Mesmo indicado, Bituca teve assento negado nas mesas do salão principal do evento
A cerimônia do Grammy Awards 2025, realizada na noite de 2 de fevereiro, em Los Angeles (EUA), ficou marcada não apenas pelas premiações, mas também por um episódio de desrespeito a uma das maiores lendas vivas da música brasileira. Indicado na categoria Melhor Álbum de Jazz com Vocal pelo disco ‘Milton + Esperanza’, ao lado da norte-americana Esperanza Spalding, Milton Nascimento teve seu assento negado nas mesas do salão principal do evento.
A denúncia foi feita pela própria Esperanza Spalding, que usou as redes sociais para expor o tratamento dispensado ao artista brasileiro. Como forma de protesto, a cantora, compositora e contrabaixista compareceu à cerimônia segurando um cartaz com uma foto de Milton e a frase: “This living legend should be seated here” (“Esta lenda viva deveria estar sentada aqui“), um recado direto e indignado à organização do Grammy.
Milton não era um convidado, era um concorrente
A indignação de Esperanza é mais do que justificada. O álbum ‘Milton + Esperanza’, lançado em agosto de 2024, não é um projeto solo de Spalding com a participação de Milton Nascimento. Pelo contrário, é uma colaboração igualitária entre os dois artistas, em que Milton é peça central e razão de existência do disco.
Se Esperanza Spalding teve direito a um assento no salão principal, por que o mesmo tratamento não foi estendido a Milton Nascimento? Se ambos tivessem sido colocados fora das mesas principais, ainda que absurdo, ao menos haveria igualdade no descaso. Mas excluir apenas Milton, o outro nome do disco indicado, levanta questionamentos incômodos sobre o critério utilizado pela organização.
Além disso, Milton Nascimento não é um desconhecido do Grammy. O artista já venceu a premiação em 1998, na categoria Melhor Álbum de World Music, com ‘Nascimento’ (1997). E sua relevância no jazz não é de hoje: em 1975, gravou o icônico ‘Native Dancer’ ao lado do saxofonista Wayne Shorter, um dos discos mais reverenciados do gênero.
Um descaso injustificável
Aos 82 anos, Milton Nascimento já transcendeu a posição de artista e se tornou uma entidade da música mundial. Seu impacto na MPB e no jazz é inegável, e o mínimo que se esperava da Recording Academy era o devido reconhecimento e respeito por sua trajetória.
O Grammy pode até não ter premiado ‘Milton + Esperanza”, já que a estatueta ficou com A Joyful Holiday, de Samara Joy, mas isso faz parte da competição. O que não se pode aceitar é a violação de um princípio básico de respeito, negando um assento a um concorrente indicado por uma obra de extrema relevância.
Pelo descaso e pela descortesia, a organização do Grammy Awards fica devendo um pedido público de desculpas a Milton Nascimento, um artista que, independentemente da premiação, já está eternizado na história da música.
