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Em "Tudo foi feito pelo Sol", os Mutantes mostraram a exuberância do prog brasileiro

O disco “Tudo foi feito pelo Sol“, dos Mutantes, representa uma época tão especial por me atiçar a procurar shows de rock pela cidade. O disco foi construído com as belas influências do rock progressivo inglês, principalmente do Yes. O que de maneira nenhuma faça com que a banda não apresente um rock progressivo extremamente interessante e empolgante da primeira à última faixa.

A reunião de Sérgio Dias, guitarra, violão, sitar e vocais, Túlio Mourão, piano, órgão Hammond, sintetizador Minimoog e vocais, Antônio Pedro de Medeiros, baixo e vocais, e Rui Motta, bateria, percussão e vocais, conseguiu realizar um dos melhores trabalhos do rock progressivo brasileiro.

Quando você escuta “Cidadão da Terra“, já no meio de tantas belas composições, a impressão que se dá é que algo muito mágico já está registrado para a posteridade do nosso rock progressivo. Impressionante ouvir a estupenda “Cidadão da Terra“. O jogo instrumental entra na marcação do teclado Hammond monstruoso de Túlio para apresentar as belas palavras “Meu passaporte é espacial, sou cidadão da terra“. A bela letra traz um dos momentos instrumentais mais sublimes do disco, onde o teclado rasga um lindo solo para trazer toda a versatilidade da banda na linda musicalidade da faixa.

O disco é excelente como todo, começa com a “Deixe Entrar Um Pouco D’água no Quintal“, que já apresenta um disco que vai mergulhar no lindo canto e no instrumental.

Pitágoras” traz todo o virtuosismo instrumental brilhante da banda.

 “Desanuviar” vem trazer um bela letra com um toque de sonoridade espacial para o lindo trabalho no synth. O rock mais direto entra de forma avassaladora em “Eu Só Penso em te Ajudar“. A próxima música, a citada “Cidadão da Terra“, só puxa mais uma outra faixa com o rock direto, “O Contrário de Nada É Nada“, um verdadeiro rock ‘n’ roll tão rico e cheio energia.

O melhor está na frase que está minha memória para sempre: “Pois o contrário de nada é nada“. O disco fecha com a belíssima faixa-título, que com a voz aveludada de Serginho, a linda textura de orgão e as notas de synth vêm apresentar toda a capacidade musical e poética da banda, num decorrer de uma linda canção que se esvai num lindo instrumental que baixa o som para se despedir à altura de que merece um dos maiores clássicos do rock progressivo. Eterno e lindo!

Por Marcio Abbes.

Tracklist:

Bonus Tracks on 2006 remaster:

A Banda:

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