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Pink Floyd: David Gilmour detesta escrever letras, diz Polly Samson

Polly-David

Polly e David

Esposa do guitarrista revelou que ele “prefere até mesmo lavar o carro a sentar para escrever letras.”

Polly Samson, escritora e esposa de David Gilmour, começou a colaborar com o guitarrista nas composições do Pink Floyd em 1994, no álbum The Division Bell. Desde então, ela coescreveu letras em vários projetos de Gilmour, incluindo o álbum final do Pink Floyd, The Endless River (2014. Foi Samson quem escreveu “Louder Than Words”, a única faixa com letra em The Endless River. Adicionada a pedido de Gilmour, fora como um encerramento poético para a história da banda e homenagem póstuma a Wright. A parceria entre Samson e Gilmour prosseguiu nos trabalhos solo do músico, como o álbum Rattle That Lock (2015) e o mais recente, ‘Luck and Strange‘ (2024).

Resistência de Gilmour às letras das canções

Apesar de seu papel importante como letrista, Samson revela que Gilmour sempre mostrou aversão a escrever letras. Em entrevista recente à revista Prog, a autora comentou que o marido detesta essa tarefa a tal ponto que “prefere até lavar o carro a ter que compor letras”. De acordo com Samson, o lendário guitarrista faz de tudo para evitar pôr palavras no papel, encontrando qualquer desculpa para adiar a escrita. Gilmour tende a se expressar melhor através da guitarra e é bastante ponderado em conversas cotidianas, característica que, segundo Samson, contribui para sua dificuldade em criar letras. Embora reconheça que o esposo já escreveu boas letras em sua carreira, ela admite que convencê-lo a fazê-lo é um desafio constante.

“Lição de casa” em ‘Rattle That Lock

Durante a produção do álbum solo Rattle That Lock, Polly Samson precisou adotar medidas inusitadas para incentivar David Gilmour a escrever pelo menos uma letra. Ela conta que, após ter composto sozinha a letra da faixa-título, impôs um ultimato ao marido:

Não vou escrever mais nenhuma agora até que você escreva uma”.

A situação, relata Samson, tornou-se semelhante a “tentar fazer uma criança cumprir o dever de casa de matemática.”

A escritora chegou a trancar Gilmour em um cômodo apenas com papel e caneta, para forçá-lo a se concentrar na tarefa de escrever. Mesmo assim, o músico procrastinou: ele passava longos períodos encarando a página em branco, lutando para encontrar as palavras certas. Samson revela que entrava no estúdio com xícaras de chá para ver o progresso do marido, apenas para ouvi-lo resmungar que “não estava indo muito bem” .

A estratégia, embora trabalhosa, acabou surtindo efeito. Gilmour finalmente entregou duas composições próprias no álbum: as canções “Faces of Stone” e “Dancing Right In Front of Me”, cujas letras Samson elogiou como “fantásticas”. Ela destacou que o resultado valeu o esforço, afirmando que essas músicas exibem letras de alta qualidade escritas por Gilmour. No entanto, Samson reconhece que foi necessária muita persistência de sua parte para extrair essas palavras do guitarrista.

Em tom bem-humorado, Polly Samson acrescenta que continua estimulando o marido a se arriscar como letrista ocasionalmente.

Ela impôs a Gilmour:

Você precisa fazer isso, pois, caso contrário, de onde vou tirar minha canção de amor? Não posso escrever minha própria canção de amor!

A brincadeira da autora reflete a dinâmica criativa do casal, ela, confortavelmente navegando no mundo das palavras, e ele, gênio da guitarra que prefere deixar seu instrumento “falar” por suas emoções. Juntos, Samson e Gilmour equilibram essas diferenças para criar músicas aclamadas, unindo melodia e letra de forma singular no universo do Pink Floyd e nos projetos solo do guitarrista.

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