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"Money", o maior single do Pink Floyd

O primeiro semestre de 1973 estava sendo uma verdadeira “utopia que se tornava real” para os caras do Pink Floyd.

A banda atravessara uma trajetória tão maluca quanto até inesperadamente bem-sucedida, devido aos percalços.

Do início psicodélico-barrettiano, passando pelo experimentalismo prog, com trilhas sonoras pelo caminho, o Pink Floyd desembarcou no “Lado Escuro da Lua” e fizera todo o planeta falar bem mais desse satélite natural da Terra, especialmente de seu lado sombrio, embora trouxesse questões bem mais terrenas e pouco celestiais no que se tornaria o maior álbum de todos os tempos da história do rock: “The Dark Side of The Moon“, que chegou em março daquele ano via EMI.

Mas dentre todas as proezas alcançadas pelo Pink Floyd, que a essa altura já figurava no Olimpo das bandas bretãs, um último degrau faltava: conquistar o coração do Tio Sam e sua América.

A porta fora deixada entreaberta pelo álbum anterior, a trilha sonora “Obscured by Clouds” que alcançou bons números nos Estados Unidos.

Mas era preciso ter aquele “boom”, para não apenas flertar com o mercado fonográfico norte-americano e o ganhar em definitivo.

Money“, a solução

A solução fora lançar via Capitol, a subsidiária da EMI nos States, a primeira canção do lado B do álbum “The Dark Side of The Moon“, “Money” em single como uma aposta grande.

E nem o mais otimista em seu melhor dia poderia pensar que fosse dar tão certo.

A canção, toda a ela creditada ao genial Roger Waters, que inclusive concebera praticamente todo o conceito do álbum em que ela está inserida, foi direto para o topo da parada americana e lá se manteve por 741 semanas, saindo apenas em 1988. Um recorde absolutamente inquebrável, sem imaginarmos quaisquer forças de expressão.

Waters explicou sobre a música que o seu tempo deveras incomum 7/4 – 4/4 surgira em sua mente praticando ao violão em seu quintal, onde lá havia uma caixa registradora jogada no fundo onde ele próprio colocava as moedas para tilintar, resultando numa das mais famosas introduções da história da música, com o som das moedas seguidas pelos acordes inicialmente compostos por ele ao violão, posteriormente registradas no contrabaixo na versão definitiva.

O baixista e vocalista do Pink Floyd disse ainda que “Money” quando composta tinha um andamento e registro vocal bem diferente do consagrado em “Dark Side“, assista abaixo:

Quanto à letra, Roger Waters explanou que “num certo momento da vida devemos escolher de que lado estamos, do poder financeiro material a que tudo compra e obtém ou ao contrário, do lado mais simplista, que preza por uma vida alheia às demandas consumistas da alta classe.

A Explosão de “Money

Money” se tornou então uma das maiores músicas da carreira do Pink Floyd, passando a ser praticamente obrigatória nas apresentações da banda, assim como também em shows solo de David Gilmour e Roger Waters.

Nela pela primeira vez ouviu-se um saxofone no Pink Floyd, executado no álbum e no single pelo músico convidado Dick Parry, que fizera também dezenas de aparições com a banda e membros em shows ao vivo.

Além do sax de Dick, o que realmente pega em “Money” é sua tônica embalante dada pelo baixo, uma letra com agradável canto e que cola na mente e claro, o afiado solo de guitarra de David Gilmour que praticamente divide a canção em duas, na primeira metade num tom mais ostentador e radiante, porém na segunda e como desfecho, um tom pessimista e desesperançoso, ainda que embebido em puro realismo.

A versão original contida no álbum e no single é para muitos fãs floydianos impecável. Outras versões ao vivo de “Money” também viraram históricas. Confira nos players abaixo , a original e uma delas ao vivo.

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