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Anette Olzon retorna ao Brasil e triunfa sobre aqueles que um dia a renegaram

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Anette Olzon - VIP Station - SP. Foto: Lucas Matheus.

Resenha do show na noite do dia 27 de setembro último, no Vip Station, São Paulo.

Por Lucas Matheus



Após a polêmica saída de Tarja Turunen do Nightwish, a banda escalou uma cantora sueca com o rosto não conhecido mundialmente, com um timbre mais doce e nada operistico, Anette Olzon chegara ao grupo finlandês, dando sua própria personalidade e identidade. No início muito rejeitada por muitos fãs, gravou dois grandiosos álbuns e em 2012 deixou a banda em meio a uma turnê mundial. Sua saída também é cheia de controversas, e a mesma afirma que foi demitida, mas não é sobre isso que vamos falar.

Na última sexta-feira, 27 de setembro, Anette Olzon fez história em São Paulo ao realizar seu primeiro show ao vivo com as músicas que gravou com o Nightwish, o evento, realizado no VIP Station, foi uma volta magistral.

Mesmo enfrentando complicações de saúde que a forçaram a cancelar a apresentação seguinte em Belo Horizonte, Anette subiu ao palco com uma energia contagiante, demonstrando carisma e uma forte presença. A mesma disse que já estava na hora dos fãs do Nightwish escutarem ao vivo as canções que ela gravou.

Magistry

A abertura ficou por conta da banda paranaense Magistry, que trouxe um som pesado e atmosférico, com influências claras de Draconian. A vocalista Lya Seffrin dominou muito bem o público que se atava a espera da grande “Dama da noite”. O grupo segurou muito bem o público, com ótimos figurinos, e uma presença muito boa, gerando curiosidade nas pessoas de saber mais sobre aquela banda.



Após o curto show, alguns ajustes no palco, já era sinal de que o show estava para começar e então uma Intro épica se inicia e BUM!

Anette no Palco

Quando os primeiros acordes de “7 Days to the Wolves” ressoaram, a reação do público foi imediata, aplausos e gritos de alegria de fãs que esperavam há mais de uma década por esse momento. A seguir, “Storytime” fez a plateia vibrar, oferecendo a chance de ouvir aquelas canções com a voz que as eternizou.

Contudo, o show não se limitou a uma viagem ao passado. Foi uma homenagem ao papel significativo de Anette na trajetória da banda, sem rivalidades ou comparações. O público compreendeu e apreciou essa mensagem.

Um dos destaques da noite foi a participação especial de Seth, filho de Anette, que subiu ao palco e interagiu com a plateia, arrancando risadas ao puxar o famoso coro de “pastora, pastora”, um meme que foi abraçado com bom humor por Anette. Em um momento sincero, ela compartilhou como, aos 35 anos, precisou deixar o filho na Suécia durante sua primeira turnê com o Nightwish no Brasil, e agora, aos 54, estava feliz por poder compartilhar essa experiência ao lado dele. Esse foi um momento lindo de se ver, as lágrimas escorreram pelos olhos de Anette.

A Banda de apoio



Não posso deixar de citar a banda que acompanhava a vocalista, que nessa turnê se apresentou com uma banda 100% brasileira e extremamente talentosa, formada por Filipe Duarte (Overdose) no baixo e vocais, Sanzio Rocha nas guitarras, Kiko Lopes na bateria e Vithor Moraes nos teclados.

 A química entre os músicos foi imediata, todos muito bem trabalhados e animados.

O Show

O setlist foi muito bem equilibrado e escolhido, “Ghost River” trouxe uma carga pesada  para o espetáculo, com Anette explorando seus registros vocais de forma intensa e única.

Em seguida, “Bye Bye Beautiful” uniu o público e a plateia foi ao delírio, não podemos negar que Tuomas escreve muito bem, a própria vocalista o elogiou.



A canção “Amaranth” foi repleta de sentimento, culminando em um grande coro, um repertório cheio de hits que todos sabiam de trás pra frente. 

Rest Calm” mergulhou a plateia em uma atmosfera nostálgica, uma das músicas mais aguardadas pelo público, se não me falha a memória, a canção não chegou a ser tocada ao vivo por Floor Jansen nos vocais, então foi lindo de se ver e ouvir.

Na instrumental “Last of the Wilds,” Anette deu espaço aos músicos para brilharem, e também para uma merecida água ou respiro e eles não decepcionaram. A canção delicada “Eva” seguiu, iluminando o ambiente com os celulares do público em um dos momentos bonitos, era impressionante o quanto todos estavam unidos na mesma sensação de nostalgia ja “Turn Loose the Mermaids” manteve a vibe introspectiva com seu clima de balada medieval, era nítido nos olhos de alguns fãs as lágrimas escorrendo.

Sahara” reacendeu a paixão na plateia com sua pegada tribal e ainda contou com um surpreendente dueto com Lya Seffrin, que foi estrondoso. Duas mulheres poderosas que pareciam brincar com as notas e dançavam lindamente pelo palco.

Ponto alto



Um dos pontos mais altos foi em  “The Poet and the Pendulum”.

É impossível não dizer que talvez esta não esteja na lista de melhores canções já escritas para o Nightwish. 

Uma obra-prima executada com maestria, por músicos brasileiros, algo realmente grandioso e representativo para nóz. Foram mais de dez minutos de pura emoção, levando o público a um estado de transe enquanto Anette se entregava completamente ao desempenho. Os músicos também brilharam, especialmente Vithor no teclado, que criou atmosferas quase etéreas. Me remeteu ao momento em que exatamente ao final desta música, Anette deixava o palco em BH, a pressão e as vaias a fizeram chorar e dessa vez a coisa foi bem diferente, como se ela estivesse sendo coroada, em lágrimas mais uma vez, Anette agradecia imensamente o público.

A Parte Final

Antes de fechar o show, Anette falou sobre o significado de “Meadows of Heaven”, dedicada àqueles que acreditam em Deus e na eternidade. Sua interpretação foi comovente e quase espiritual, e o público participou cantando em coro, a doçura de seu rosto angelical, casava perfeitamente com a letra.



O espetáculo se findava em “Last Ride of the Day,” uma canção perfeita para encerrar a apresentação com uma explosão de energia. A plateia pulou, cantou e vibrou, enquanto Anette, emocionada, agradecia com um sorriso largo e olhos brilhantes.

O grande ato chegou ao fim deixando um gosto de “quero mais”.  Anette ainda ficou um pouco na beira do palco autografando CDs e fazendo Selfies com seu público.

Fecho este texto dizendo que presença, energia e carisma não faltam em Anette Olzon, além de muita simpatia e carinho pelo público, algo que é raro ver em artistas hoje em dia.

E quantos muito se esforçam para ficar longe, em se esforçou para ficar perto, provando simpatia,  charme e doçura.

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Foto: Lucas Matheus

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