Um jovem prodígio escreve um poema narrando as aventuras e sobretudo desventuras do ato de envelhecer.
Este é Gerald Bostock. Real? Fantasia? Vai saber.
Ao menos na mente criativa de um dos mais brilhantes artistas e musicistas do século XX, o inigualável Ian Anderson, o garoto Gerald Bostock ganhou vida e esta virou uma verdadeira obra de arte sonora em 42 minutos de duração: o quinto álbum de estúdio do Jethro Tull, o conceitual “Thick As A Brick“, que sucedera o muito aclamado “Aqualung“.
“Thick As A Brick“, lançado em março de 1972, trouxe algo inédito para a época: era um disco todo ele de uma única música, a faixa-título, somente dividida em duas partes em virtude do LP não caber todo seu conteúdo num lado só.
A qualidade e a inspiração criativa já começou pela capa que parodiava os principais tablóides bretões, contendo falsas imagens, notícias e manchetes.
Mas e a música?
Era um perfeita combinação melodia-letra com o poema de Bostock tão bem cantado por Ian Anderson e executada magistralmente pelos músicos Martin Barré na guitarra (fantástico), Jeffrey Hammond no baixo, John Evan no cravo, orgão e piano (esplêndido), Barriemore Barlow na bateria e percussão (muito bom), além do próprio Anderson que tocou sua famosa flauta e também violino, violão, saxofone e trompete, esse é essencialmente completo.
A canção se desenvolve em uma atmosfera plenamente teatralizada, com diversas nuances de andamento, navegando entre o folk, um toque celta e o mais belo rock progressivo, repleto de momentos virtuosos dos cinco membros dessa solene formação do Jethro Tull.
O disco arrebatou a América e conquistou o primeiro lugar na parada estadunidense.
No seu vigésimo-quinto aniversário, “Thick As A Brick” ganhou uma edição comemorativa em CD, contendo além das duas faixas que compunham toda a faixa-título original, uma versão ao vivo no concerto no Madison Square Garden em 1978 e uma entrevista com o líder Ian Anderson.
Em 2012, Ian Anderson lançou uma continuação, o álbum “Thick As A brick 2”, quarenta anos depois, sendo uma exceção àquela velha regra que continuações são bem abaixo de sua origem.
Dois anos depois ele e sua banda, acompanhados pelo ator e cantor britânico Ryan O’Donnell que encarnou o papel do mancebo Bostock, dão vida ao espetáculo que gerou o CD/DVD “Thick As A Brick – Live In Iceland”, executando ambos os álbuns na íntegra, indispensável à coleção de quem gosta de música de primeiríssima qualidade.
Somente uma obra-prima como esta poderia render tantos desdobramentos artísticos ao longo de seus 45 anos de lançamento e permanecer atual e nunca se esgotar.
LETRA E TRADUÇÃO DE “THICK AS A BRICK”
Tracklist (DeLuxe Edition – 25th Anniversary:
- “Thick as a Brick”
- “Thick as a Brick”
- “Thick as a Brick” (ao vivo no Madison Square Garden, 1978)
- “Entrevista com Ian Anderson, Martin Barre e Jeffrey Hammond-Hammond”
A Banda (1972):
- Ian Anderson: vocais, violão, flauta, violino, saxofone, trompete
- Martin Barre: guitarra, alaúde
- John Evan: piano, órgão, cravo
- Jeffrey Hammond (como “Jeffrey Hammond-Hammond”): baixo, vocais
- Barriemore Barlow: bateria, percussão, tímpanos
Tracklist – “Thick As A Brick 2“
- From a Pebble Thrown
- Medley: Pebbles
- Medley: Upper Sixth Loan Shark / Banker Bets, Banker Wins
- Swing It Far
- Adrift and Dumfounded
- Old School Song
- Wootton Bassett Town
- Medley: Power and Spirit / Give Till It Hurts
- Medley: Cosy Corner / Shunt and Shuffle
- A Change of Horses
- Confessional
- Kismet in Suburbia
- What-ifs, Maybes And Might-Have-Beens
A Banda (2012):
- Ian Anderson: vocal, flauta, violão
- Florian Opahle: guitarra elétrica
- Scott Hammond: bateria, percussão
- John O’Hara: piano, órgão Hammond, acordeão
- David Goodier: baixo
- Ryan O’Donnell: vocal
- Pete Judge : trompete, flugelhorn, saxhorn, tuba










