da música, a exemplo de Paul McCartney, Jeff Lynne, Carmine Appice, Phil Collins e outros bateristas famosos que prestaram condolências. As homenagens se multiplicaram, vindas de todos os cantos do cenário musical. Ficava evidente que a influência de Bonham transcendeu sua vida: suas batidas poderosas e grooves marcantes tornaram-se parte da própria identidade do rock.

Quarenta e cinco anos após o encerramento das investigações que elucidaram a causa de sua morte, John Bonham continua lembrado com saudade e reverência. Sua história serve de alerta sobre os excessos do estilo de vida rock’n’roll, mas também eterniza a imagem de um músico brilhante cujo talento fenomenal jamais será esquecido. E embora o Led Zeppelin tenha chegado ao fim com sua partida, a música deixada por Bonzo segue ressoando, imortal, uma herança sonora que inspira e emociona sucessivas gerações de fãs. O show pode ter terminado, mas o ritmo inconfundível de John Bonham permanece vivo na história do rock.

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