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Mundo Metal Review: Solid Rock Festival – Alice In Chains e Judas Priest

Primeiro de tudo é preciso fazer uma reflexão quanto ao preço dos ingressos e a postura bastante questionável dos organizadores. Logo que o evento foi anunciado, muitos headbangers ficaram assustados com os valores um tanto salgados que estavam sendo cobrados e decidiram não participar do fest. Conforme foi chegando perto da data prevista, as vendas estavam muito abaixo do esperado e, assim como foi feito em eventos anteriores (Ozzy Osbourne e Deep Purple são exemplos claros), começaram a “queimar” os ingressos vendendo a preços muito mais baratos.

Um ingresso que estava sendo vendido por 570 reais, nas duas últimas semanas estava custando 170 reais, só pra se ter uma noção exata de como foi essa queima, um ingresso de cadeira superior (o mais barato), no começo das vendas custava 260 reais e na fase final, estavam vendendo por 78 reais. Detalhe: no dia do evento, as cadeiras superiores não foram utilizadas e quem comprou ingressos para esse setor, ficou na arquibancada inferior, onde o ingresso era mais caro. Traduzindo, uma total falta de respeito com o público pagante, pessoas que pagaram 480 reais na arquibancada inferior estavam dividindo o mesmo espaço com pessoas que pagaram 78 reais pela cadeira superior. Fico me questionando: se abaixaram tanto assim os preços na fase final, será que não poderiam ter estipulado valores mais próximos da realidade brasileira desde o início e, assim, garantir um evento com lotação máxima?

Produtores, nós não somos bobos, no final das contas quem bancou de fato o evento foram as pessoas que compraram o ingresso no início das vendas. Quando o evento já estava pago, começaram a baixar drasticamente os valores com a intenção de colocar o maior número de pessoas possível no Allianz e dar a impressão de casa cheia. Você, caro amigo que pagou 570, 480 ou 320 reais pelo seu ingresso, pode colocar o seu nariz de palhaço. Lastimável a postura e não poderia deixar de fazer a devida crítica.

Depois de ter colocado os pingos nos i’s, vamos ao que interessa!

Infelizmente, por motivos de força maior, não pude conferir o show do Black Star Riders como se deve, então não farei uma análise da apresentação, fico com a impressão dos que acompanharam e relataram que o som estava um pouco embolado, mas que a banda foi extremamente competente.

Pulando diretamente para a performance dos estadunidenses do Alice In Chains, a banda liderada pelo guitarrista Jerry Cantrell adentrou ao palco por volta das 19:00 horas e com um som límpido, cristalino e nada embolado, iniciaram com uma trinca morna. “Check My Brain” do álbum “Black Gives Way To Blue” (2009), “Again“, canção de 1995 e “Never Fade“, do novo registro “Rainier Fog“. Pra quem achou que ficaria nessa temperatura, logo percebeu que o quarteto de Seattle não estava para brincadeiras. O clássico “Them Bones” incendiou o Allianz Parque e foi prontamente emendado em “Dam That River“, fazendo todos os fãs presentes soltarem largos sorrisos.

Foto: Flavio Hopp

Na sequência, “Hollow“, faixa pertencente ao álbum “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013), foi muito bem recebida, porém o que veio a seguir emocionou muita gente. “Down In A Hole“, do clássico “Dirt” (1992) foi ovacionada e cantada em uníssono. A inesperada “No Excuses“, presente no álbum “Jar Of Flies” (1994), me remeteu aos tempos áureos da banda, época em que a MTV rolava sem parar em sua programação os videoclipes do Alice In Chains e, certamente, foi um momento extremamente nostálgico. Todos estavam no clima e sob o comando de um William DuVall cantando muito, os caras resolveram pegar pesado executando nada menos que “We Die Young“.

Mais uma faixa recente apareceu no set, “Stone“. Mas o Allianz virou um caldeirão novamente apenas com as duas faixas seguintes, a clássica “Angry Chair” antecedendo o maior sucesso da banda, o mega hit “Man In The Box”. Não teve quem ficou parado! “The One You Know“, do mais recente trabalho, passou quase despercebida, pois logo na sequência, o tiro de misericórdia seria dado. Sob o comando do baixo marcante de Mike Inez, a introdução de “Would?” causou euforia. Após mais este clássico, alguns pensaram que a fatura estava encerrada, mas ainda houve tempo para a fantástica “Rooster“, minha música favorita da banda e executada com maestria. Final épico de um show muito acima do esperado.

Foto: Flavio Hopp

É muito importante ressaltar que o Alice In Chains soube se reinventar como poucos, o grupo vem lançando ótimos álbuns e o vocalista William DuVall faz jus ao legado do inesquecível Layne Staley. Só pra não dizer que não falei das flores, Jerri Cantrell continua sendo um riffmaker excepcional e possuindo um dos melhores timbres do Rock/Metal. Para aqueles que torceram o nariz de ter uma banda Grunge abrindo para uma banda consagrada do Heavy Metal, afirmo que foi extremamente funcional e o público presente entendeu isso.

