“Eles duraram sete anos; nós duramos cinquenta e dois“, disse o baixista
Em uma recente entrevista com Michael Franzese, Gene Simmons, baixista e vocalista do KISS, refletiu sobre a longevidade da banda e celebrou seu impressionante legado de mais de cinco décadas. Comparando o percurso do KISS com o dos Beatles, Simmons destacou com orgulho a resistência e a capacidade de reinvenção de seu grupo: “Os Beatles duraram sete anos. Nós duramos cinquenta e dois.”
Na conversa, Simmons revisitou as origens do KISS, descrevendo como uma combinação perfeita de talento, timing e audácia lançou a banda de um anonimato inicial ao estrelato do rock. Ele comparou esse momento de criação a um alinhamento cósmico, algo raro e extraordinário.
“Os cientistas falam sobre singularidade, algo que ocorre ocasionalmente, quando os planetas se alinham e o momento certo encontra o lugar certo. Foi isso que aconteceu conosco no início.”
O baixista destacou o encontro com Paul Stanley como um desses momentos decisivos.
“A primeira coisa certa no lugar e momento certos foi quando conheci Paul Stanley, meu parceiro. Ele sabia coisas que eu não sabia, e eu, segundo ele, sabia coisas que ele não sabia. Juntos, decidimos montar a banda que nunca vimos no palco.“
A visão singular do KISS
Desde o início, o KISS tinha uma abordagem única: combinar música marcante com um visual icônico que cativasse o público. Simmons apontou que a inspiração veio de bandas como The Who, Jimi Hendrix e os próprios Beatles. No entanto, ele enfatizou que o KISS foi além, criando uma identidade visual tão forte quanto sua música.
“Queríamos que as músicas fossem memoráveis, mas percebemos que as bandas que admirávamos tinham algo visual único. Feche os olhos e você ainda pode vê-las. Muitas bandas boas, como o Foreigner, tinham sucessos, mas você não conseguia imaginar quem estava no palco. Nós queríamos que os visuais fossem parte do pacote, e não sabíamos que isso se tornaria uma indústria de bilhões de dólares.“
Essa abordagem inovadora resultou em uma marca poderosa, que transcendeu a música. Simmons brincou sobre o alcance da franquia KISS:
“Desde caixões do KISS até camisinhas do KISS; nós te acompanhamos do início ao fim.“
Superando o teste do tempo
Outro ponto importante na longevidade da banda foi a escolha dos integrantes. Simmons relembrou o momento em que ele e Paul recrutaram Ace Frehley e Peter Criss, destacando como cada membro contribuiu para a identidade única do grupo.
“Peter tinha a voz e o espírito certos. Quando o vimos cantando Wilson Pickett em um clube pequeno, soubemos que ele era a escolha certa.”
Ainda assim, Simmons reconheceu que a durabilidade de uma banda depende de fatores além do talento.
“Nem todo mundo tem a resistência para correr uma maratona. Existem bandas que estão mais preparadas para uma corrida curta, e é por isso que poucas duram muito tempo.“
Ele ressaltou que a capacidade de adaptação e perseverança do KISS foi um diferencial que os manteve relevantes por mais de meio século, mesmo enfrentando mudanças na formação ao longo dos anos.
Um legado incomparável
Comemorando os 52 anos do KISS, Gene Simmons reforçou a ideia de que a longevidade da banda é um marco raro na história do rock.
“Os Beatles foram incríveis, mas duraram sete anos. O KISS está aqui há 52, e seguimos fazendo história.”
A entrevista não apenas reafirma o orgulho de Simmons pelo legado da banda, mas também destaca como o KISS conseguiu transcender os limites da música e se tornar um verdadeiro ícone cultural, cuja influência continua a impactar gerações.
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