“Queen II“, lançado em 8 de março de 1974, realizado no Trident Studios em Londres – nos horários mortos, quando os artistas já consagrados terminavam suas sessões, teve a banda livre para criar seu mundo musical particular, a começar pelo importantíssimo papel de Brian May na linha musical, com o modelo de afinação de guitarra que virou marca registrada. Lembrando exercícios de power chord à la Link Wray ou Elmore James, May afinava sua guitarra uma oitava acima ou abaixo do que era esperado para a maioria das canções, o que ajudava a criar um corpo sonoro particular e inigualável para o disco, um truque amplamente usado nas obras seguintes. Já a técnica de overdub, além de ser parte do trabalho vocal da banda, passou a marcar também as variações de guitarra, tanto nos acompanhamentos simples quanto nos solos.
A organização do disco em White Side e Black Side já salienta a ideia de ópera, embora essa divisão traia um pouco a banda porque dá a visão de um álbum de fato conceitual, quando na verdade, trata-se de uma ideia de organização. Não existe, a rigor, um conceito narrativo que dê um “tema” a “Queen II“. De todo modo, os dois lados trazem canções que se opõem e algumas letras que seguem a tênue linha de ideais opostos. O disco é dividido em Lado Branco e Lado Negro: o Lado Branco é dedicado às composições de Brian May (com exceção de “The Loser in The End”, de Taylor). Já o lado negro do disco é dedicado a composições de Freddie Mercury.
É um álbum de concepção interessante, com algumas canções inesquecíveis, mas um resultado final que, devido a tropeços pontuais, chega a ser um pouquinho menor que o do disco anterior, a despeito de obras-primas como “White Queen (As It Began)“, “Ogre Battle“, “Nevermore” e “The March of the Black Queen“. Todavia, aqui estava o impulso e ânimo que o quarteto trazia desde o ano anterior e que então elevava a um padrão de identidade musical, o mesmo padrão que passariam a polir até a perfeição a partir de “Sheer Heart Attack” (1974), seu álbum seguinte.
“Queen II” não chega a ser um disco fácil, embora tenha muitos ganchos melódicos. Mas ele vai melhorando a cada audição, pois é daquelas obras riquíssimas em detalhes. Nunca é a mesma sensação ouvir este disco. Cada audição é única. O disco se renova cada vez que colocamos a agulha no vinil. A capa deste álbum se tornou icônica. Foi fotografada por Mick Rock. No ano seguinte serviria de mote para a composição do primeiro videoclipe da banda, de “Bohemain Rapsody”.
Pelo confrade Marcos Filho.









