‘Gypsy’ é uma das maiores músicas do Fleetwood Mac. Uma coisa atmosférica de beleza etérea, o álbum de onde veio, Mirage, de 1982, viu a banda abraçar os anos 80 e crescer nas alturas que foram estabelecidas em “Tusk” e “Rumors” no final dos anos 70. Cativante e honesta, ela toca em todas as facetas típicas de uma composição do Fleetwood Mac.
Além dos elementos composicionais, a música também é conhecida pelo que influenciou sua criação. Inspirada pela nostalgia da vida de Nicks antes do Fleetwood Mac, ela também está conectada a duas das figuras mais importantes da contracultura; Janis Joplin e a vocalista do Jefferson Airplane, Grace Slick.
Durante uma entrevista de 2009 para a EW, Nicks discutiu a história por trás da música. Cansada da fama e todas as suas armadilhas neste ponto do início dos anos 80, ela estava desesperada para retornar a seus primeiros anos de juventude, antes de qualquer dor no coração e tormento emocional que estar em uma banda tão grande trazia: “Nos velhos tempos, antes do Fleetwood Mac, Lindsey (Buckingham) e eu não tínhamos dinheiro, então tínhamos um colchão king-size, que ficava no chão”, explicou Nicks.
Acrescentando: “Eu tinha colchas vintage velhas e, embora não tivéssemos dinheiro, ainda eram muito bonitas … Só isso e um abajur no chão, e pronto – havia uma certa calma nisso.”
Tentando recriar este momento simples de sua vida, Nicks também revelou como ela frequentemente tenta evocar este ponto de sua vida hoje. Ela disse: “Até hoje, quando me sentir sobrecarregada, vou tirar meu colchão da minha linda cama, onde quer que esteja, e colocá-lo do lado de fora do meu quarto, com uma mesa e um pequeno abajur”.
Nicks então deu a grande revelação. Levando-nos de volta ao lar cultural da contracultura, a São Francisco dos anos 1960, ela discutiu a forte dose de nostalgia que está por trás da música. Ela disse que a letra menciona uma loja que Joplin e Slick frequentavam. “Essas são as palavras: ‘Então estou de volta à Velvet Underground’ – que é uma loja de roupas no centro de São Francisco, onde Janis Joplin comprava suas roupas, e Grace Slick, da Jefferson Airplane, era um pequeno buraco na parede, coisas incríveis, lindas – ‘de volta ao chão que eu amo, a um quarto com algumas rendas e flores de papel, de volta à cigana que eu era’”.
Outro detalhe da música que se alimentou de sua nostalgia advém do fato dela ser uma homenagem a sua amiga de escola, Robin Snyder Anderson, que morreu em outubro de 1982, de leucemia. Enquanto Snyder estava morrendo, Nicks dedicou a música a ela. Desde sua concepção, Nicks acha difícil interpretar a música ao vivo, dada a abrangência das emoções que a impulsionam.
Um tributo a dias melhores, pelo seu valor nominal você nunca teria imaginado que “Gypsy” era uma música tão densa liricamente. Voltando aos dias inebriantes da contracultura, evocando imagens de duas mulheres pioneiras, Janis Joplin e Grace Slick, enquanto também homenageia a perda de uma melhor amiga, esses fatos quase tornam a música inaudível.
A beleza da música estrutura as letras carregadas de emoção, tornando-a, de longe, um dos melhores esforços de Nicks e Fleetwood Mac.
Traduzido por Renato Azambuja via FAR OUT.









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