Na segunda metade dos anos 60 o rock estava saindo da ‘puberdade'(com seus “iê-iê-iê’s” e “oh baby, give me a kiss“) e chegando a ‘fase adulta’.
As virtuoses começaram a se sobressair e a levarem este gênero por inúmeros caminhos. Uma dessas bandas foi o Cream, que tinha na sua formação o primeiro power trio da história do rock.
Em 1966, Eric Clapton, que na época já era “deus” e alcançou a divindade tocando e amando o blues. Ele juntava-se aos incríveis Jack Bruce e Ginger Baker, que eram jazzistas por definição e religião. Era uma “fé cega”, se me permitem a torta referência.
O Início do Cream
O caminho fora tortuoso no início, com o primeiro single do álbum “Fresh Cream“. A banda colocou pra fora toda a sua genialidade e compôs músicas que fariam parte de sua discografia. Elas tornariam verdadeiras pérolas do Rock, como “Sunshine of Your Love“, “I Feel Free“, “White Room“, “Tales of Brave Ulysses“, “Strange Brew“, “Toad“, “Badge” e versões poderosas de “Spoonful“, “Outside Woman Blues“, “Crossroads“, “Born Under a Bad Sign” e “Steppin’ Out“.</p>
Se no estúdio a banda já era absurdamente prolífica, as performances ao vivo eram algo sem igual, marcadas pela genialidade e excelência. A plateia ficava numa espécie de transe diante daquilo, condensando-se em um som inovador, poderoso, psicodélico. A banda tomou de assalto os amantes do rock na época. E então veio o fim. As desgastantes turnês (cerca de 300 shows em um ano) e as tensões entre seus membros(especialmente Bruce e Baker) acabaram esgotando o trio e seus integrantes. Assim sendo, eles resolveram seguir com a vida em outros projetos.</p>
O lendário show do Cream no Royal Albert Hall
Em 26 de novembro de 1968 o Cream subia ao palco do lendário Royal Albert Hall de Londres para seu último concerto e sairia daquele palco sendo ovacionado por uma multidão consternada que jogava inúmeras rosas em direção aos três e bradava “God save the Cream!“, numa espécie de alusão à “God save the Queen!“, saldação costumeira feita à rainha Elisabeth.</p>
Muitos defendem que o Cream foi o precursor do que viria a ser o heavy metal, algo que categoricamente não era a intenção da banda, tanto que anos depois numa entrevista, um “doce e gentil” Ginger Baker soltou a seguinte frase: “O Heavy Metal deveria ter sido abortado<
/i>”. O Cream durou menos de 3 anos, mas deixou uma marca indelével na história do rock. A lista de admiradores e músicos que foram fortemente influenciados pela banda inclui nomes como Jimi Hendrix, Roger Waters, Eddie Van Halen e David Bowie, e grupos como Hush, Led Zeppelin, Queen e Black Sabbath, entre tantos outros.O Cream foi único. Um legado que poucas bandas na história da música puderam deixar. Sei que o texto é repleto de “nostalgia do que não vivemos” e cheio de romantismo. Mas o que fica é a reverência à uma das maiores bandas da história e que pavimentou o caminho para tudo o que veio depois. Como diria a revista britânica “Beat Instrumental” na sua manchete sobre o penúltimo álbum da banda, “Wheels of Fire“: “Comprem este álbum ou vivam miseravelmente o resto de suas vidas!</i>”
Por Jaderson Gomes.
