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U2: ‘Songs of Experience’ é o mais novo trabalho solo de Bono

Desde ‘All That You Can´t Leave Behind‘ o U2 não funciona mais como banda, mas tão somente como uma marca.

Não são mais os quatro evangelistas reescrevendo a história do rock, apenas Bono e seus três coroinhas numa ladainha sem fim.

Não dá pra ser diferente. Quando os outros membros da banda tentam colocar-se em pé de igualdade as frases curtas e rimas pobres sacrificam a composição.

Eis a letra de ‘Get Out of Your Own Way‘:

I could sing it to you all night, all night
If I could, I’d make it alright, alright
Nothing’s stopping you except what’s inside
I can help you, but it’s your fight, your fight

…que me faz recordar a de ‘Elevation‘, logo abaixo:

A mole, digging in a hole
Digging up my soul
Now going down, excavation
I and I in the sky
You make me feel like I can fly
So high, elevation

Uma porralouquice sem fim. Nada remotamente parecido com ‘Some Days Are Better Than Others‘ ou ‘The First Time‘, só pra citar alguns exemplos.

Na década de oitenta U2 era o arauto da Palavra, espalhando a Boa Nova pelos quatro cantos do mundo.

Nos anos 90 a banda se reinventou mais ou menos como uma antítese de si mesma. A voz de Bono soava lasciva e a banda entrou de cabeça na experimentação musical com fôlego de sobra pra lançar 3 álbuns formidáveis: ‘Achtung Baby‘, ‘Zooropa‘ e ‘Pop‘.

A partir de 2000 a coisa degringolou. Bono tornou-se onipresente. Não havia mais um conceito que justificasse a permanência dos demais. Basta comparar a muralha sonora de ‘I Still Haven´t Found What I´m Lookink For‘ com aquela banda em segundo plano de ‘The Little Things That Give You Away‘, do novo álbum.

Ainda foi possível lançar mais 4 álbuns além de ‘All That You Can´t Leave…‘, que abriu aquela década, mas na falta de um objetivo comum, a banda notória pelo lançamento de álbuns definitivos passou a atirar pra todo lado. A maior prova disso está em ‘No Line On The Horizon‘, onde ao contrário do título há sim uma linha bem marcada separando um dos melhores (meio) álbuns da banda de outra sequência de rimas ruins, tal como a seguir em ‘Get On Your Boots‘:

The future needs a big kiss
Winds blows with a twist
Never seen a moon like this
Can you see it too?

Night is falling everywhere
Rockets at the fun fair
Satan loves a bomb scare
But he won’t scare you

Se a banda não funciona mais a partir do consenso e tesão de tocar junto mas de pesquisas de opinião, seu nome deveria voltar a ser Feedback.
Você pode até perguntar, “Mas não têm funcionado?“. Claro que sim! Neil Sedaka fez fortuna com uma versão domesticada de rock no período de entressafra após a morte de Buddy Holly, a prisão de Chuck Berry e o alistamento militar de Elvis, sendo soterrado em seguida pelo advento da Invasão Britânica.
E não seria o caso de dizer que o U2 não faz mais boas músicas. É claro que faz. ‘Ordinary Love’ e ‘Book of Your Heart’ são lindas. A diferença é que eles não têm mais nada de novo pra mostrar, só isso.
“Mas vende, não vende?”. Com certeza! Se a banda tornou-se uma instituição, com sede e tudo (a U2 Tower, ainda encalhada em Dublin), todos nós somos os pequenos mecanismos que a mantém funcionando a todo vapor.
Não é minha intenção estragar a diversão de ninguém, mas me recuso a pedir desculpas pelas minhas opiniões. Meus altos padrões foram moldados por bandas únicas, e uma delas é o U2, cujos membros infelizmente perderam mais uma vez a oportunidade de seguir caminhos próprios e fazer a diferença em nome da estabilidade financeira.
Vida que segue!
Enquanto isso vou ficar esperando pelo próximo ‘Achtung Baby’ que irá me arrancar desse tédio. A única coisa que sei, porém, é que ele não virá do U2….

Por Renato Azambuja, o nosso “Dali”.

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