O contexto que precedeu o Rainbow Concert foi marcado por uma sucessão de tragédias: ainda durante as sessões de gravação de “Layla“, Clapton ficou devastado ao saber da morte de Hendrix (oito dias antes a banda havia gravado uma versão de “Little Wing“, que foi acrescentada ao álbum como forma de homenagem); um ano depois, Duane Allman morreu em um acidente de motocicleta; “Layla” recebeu críticas indiferentes e vendeu minimamente quando de seu lançamento original, tudo a precipitar a fase depressiva entregue ao vício.
O Derek and The Dominos desintegrou-se de forma caótica em Londres antes que pudesse completar seu segundo LP. Com o fim do grupo, Clapton afastou-se das gravações e turnês para se dedicar a um intenso vício em heroína, resultando em um hiato em sua carreira só interrompido pelo Concert for Bangladesh de George Harrison em 1971 e o Rainbow Concert em 1973, organizado por Pete Townshend na tentativa de ajudar Clapton a se livrar das drogas e voltar a trabalhar.
Pete Townshend (do The Who) convenceu Clapton a realizar dois shows no mesmo dia. Mesmo sem uma banda ativa, diversos músicos participaram desses shows, batizando-se a ‘banda’ com o nome de Palpitations. Por 10 dias, ensaiaram o repertório na casa de Ron Wood.
Ronnie Wood, ainda nos Faces, foi o terceiro guitarrista, junto a Clapton e Townshend. Rick Grech pilotou o único baixo. Stevie Winwood, que tocou com EC no Blind Faith e estava no Traffic, foi o tecladista. Jim Capaldi, então colega de banda de Winwood, era um dos bateristas – o outro era Jimmy Karstein. E ainda havia Rebop na percussão.
Assim, o Rainbow Theatre de Londres, em 13 de janeiro de 1973, presenciou diversas fases da carreira de Clapton, além de ótimos covers, como “Little Wing” (de Jimi Hendrix), “After Midnight” (de J.J. Cale), e “Pearly Queen“, do Traffic.
Exatamente à meia-noite, quando Townshend foi ovacionado por ter organizado a apresentação, rolou “Crossroads“. A música de Robert Johnson narra o lendário pacto do blueseiro com o demônio, feito numa encruzilhada exatamente naquele horário.
Em setembro daquele ano, foi lançado o LP Eric Clapton’s Rainbow Concert. Porém, a bolacha continha apenas seis canções e menos de trinta minutos de boa música. Eram elas: Badge, Roll It Over, Little Wing, After Midnight, Presence Of The Lord e Pearly Queen. Para a alegria dos fãs, no dia 25 de julho de 1995 (mais de vinte anos depois da apresentação) é lançada uma edição em CD contendo nada menos que 14 faixas (74 minutos de êxtase). Então, com o show na íntegra vieram a público Layla, Blues Power, Bottle Of Red Wine, Bell Bottom Blues, Tell The Truth, Key To The Highway, Let It Rain e Crossroads.
Reza a lenda que, após o concerto, Eric teria pego todo o dinheiro e corrido para a casa do seu traficante. Pouco importa, considerando tudo que Sir Clapton veio a fazer nos anos que se seguiram, notadamente, logo a seguir, o recomeço em 1974 com o disco “461 Ocean Boulevard“, um dos melhores de toda a sua carreira.
E por mais que alguns desocupados insistam que Clapton não estava em boa forma (por estar afastado dos palcos a dois anos) ou mesmo inspirado (devido ao vício), aquele dia já entraria na história simplesmente pelo time que Pete reuniu. Um show digno de respeito.
Pelo confrade Marcos Filho.
Músicas (álbum original):
1. Badge
2. Roll It Over
3. Presence Of The Lord
4. Pearly Queen
5. After Midnight
6. Little Wing
Músicas (álbum remasterizado):
1. Layla (Eric Clapton/Jim Gordon)
2. Badge (Eric Clapton/George Harrison)
3. Roll It Over (Eric Clapton/Bobby Whitlock)
4. Blues Power (Eric Clapton/Leon Russell)
5. Little Wing (Jimi Hendrix)
6. Bottle of a Red Wine (Delaney Bramlett/Eric Clapton)
7. After Midnight (J. J. Cale)
8. Bell Bottom Blues (Eric Clapton)
9. Presence Of The Lord (Eric Clapton)
10. Tell The Truth (Eric Clapton/Bobby Whitlock)
11. Pearly Queen (Jim Capaldi/Stevie Winwood)
12. Key To The Highway (Big Bill Broonzy/Charlie Segar)
13. Let It Rain (Bonnie Bramlett/Eric Clapton)
14. Crossroads (Robert Johnson)