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Como fizemos Green Onions, do Booker T & The MG’s

O nome original era Funky Onions – mas para o conservador extremo sul  da America, aquilo soava como um palavrão, então tivemos que refazer o título

Booker T Jones, organista

Eu cresci em Memphis e quando tinha 17 anos, eu estava aprendendo saxofone, piano e órgão Hammond, pagos como entregador de jornal. Eu comecei a ir para a Stax Records depois da escola. Logo eu me tornei o cara do teclado na banda da casa.

Um domingo, nós deveríamos estar trabalhando com uma cantora chamada Billie Lee Riley, mas algo não deu certo. Ela fez as malas e saiu, então nós tivemos o estúdio para nós mesmos. Começamos a brincar com um ritmo de piano que eu estava tocando nos clubes, tentando imitar Ray Charles. Soava melhor no órgão, então continuei tocando assim. O dono da Stax, Jim Stewart, gostou do que estávamos fazendo e queria produzi-lo. Então ocorreu a ele que precisávamos de um lado B.

Então comecei a tocar outro riff de blues que eu tinha. Foi assim que Green Onions começou. Essa banda – Al Jackson na bateria, Lewie Steinberg no baixo, Steve Cropper na guitarra – foi uma formação única. Tivemos sorte por causa da nossa devoção à simplicidade. A linha de baixo era básica do blues de 12 compassos. Al era um metrônomo humano na bateria. Lewie chamou esse jam improvisado de Funky Onions, mas a irmã de Jim disse: “Não podemos usar essa palavra“. Para a América conservadora, no extremo sul, soava como uma palavrão. Então rebatizamos como Green Onions.

Nós éramos uma banda racialmente integrada antes dos direitos civis. Um branco e três negros – um dos quais parecia branco! Ninguém percebeu isso até começarmos a nos apresentar em público. Tivemos problemas com coisas como comer segregados, mas sobrevivemos.

Green Onions começou o “som da alma de Memphis”, aquele órgão profundo. Anos depois, nos anos 70, eu estava sentado em um restaurante na Hollywood Boulevard e esse cara deu um pulo e começou a dançar na mesa, pratos voando. Todo mundo estava rindo, então ele simplesmente desapareceu. Eu disse: “Quem era esse cara?” Era Keith Moon, do Who, me prestando uma forma de tributo. Pouco depois, o Who usou Green Onions em Quadrophenia, e a música tornou-se um sucesso no Reino Unido novamente.

Ainda é uma das minhas músicas favoritas. Definiu minha vida. Mas é enganadoramente simples. Há uma mágica lá que é difícil de capturar. Para acertar, ainda tenho que praticar.

Steve Cropper, guitarrista

Quando Jim Stewart disse que gostava do que estávamos fazendo e queria nos gravar, ficamos estupefatos. “Esse cara fala sério?”, pensamos. Na fita master original, você pode realmente nos ouvir rindo no final. Eu tinha 21 anos e estava tocando no meu limite. Na terceira tomada, nós tínhamos Green Onions.

Não havia nome para o grupo, nem mesmo um título para a faixa, mas eu sabia que era um sucesso. Liguei para o meu amigo Scotty Moore na Sun Records e perguntei se ele poderia cortar um disco.

Eu o levei para Reuben Washington, o DJ do horário do rush na estação Memphis WOLK. Ele tocou e disse: “Isso é muito cativante!” Então ele tocou de novo – mas desta vez ao vivo no ar. Os telefones iluminaram. Todos queriam saber o que era esse registro e onde poderiam obtê-lo.

Nesse ponto, Green Onions estava sendo prensado como o lado B de Behave Yourself. Mas foi rapidamente reeditado como o lado A e se tornou um sucesso. Não me lembro de ser chamada Funky Onions, mas me lembro de chamarem de Onions até que eu disse: “Mas as cebolas fazem você chorar e te dão indigestão.” Então, ela tornou-se Green Onions porque as tínhamos* no jantar de domingo.

Alguém na Stax tinha um carro da MG, então nos chamávamos de Booker T e os MGs. Quando os advogados da firma de automóveis britânica nos disseram para desistir, dissemos a eles que o nome era uma abreviação de Memphis Group. Todos nós tivemos que manter o sigilo de que nunca mais falaríamos sobre o carro. Anos mais tarde, estávamos sendo entrevistados e alguém perguntou: “O que realmente significa MG?” Duck Dunn [que substituiu Steinberg em 1964] disse: “Gênios musicais!
Booker e eu nos entreolhamos. Acho que queríamos matar Duck, porque nunca dizíamos isso sobre nós mesmos. Mas pelo menos eles tiveram uma resposta para a pergunta deles.

*Cebolas Verdes

Traduzido pelo confrade Renato Azambuja via The Guardian

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