“Basicamente, Clapton foi o único que me influenciou'”, disse o saudoso guitarrista
A discussão sobre “quem é o maior guitarrista” atravessa gerações no rock. Em diferentes momentos, Eddie Van Halen ajudou a alimentar esse debate ao apontar Eric Clapton como sua principal referência. Em contraste, relatos e entrevistas indicam que Hendrix não ocupava o mesmo lugar em sua formação, conforme apurações do Fat Out Magazine.
Clapton como influência central no vocabulário de Eddie
Em entrevista relembrada por publicações internacionais, Eddie explicou o que o atraía no toque de Clapton. Ele destacou a simplicidade do approach, o timbre e a ideia de ir “direto ao básico”. Na mesma fala, descreveu a imagem de Clapton usando uma Gibson ligada a um Marshall, sem excessos. Em seguida, resumiu sua admiração: “Basicamente, Clapton foi o único que me influenciou”.
Esse ponto costuma aparecer associado ao período do Cream, banda em que Clapton consolidou um estilo blues-rock de fraseado marcante. A leitura de Eddie era direta: a essência do blues vinha antes da pirotecnia. A partir desse “alicerce”, ele seguiu seu próprio caminho técnico e criativo.
O contraste com Hendrix e o peso de um relato de bastidores
A ideia de que Eddie colocava Clapton “à frente” de Hendrix ganhou nova circulação com um depoimento ligado a Kylie Olsson. Segundo a narrativa, o guitarrista Adrian Vandenberg contou que, ao ser perguntado sobre seu favorito, respondeu “Jimi Hendrix”. Eddie teria reagido dizendo que achava Hendrix “desleixado” e que seu favorito era Clapton. O relato é indireto e depende de memória de terceiros, mas passou a ser usado como exemplo de como Eddie enxergava estilos diferentes.
A mesma lembrança reforça um detalhe recorrente na mitologia em torno do guitarrista do Van Halen: a obsessão juvenil por estudar frases de Clapton com precisão, como parte de um método de aprendizagem “no ouvido”.
Uma preferência antiga: “gosto de Hendrix, mas nunca tanto quanto de Clapton”
No Brasil, uma reportagem que recupera a entrevista de estreia de Eddie como “fenômeno” (para Jas Obrecht, da Guitar Player) traz uma formulação bem mais nuanceada. Ele afirmou: “Eu sei, eu gosto de Jimi Hendrix, mas nunca gostei dele tanto quanto de Clapton”. Na sequência, reforçou o tamanho da influência ao dizer que conhecia “cada maldito solo” de Clapton “nota por nota”.
A fala aponta para um recorte claro: Eddie não precisava “diminuir” Hendrix para elevar Clapton. Ele descrevia preferências pessoais e um tipo de linguagem musical com a qual se conectava mais.
Preferência não apaga legado: por que essa história segue rendendo debate
A persistência do tema também tem uma razão simbólica. Hendrix e Clapton viraram referências quase obrigatórias quando o assunto é guitarra no rock. Ao declarar um favorito, Eddie expunha como um músico pode admirar um gigante e, ainda assim, se formar por outra escola.
Mesmo quando a conversa se aproxima de “rivalidade”, o registro disponível sugere mais contraste estético do que disputa objetiva. Entre entrevistas, resgates e relatos, a ideia central permanece: para Eddie Van Halen, Eric Clapton ocupava o topo da lista.








