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Em Beloved Antichrist o Therion nos ensina que música é de fato algo erudito

Após passar três semanas ouvindo o novo lançamento da banda sueca Therion, a ópera “Beloved Antichrist“, que chegou no dia nove de fevereiro último, aquilo que inicialmente para mim soou como um longo e dificílimo quebra-cabeça musical a ser explorado, agora soa como uma obra deveras e prazerosamente familiar.

Primeiramente devo dizer que se você leitor não tem afeição alguma por música clássica, fuja.

Porém se aprecia uma obra contendo peças musicais imersas em vozes e orquestrações magistrais aptas a levá-lo ao mais alto grau de contemplação, então aqui você encontrará seu paraíso.

Possuindo pouco mais de três horas de duração em quarenta e seis canções entoadas por trinta vocalistas entre tenores, barítonos, baixos e sopranos que se revezam entre as faixas que discorrem sobre a história baseada no livro A Story of Antichrist, de Vladimir Solovyov, contendo vinte e sete personagens onde o protagonista é o médico greco-russo Seth Thanos, que de tão aprofundado em seus estudos científicos e teológicos, começara a crer que ele sim seria também um filho encarnado de Deus, o segundo, com a missão de conduzir a humanidade à redenção.

O trabalho foi instrumentalmente composto pelo guitarrista e líder do Therion, o esplêndido Christopher Johnsson e todas as letras baseadas na temática acima descrita ficaram a cargo de Per Albinsson.

Resolvi não destacar quaisquer canções aqui, embora confesse que algumas tenham sobressaltado aos meus ouvidos e infestado minha mente, felizmente. Com algum tempo de audição seguidas vezes, todas as partes começam a parecer somente um lindo todo.

Outra coisa a que me propus foi abandonar aqui os usos de termos como ópera-rock ou ópera metal, pois “Beloved Antichrist” é por excelência uma Ópera lírica feita com esse fim, tudo sendo conduzido dentro de um esqueleto rítmico de metal, com bateria, teclado, guitarra e baixo, tendo este último o maior destaque na obra dentre os instrumentos convencionais.

Digo isso porque em praticamente todo o trabalho, não se percebe floreios de virtuosismo de guitarras com riffs ou “soleiras”, tampouco grandes variações de bateria. A banda literalmente aqui serve ao papel de entregar a base e andamento para que os cantores e orquestra brilhem erudita e eruptivamente. E nessa solene cozinha, as linhas de contrabaixo são notoriamente elegantes, inclusive abrindo a ópera.

Alguém pode surgir e dizer: “Ah mais isso já fora feito antes como em álbuns do Ayreon ou Avantasia!”

E a resposta é “Não”, pois diferentemente dos supracitados, que fizeram trabalhos enfocados metal progressivo com partes de sonoridades e temáticas clássicas, aqui o objetivo foi realmente criar uma ópera, com cem por cento de preocupação com o eruditismo, com toques sutis de heavy metal.

É como pingar gotas de leite num café preto.

Concluindo, o Therion esbanjou categoria ao mostrar que acima de qualquer peso ou celeridade está a música em sua mais linda e lírica essência, não importando mais se ele é leve ou pesada, contando que seja feita com esmero e encante os bons ouvidos.

Quer um conselho: ouça “Beloved Antichrist” com tempo e tranquilidade. Quer outro: repita isso inúmeras vezes e verás como ela começará a integrar a sua vida.

Tracklist:

Act I

Act II

Act III

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