Era chegada a hora da verdade, “the Priest is back” e, desta vez, para divulgar um álbum que realmente caiu nas graças dos headbangers. “Firepower” vem recebendo elogios desde seu lançamento e está sendo considerado um dos melhores álbuns de 2018. A expectativa era enorme e, por volta das 21:00 horas, começou a rolar “War Pigs” nos falantes, o clássico “sabático” serviu de introdução para a entrada do quinteto inglês original da cidade de Birmingham, o berço do Heavy Metal. Após a queda das cortinas que cobriam o palco, os primeiros acordes da faixa “Firepower” ecoaram no Allianz, enlouquecendo todo o público.

Foto: Flavio Hopp

O Judas Priest é uma das bandas mais lendárias do Metal, com uma carreira que beira os 50 anos de idade, é praticamente impossível tentar adivinhar quais as canções que serão executadas no repertório. Logo de primeira, mostraram que a noite seria de surpresas no set, pois emendaram na faixa título do novo disco, nada menos que a porrada “Running Wild“, do álbum “Killing Machine” (1978). Início avassalador!

Pra quem esperava muitas músicas novas, a surpresa foi enorme. Sem misericórdia foram aparecendo mais e mais clássicos, “Grinder“, a impagável “Sinner” (que deixou a grande maioria dos presentes atônitos) e “The Ripper“, fizeram do começo da apresentação, algo absurdamente histórico. “Lightning Strike” demonstrou mais uma vez a força do atual registro e ela foi seguida de outra composição que pegou todos de calças curtas, a fantástica “Desert Plains“, do álbum “Point Of Entry” (1981). Mais uma faixa de “Firepower” foi tocada, a ótima “Never Surrender“, e então uma trinca surpreendente. “Turbo Lover” foi cantada em uníssono e, apesar das críticas que “Turbo” recebeu na época de seu lançamento, está é uma faixa muito funcional ao vivo, ela foi sucedida por “The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)” e a maravilhosa “Night Comes Down“. Sim, é isso mesmo que você leu, “Night Comes down“. Em uma única palavra: emocionante!

A introdução “Guardians” anunciou a chegada de “Rising From Ruins“, última canção de “Firepower” presente no set. Depois dela, é preciso fazer jus a um dos momentos mais lindos que vi em um show de Heavy Metal. Rob Halford anuncia nada menos que “Freewheel Burning“, do álbum “Defenders Of The Faith” (1984) e a execução foi extremamente raçuda. Esta é uma música cantada o tempo todo em tons altíssimos e Halford, no auge dos seus 67 anos de idade, não amarelou. No final da canção, o telão começou a exibir imagens do grande Ayrton Senna, arrancando lágrimas e arrepiando todos os fãs presentes. Na data em que a fórmula um conhecia o campeão da temporada (um inglês, Lewis Hamilton), os ingleses do Judas Priest prestaram esta belíssima homenagem ao maior piloto brasileiro de todos os tempos. Inesquecível a lembrança e o reconhecimento ao grande ícone Senna.

Neste momento, grande parte dos presentes já estava de alma lavada, porém o Judas ainda tinha mais alguns clássicos reservados para o final. “You’ve Got Another Thing Comin‘”, presente no álbum “Screaming For Vengeance” (1982), foi cantada em uníssono e, na sequência, o ronco ensurdecedor da Harley Davidson foi ouvido. Repetindo a mítica cena imortalizada por décadas, Rob entrou no palco montado na Harley para tocar “Hell Bent For Leather“. O encerramento apoteótico viria com nada menos que o hino “Painkiller“, onde é preciso destacar o trabalho perfeito do guitarrista Richie Faulkner. Com o afastamento de Glenn Tipton, substituído por Andy Sneap, Richie ficou encarregado de grande parte dos solos de Tipton e o cara simplesmente detona.

O bis viria com mais uma trinca acima de críticas. A introdução “The Hellion” explodiu nos falantes e o Judas Priest entrou novamente no palco com a soberba “Electric Eye“. Como não poderia deixar de ser, “Breaking The Law” veio a seguir e o show foi finalizado com a festeira “Living After Midnight” sendo cantada a plenos pulmões por todos os fãs.

Não houve uma pessoa sequer que não estava com um largo sorriso que vinha de orelha a orelha ao final da apresentação apoteótica do todo poderoso Judas Priest. No telão, a mensagem era clara: “The Priest Will Be Back”. E tomara que retornem mesmo, pois é sempre uma enorme satisfação assistir uma banda com tantos anos de estrada e tantos álbuns marcantes, fazendo um show absurdamente energético e surpreendente como foi este no Solid Rock Festival.

O saldo foi extremamente positivo, uma noite para ser lembrada!

Foto: Flavio Hopp

Set list do Alice In Chains:

1. Check My Brain
2. Again
3. Never Fade
4. Them Bones
5. Dam That River
6. Hollow
7. Down in a Hole
8. No Excuses
9. We Die Young
10. Stone
11. Angry Chair
12. Man in the Box
13. The One You Know
14. Would?
15. Rooster

Set list do Judas Priest:

1. Firepower
2. Running Wild
3. Grinder
4. Sinner
5. The Ripper
6. Lightning Strike
7. Desert Plains
8. No Surrender
9. Turbo Lover
10. The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)
11. Night Comes Down
12. Guardians
13. Rising From Ruins
14. Freewheel Burning
15. You’ve Got Another Thing Comin’
16. Hell Bent for Leather
17. Painkiller

BIS

18. The Hellion/Electric Eye
19. Breaking the Law
20. Living After Midnight

Redigido por Fabio Reis, do Mundo Metal

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