“𝘛𝘩𝘦 𝘋𝘪𝘢𝘳𝘺” integra “ANN – A Progressive Metal Trilogy“, álbum da banda Ex Libris, da frontwoman Dianne van Giersbergen, que chegara há exatamente um ano, trazendo 3 EPs compilados sobre as histórias de Anne Boleyn, Anastasia Romanova e Anne Frank.
Review: Ex Libris – ANN – A Progressive Metal Trilogy (Chapter 3 – Anne Frank) (in English)
Em um processo criativo que durara um pouco mais de um ano, três esplêndidas partes formaram, enfim, um todo maravilhoso.
A banda neerlandesa Ex Libris, capitaneada pela frontwoman Dianne Van Giersbergen, se lançou de cabeça em um projeto audacioso, porém, de resultado extremamente feliz: o álbum “ANN – A Progressive Metal Trilogy“, concebido a partir de agosto de 2018, paulatinamente na forma de 3 EPs de aproximadamente 20 minutos, com 3 canções em cada, abordando em cada um deles a história musicada de 3 grandes “Anas” da história mundial, todas enormes vítimas do terror oriundo da própria raça humana, sendo elas:
Review: Ex Libris – “Ann, Chapter 1: Anne Boleyn”.
Review: “Ann, Chapter 2: Anastasia Romanova” – Ex Libris (also in English).
…E por fim, o recém-chegado “Chapter 3 – Anne Frank”, sobre o qual discorrerei nas linhas abaixo.
No terceiro capítulo desta trilogia prog-metálica, Dianne e seus companheiros de Ex-Libris nos convida a explorar a história forte e triste de Anne Frank, mas com o encanto lírico impressionante que eles sempre conseguem entregar em suas obras.
Anne Frank, nascida em Frankfurt em uma família judia, que desesperada ante o terror nazista, se refugia na Holanda em 1943, onde Anne inicia a confecção de seu famoso diário, em holandês, num pequenino caderno que ganhara de presente no seu 13º aniversário, que posteriormente seria publicado por seu pai e traduzido para mais de setenta idiomas.
O trabalho começa justamente com a canção “The Diary“, que nos remete à Dianne surgindo com sua linda e maviosa voz, acompanhada ao piano e teclados, pelo incrível Joost van den Broek, criando uma atmosfera ainda lúcida e tranquila, onde Frank inicia a escrita de seu diário, redigindo as primeiras linhas, ainda serena e com uma certa tranquilidade.
A harmonia e contemplação dá lugar ao medo, angústia e tensão ante a ameaça vindoura em “The Annex“, segunda canção do EP, que chega eruptivamente jorrando os maravilhosos elementos prog-metal da Ex-Libris: riffs, fraseados e solos de guitarra poderosos de Bob Wijtsma, variações de andamentos, sempre permeados pela voz irrompedora de Lady Dianne. Aqui temos até mesmo um pequeno lindo trecho que nos remete à música flamenca, com violões e voz.
Subitamente, sirenes anunciam o pavor e viram “The Annex” para “The Raid“, indubitavelmente uma das melhores canções de toda a carreira da Ex-libris. Uma maravilhosa suíte de dez minutos, trazendo o momento da prisão de Anne Frank e sua família pela Gestapo nazista em agosto de 1944 e a torturante permanência e morte no campo de concentração Bergen-Belsen, em fevereiro de 1945.
Aqui sobram qualidades. Em primeiro lugar, Dianne abusa de cantar bem, mostrando uma de suas maiores virtudes vocálicas: a sua capacidade de surfar intermitentemente entre o canto lírico e o metal rasgado. Além disso, o instrumental da canção é elaboradamente primoroso, com os musicistas parecendo brincar, como se mudar cadências melódicas daqui pra ali fosse algo extremamente fácil.
A canção, o EP e o álbum se encerra com Dianne van Giersbergen entoando um lindo canto sem letra, como se os espectros de Anne Boleyn, Anastasia Romanova e Anne Frank nos olhassem em despedida e agradecidas pela belíssima homenagem que receberam da Ex Libris.
Nota 10.
Ex Libris: Entrevista exclusiva com Dianne van Giersbergen
Tracklist:
1.The Diary (04:22)
2.The Annex (06:03)
3.The Raid (10:16)
A Banda:
Dianne van Giersbergen – Vocals
Joost van den Broek – Synth, Keys
Bob Wijtsma – Guitars
Luuk van Gerven – Bass
Harmen Kieboom – Drums














