Relatório da ONG “Stop Hate Brasil” identifica 125 grupos extremistas que atacam minorias; especialistas alertam para a necessidade de uma abordagem cautelosa e não generalizadora
Por Lucas Matheus
O programa “Fantástico”, da TV Globo, apresentou um relatório exclusivo da organização não governamental “Stop Hate Brasil”, que revela um preocupante aumento no número de bandas de black metal associadas a ideologias neonazistas em território brasileiro. O levantamento identificou 125 grupos que utilizam suas músicas para disseminar mensagens de ódio contra a população negra, a comunidade LGBTQIAP+ e judeus.
Vale ressaltar que a matéria exibida no programa dominical fez uma checagem minuciosa e sem cunho sensacionalista. O levantamento se deu apenas a bandas que flertam com o fascismo de forma descarada.
Conforme aponta o estudo, a maior concentração dessas bandas se dá em São Paulo, onde 45 grupos estão ativos, seguidos pelo Paraná e Rio de Janeiro. Coletivamente, essas bandas já lançaram mais de 650 álbuns, muitos dos quais podem ser encontrados em plataformas de streaming como Spotify, o que facilita o acesso a conteúdos extremistas por um público mais amplo.
Aqui há um ponto importante, pessoas de diversas idades possuem acesso a esse tipo de conteúdo, o que se torna extremamente nocivo. Quando falamos de adolescentes ou jovens, a personalidade está em formação, eles são facilmente dominados por esse tipo de conteúdo, se tornam facilmente uma massa de manobra para disseminar preconceito.
Michele Prado, coordenadora da “Stop Hate Brasil”, sublinha a gravidade da situação:
“É um tema sério que requer atenção e ação, envolvendo instituições de segurança pública e inteligência. Não podemos subestimar essa questão, pois a tendência é preocupante.“
O relatório também revelou que algumas dessas bandas estão ativas em canais extremistas, como o “Terrorgram” no Telegram, que busca recrutar jovens para atividades violentas. Um dos administradores deste canal, Ciro Daniel Amorim Ferreira, figura em uma lista de terroristas divulgada pelo governo dos Estados Unidos e tem um histórico criminal no Brasil.
Wlisses James, doutor em História Social e especialista em heavy metal, faz uma distinção importante ao afirmar que não se deve generalizar a relação entre bandas de metal e extremismo violento.
“Esses grupos costumam realizar festivais restritos a eles mesmos e não são aceitos em eventos musicais mais amplos. O black metal, em sua essência, se opõe a esse tipo de ideologia“
A reportagem também trouxe relatos de representantes de vítimas de grupos extremistas. Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, ressaltou que a presença de tais ideologias indica uma falha na defesa dos direitos humanos. Camila Marins, jornalista e militante lésbica, pediu a implementação de políticas públicas para combater o ódio, enquanto Rony Vainzof, secretário da Confederação Israelita do Brasil, enfatizou a interconexão entre as esferas online e offline no que diz respeito ao extremismo.
Em resposta às preocupações levantadas, o Spotify declarou que suas diretrizes proíbem conteúdos que promovam terrorismo ou extremismo e confirmou que, após o contato do “Fantástico”, diversas músicas foram removidas da plataforma por violarem essas regras. O Telegram também informou que removeu milhões de conteúdos extremistas e que canais desse tipo são banidos assim que identificados.
O relatório da “Stop Hate Brasil” serve como um alerta sobre a crescente disseminação de ideologias de ódio na música, destacando a importância de uma abordagem cuidadosa e não generalizadora. Embora o crescimento de bandas extremistas seja alarmante, é crucial reconhecer que nem todas as manifestações do gênero metal compartilham dessas ideologias. O diálogo e a conscientização são fundamentais para promover uma cultura musical inclusiva e respeitosa.
Obs: As informações usadas nessa matéria foram retiradas do site G1.com e do programa citado, sem cunho de generalizar e sim alertar aos perigos circulados livremente.
Jornalista Lucas Matheus.
