Artista comentou em longa carta os entreveros da sua passagem pela banda multinacional.
A cantora brasileira Isa Roddy, conhecida por interpretar a personagem Lilith na banda multinacional Dogma, tornou pública uma longa carta na qual explica, em detalhes, sua relação com o grupo. No depoimento, a artista afirma ter tido participação central na construção estética e musical do projeto, mas relata conflitos envolvendo questões contratuais, uso de sua imagem e voz, além da ausência de retorno financeiro por seu trabalho.
Primeira Lilith e construção da identidade da Dogma
Na carta, Isa Roddy lembra que foi a primeira vocalista do projeto e que esteve diretamente envolvida na criação da identidade artística apresentada ao público naquele período. Segundo a artista, ela contribuiu com linhas vocais, ideias criativas e elementos estéticos fundamentais para moldar a primeira encarnação da personagem Lilith, figura central no conceito da Dogma.
A cantora destaca que acreditou no potencial da proposta e, por isso, investiu tempo, dedicação e recursos financeiros próprios, valores que, de acordo com seu relato, nunca foram ressarcidos. Ao longo de aproximadamente dois anos e meio, Isa afirma ter atuado intensamente na construção do conceito, na gravação de materiais audiovisuais e na consolidação da imagem do projeto junto ao público de heavy metal e hard rock.
Com o passar do tempo, no entanto, o ambiente profissional teria deixado de corresponder às expectativas da artista. Ela relata que as condições de trabalho e as perspectivas de carreira já não estavam alinhadas à sua visão, o que a levou a encerrar oficialmente sua participação na Dogma em meados de 2022.
Contrato, remuneração e uso da voz
Isa Roddy relata que, quando a questão contratual foi apresentada, foi informada de que o documento disponível seria um contrato de “músico de sessão”, voltado apenas para apresentações ao vivo – shows que, segundo ela, nunca chegaram a acontecer com sua participação. Dessa forma, apesar de toda a atuação criativa, vocal e conceitual, a artista afirma que não recebeu remuneração pelo trabalho realizado.
A cantora também destaca que suas gravações passaram a ser utilizadas em diversos materiais sem autorização específica para uso posterior. Mesmo após sua saída, partes de sua voz teriam continuado presentes em músicas executadas ao vivo e em conteúdos disponibilizados pela banda. Entre as faixas citadas por Isa estão “Father I Have Sinned” (growls e backing vocals), “My First Peak” (backing vocals e vocalizações), “Forbidden Zone” (backings), “The Dark Messiah” (backings, screams e coral final), “Free Yourself” (screams) e “Pleasure From Pain” (screams).
Outro ponto levantado é a continuidade da comercialização da máscara usada pela personagem, que, segundo a cantora, foi moldada a partir de seu rosto na época em que atuava diretamente na construção visual do projeto.
EP inédito, videoclipes e identidade artística
No depoimento, Isa Roddy afirma ainda ter gravado vocais completos para um EP que nunca foi oficialmente lançado, mas que permaneceria acessível ao público em buscas simples na internet. Ela também menciona os vídeos de “My First Peak” e “Forbidden Zone”, que, de acordo com sua narrativa, foram publicados com sua performance visual integral, porém com outra voz colocada por cima no lançamento, sem sua autorização prévia.
A artista reforça que os vocais registrados durante sua passagem pelo grupo fazem parte de sua identidade e seguem com ela. Isa afirma que a mesma força, técnica e versatilidade demonstradas naquele material estarão presentes em seu projeto solo, agora desenvolvido sob condições que considera compatíveis com liberdade artística e responsabilidade profissional. Portais especializados em rock e metal repercutiram o depoimento, destacando o teor honesto e detalhado do relato da cantora sobre os bastidores da Dogma.
Nova fase na Alemanha e carreira solo
Isa Roddy aponta sua mudança para a Alemanha, em 2021, como um ponto decisivo de amadurecimento pessoal e profissional. Residente em Nuremberg, a artista relata que passou a ter contato com profissionais experientes da indústria musical, aprofundando-se em temas como contratos, direitos autorais e proteção de imagem e voz. Esse processo teria confirmado, segundo ela, a necessidade de encerrar sua participação na Dogma.
Em sua carta, Isa destaca que tudo o que foi construído na fase inicial da personagem Lilith carrega sua entrega, estudo e expressão criativa. Porém, enfatiza que, acima de qualquer personagem, está a artista que deseja mostrar “seu próprio rosto, sua própria voz e sua própria verdade, sem máscaras e sem anonimato”. Ela afirma estar iniciando uma nova etapa de carreira, com foco em trabalhos autorais e em um projeto solo alinhado às suas convicções.
Nascida em Curitiba, Isa Roddy começou a despontar ainda na adolescência, participando de concursos, recebendo prêmios e realizando apresentações em espaços culturais da cidade. Com o tempo, ampliou sua presença nas redes sociais, publicando vídeos e conteúdos musicais em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, o que ajudou a projetar sua imagem no cenário do rock e do metal.
Atualmente, Isa segue trabalhando com música, compondo e gravando materiais autorais. Seu depoimento completo foi publicado no Instagram, onde a artista reúne seguidores de diferentes partes do mundo. Quem quiser acompanhar os próximos passos da cantora pode seguir o perfil @isaroddy, canal oficial em que ela divulga novidades de sua trajetória.









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