Embora o Blue Cheer tenha dado um pontapé mais certeiro para o surgimento do
rock pesado (genericamente falando), tanto visualmente quanto sonoramente, com
sua tosca obra-prima Vincebus Eruptum, uma pérola de peso e distorção gravada
no mesmo ano que este disco do Iron Butterfly, é certo também que In-A-Gadda-Da-Vida
tem seu lugar nessa gênese.
O que se tem em In-a-Gadda-da-Vida é um passo além do som já pesado que
inúmeras bandas de San Francisco e da Costa Oeste americana estavam fazendo
naquela época, em algo mais elaborado musicalmente, com a destreza musical e
jazzística de seus integrantes.
Em seus shows, regados a torres de Marshalls e Fenders, atraíram a atenção de
grupos como Yes e The Moody Blues, conseguindo idealizar e elaborar um som
único, inédito para o final dos anos 60, e admirado por gente como Janis Joplin
e Jimi Hendrix.
Por aqui rola uma “estória viajada” de que o Iron Butterfly teria escrito a faixa-título
após uma viagem ao Brasil, e que aqui, após inúmeras festas bem loucas, na
tentativa de musicar a “temporada”, erraram ao tentar reproduzir a expressão que
retratava aquilo por que eles haviam passado: assim, “na gandaia da vida” virou
“in-a-gadda-da-vida”. Ah, vá?! – um fake sixties, do túnel do tempo, digamos…
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=UIVe-rZBcm4%5D
Na real, Doug Ingle e Lee Dorman (baixo), após construírem uma pequena
estrutura rítmica em cima de um riff grudento que eles haviam bolado com o
baterista Ron Bushy, partiram para digressões cheias de improviso, intercalando
este fio principal, que conduziria toda a música e estaria indo e voltando entre
vários solos.
O jovem e exímio guitarrista de apenas 18 anos, Erik Brann, que
estava no grupo na época, ouviu e gostou da coisa, criando na hora uma série de
solos lancinantes em sua Fender Stratocaster, acompanhando os momentos solos
em que a música fugiria da sua parte principal. Diante de uma canção tão longa,
repleta de intermezzos, em que o riff condutor era sinistro, para dar vazão logo
depois a longas guitarradas viajantes e paradisíacas, cheias de LSD, Doug
resolveu escrever uma letra simples, mas bem estranha, sobre estar “no Jardim do
Éden” (In the Garden of Eden), referindo-se à relação psicótica com uma certa
garota que ele conhecera como algo que ia do céu ao inferno.
muito animado de latinos que freqüentava o Gazzarri’s, em L.A., casa onde
tocavam, Doug fez o trocadilho para “In-a-Gadda-da-Vida“, expressão intraduzível
e sem sentido, mas cuja força encaixava-se perfeitamente no som da música.
E salve as origens toscas do rock pesado…








