Talvez o grande e maior legado da contracultura norte-americana, traduzida em uma só obra, a peça musical HAIR revolucionou a segunda metade da década de sessenta, mapeando para o mundo a realidade em que se consistia toda a cultura hippie que se arvorava contra a Guerra do Vietnã, pregando através da música, dança, drogas, liberdade de expressão, pensamento e sexual uma mobilização da população contra o conflito armado equivocado.
Em 17 de outubro de 1967 HAIR, escrita por James Rado e Gerome Ragni com músicas de Galt MacDermot e “chocando” pelo nú explícito, entrava em cartaz no Off Broadway (circuito de teatros menores) antes de chegar à gigante do teatro nova-iorquino.
HAIR narra a história de Claude, um jovem entusiasta que se propõe a deixar esu pacato lar no interior para rumar para Nova Iorque onde voluntariamente se alistaria no exército, para lutar pelos EUA contra o Vietnã.
Porém na chegada conhece a trupe hippie de Berger e a jovem burguesa Sheila que o encantam e lhe mostram um outro lado da vida, regada à leveza, drogas, álcool, música, liberdade, paixão, amor e busca pela paz, louvando o início da Era de Aquário.
O musical fora um marco positivo para muitos à época e logicamente negativos para conservadores e belicistas do sistema americano nos EUA e fora dele.
HAIR ganhou dezenas de remontagens pelo mundo, inclusive no Brasil em 1969, marcando a estreia de Sônia Braga, então com 18 anos de idade.
Mais de uma década depois, em 1979, o tcheco Milos Forman adaptou o musical para as telas de cinema, já tendo os EUA perdido a guerra contra o Vietnã.
A película fora vencedora do Globo de Ouro em 1980 e protagonizada por John Savage, Treat Willians e Beverly D’angelo e trazia interpretações musicais espetaculares e marcantes tais como a inicial “Aquarius“, “Sodomy“, “I Got Life“, “Easy to Be Hard“, “Black Boys/White Boys“, “Walking in Space“, “Good Morning Starshine” e “Let the Sunshine In“.
Concluindo: Assista HAIR para ontem e tenha uma esclarecedora noção do que foram os doces e ácidos tempos sessentistas, certamente a década que mais mudara o mundo no século XX, inclusive musicalmente.
Sem HAIR, provavelmente este blog e toda a formação cultural deste que vos escreve simplesmente não existiria.
As canções:
Ato I
“Aquarius”
“Donna”
“Hashish”
“Sodomy”
“I’m Black/Colored Spade”
“Manchester England”
“Ain’t Got No”
“I Believe in Love”
“Air”
“Initials (L.B.J.)”
“I Got Life”
“Going Down”
“Hair”
“Easy to Be Hard”
“Don’t Put It Down”
“Frank Mills”
“Be-In”
“Where Do I Go”
Ato II
“Electric Blues”
“Black Boys”
“White Boys”
“Walking in Space”
“Yes, I’s Finished/Abie Baby”
“Three-Five-Zero-Zero”
“What a Piece of Work Is Man”
“Good Morning Starshine”
“The Bed”
“Aquarius” – (repetição)
“Manchester England” (repetição)
“Eyes Look Your Last”
“The Flesh Failures”
“Let the Sunshine In”
Assista a dois momentos emblemáticos do filme nos players abaixo:











