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“Freak Out!”, a estreia de Frank Zappa e Mothers of Invention

E lá se vão 50 anos de “Freak Out!”, a absurda estreia dos Mothers of Invention, lançado em 27 de junho de 1966, conhecido como um dos primeiros álbuns conceituais: uma farsa sarcástica sobre o Rock e a América. “Todas as canções eram sobre algo“, escreveu Zappa no “The Real Frank Zappa Book”; “Não era como se tivéssemos um único hit e fosse preciso construir um enchimento em torno dele. Cada música tinha uma função dentro de um conceito satírico em geral”.



O conteúdo musical do disco varia de R&B, doo-wop e blues rock a arranjos orquestrais e colagens sonoras da vanguarda. Em um artigo escrito para a revista Hit Parader magazine em 1968, Zappa escreveu que, quando o produtor Tom Wilson ouviu essas músicas, “Ele ficou tão impressionado que pegou o telefone e ligou para Nova York, e como resultado, eu consegui um orçamento mais ou menos ilimitado para fazer essa monstruosidade“.

Zappa fez Wilson gastar cerca de US$ 35 mil para a produção, quantia considerável para a época, o que quase lhe custou seu emprego na MGM.

Tanto a gravadora quanto o público médio não estavam preparados para “aquilo”, como diria o próprio Zappa anos depois; prova disso é que o selo tentou emplacar um compacto com as canções “Help I’m A Rock” e “I Ain’t Got No Heart“, sem o menor sucesso e, óbvio, sem a menor noção do impacto inicial que teriam essas canções.

O disco abre com “Hungry Freaks, Daddy?” e a segunda faixa é exatamente “I Ain’t Got No Heart” quando Ray imita à perfeição os estilo vocal de Jack Bruce, do Cream. Em “Go Cry on Somebody Else’s Shoulder“, o grupo começa no melhor estilo Them até cair no mais puro doo-wop debochado, mostrando o lado cômico dos Mothers, que ainda evoluiria muito nos anos seguintes.



Mas as pérolas estão em composições do tipo “Who Are the Brain Police?“, “Motherly Love“, fechando com a longa e editada “The Return of the Son of Monster Magnet” e “It Can’t Happen Here“, ambas com participação de Suzy Creamcheese, outro momento hilário, principalmente nos shows.

Um disco evidentemente avançado para a época e que alcançou apenas a 130ª posição nas paradas americanas. Freak Out!, porém, foi muitíssimo bem recebido na Europa, especialmente na Inglaterra, e após alguns shows tendo o Jefferson Airplane abrindo suas apresentações em San Francisco, o grupo saiu tocando pelo mundo. Paul McCartney declarou tempos depois que Sgt. Peppers era o Freak Out! dos Beatles, deixando evidente a influência que teve a proposta revolucionária contida no álbum de Zappa no clássico máximo beatle.

Seria o começo de infinitas e infindáveis confusões e momentos brilhantes nos palcos do mundo. SALVE Freak Out!, que, embora seja tudo isso que ora dissemos (e muito mais), é apenas a ponta do iceberg da monstruosa obra que Mr. Zappa produziria dali pra frente…

OUÇA AQUI



O disco trazia as seguintes faixas:

Lado 1

1. “Hungry Freaks, Daddy” – 3:32
2. “I Ain’t Got No Heart” – 2:34
3. “Who Are the Brain Police?” – 3:25
4. “Go Cry on Somebody Else’s Shoulder” – 3:43
5. “Motherly Love” – 2:50
6. “How Could I Be Such a Fool?” – 2:16

Lado 2

1. “Wowie Zowie” – 2:55
2. “You Didn’t Try to Call Me” – 3:21
3. “Any Way the Wind Blows” – 2:55
4. “I’m Not Satisfied” – 2:41
5. “You’re Probably Wondering Why I’m Here” – 3:41

Lado 3

1. “Trouble Every Day” – 5:53
2. “Help, I’m a Rock” – 8:37
1. Okay To Tap Dance
2. In Memoriam, Edgar Varèse
3. It Can’t Happen Here

Lado 4

1. “The Return of the Son of Monster Magnet” (Unfinished Ballet in Two Tableaux) – 12:22
1. Ritual Dance of the Child-Killer
2. Nullis Pretii (No commercial potential)

Obs final: Durante muitos anos foi considerado o primeiro álbum duplo da história do rock, o que não é verdade, já que Bob Dylan lançou “Blonde on Blonde” um pouco antes, em 16 de maio.

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