Música é assunto para a vida toda

PUBLICIDADE

Carole King e seu impressionante “Tapestry”

tapestry_site_16x9

2º álbum da cantora, lançado em 10 de fevereiro de 1971 foi responsável por catapultá-la ao estrelato.

O lançamento de ‘Tapestry‘ em 10 de fevereiro de 1971 marcou um ponto de inflexão na cultura popular. Carole King já possuía uma carreira consolidada como compositora nos bastidores de Nova York. No entanto, este segundo trabalho solo transformou sua trajetória de forma definitiva. A obra capturou o espírito de uma época que buscava autenticidade e conexões humanas reais. O álbum não foi apenas um sucesso comercial imediato nas lojas. Ele se tornou um pilar fundamental do movimento de cantores e compositores da década..   



A produção de Lou Adler focou na simplicidade e na clareza das composições. Ele buscou transpor para o disco a intimidade das demonstrações gravadas ao piano. King demonstrou uma confiança vocal que surpreendeu muitos críticos da época. A sonoridade do álbum misturava elementos de folk, soul e pop de maneira orgânica. O público respondeu com um entusiasmo que manteve o disco nas paradas por anos. Tapestry estabeleceu novos recordes de permanência na prestigiada lista da revista Billboard.

O cenário musical no início da década de 1970

O início dos anos 1970 representou uma transição estética importante na música global. O experimentalismo psicodélico dos anos 1960 começou a ceder espaço para o realismo. Ouvintes buscavam letras que refletissem suas próprias vidas e lutas cotidianas. Carole King surgiu como a voz perfeita para preencher esse anseio cultural. Ela trazia consigo uma bagagem técnica imensa adquirida no famoso Brill Building. Sua mudança para a Califórnia permitiu uma nova liberdade criativa e pessoal..   

A cena de Laurel Canyon em Los Angeles tornou-se o epicentro dessa nova fase. King encontrou vizinhos e amigos como James Taylor e Joni Mitchell nesse ambiente. Essas conexões foram fundamentais para a gestação de seu segundo álbum solo. Taylor incentivou King a assumir o papel de intérprete de suas próprias canções. Ele reconheceu a força emocional única contida em sua voz e piano. O resultado dessa sinergia artística foi o nascimento de uma obra-prima atemporal.

A formação técnica e o período do Brill Building

Carole King nasceu em 1942 e demonstrou talento musical desde a infância precoce. Ela ingressou na indústria da música ainda na adolescência em Nova York. Ao lado de seu então marido Gerry Goffin, formou uma parceria imbatível. Eles escreviam sucessos em série para os principais artistas da época dourada. Seus nomes estavam por trás de clássicos que definiam o som da rádio. O casal Goffin-King tornou-se sinônimo de excelência na arte da composição popular..   



No Brill Building, edifício coração de Manhattan em Nova Iorque, que se tornou o centro nevrálgico da indústria musical americana à época, havia uma disciplina que ensinou Carole a criar melodias precisas e cativantes. Ela dominava a estrutura da canção pop com uma facilidade impressionante e rara. Suas obras eram gravadas por grupos femininos, solistas de soul e ícones do rock. Goffin cuidava das letras enquanto King focava na harmonia e no ritmo. Essa rotina intensa preparou o terreno para sua futura autonomia artística solo. Carole King já era uma lenda antes de lançar seu primeiro disco.

ArtistaTítulo da CançãoAno
The ShirellesWill You Still Love Me Tomorrow1960
Little EvaThe Loco-Motion1962
The DriftersUp on the Roof1962
Aretha Franklin(You Make Me Feel Like) A Natural Woman1967

A transição pessoal e a mudança de ares

O ano de 1968 marcou uma ruptura profunda na vida de Carole King. Seu casamento e parceria profissional com Gerry Goffin chegaram ao fim definitivo. Ela decidiu buscar um novo começo longe da agitação de Manhattan. King se mudou para a Califórnia com suas duas filhas pequenas na época. Essa jornada em direção ao oeste simbolizou sua busca por uma identidade própria. Ela desejava se concentrar na criação dos filhos e em sua arte..

Na Califórnia, Carole começou a interagir com a nova geração de músicos locais. Ela formou um grupo chamado The City com Danny Kortchmar e Charles Larkey. A banda lançou um álbum em 1968 pela gravadora Ode de Lou Adler. Embora o projeto não tenha alcançado o sucesso esperado, ele foi importante. King começou a experimentar o papel de vocalista principal de forma mais regular. Essa fase serviu como um laboratório essencial para o que viria depois.

O aprendizado com o álbum ‘Writer’ em 1970

Antes do fenômeno Tapestry, Carole King lançou seu primeiro esforço solo oficial. O álbum intitulado Writer chegou ao mercado em meados de 1970. Lou Adler produziu o trabalho buscando destacar o potencial da artista nova-iorquina. James Taylor participou das sessões tocando violão e fornecendo backing vocals suaves. O disco alcançou a modesta posição 84 na parada da revista Billboard. Ele mostrou que Carole King tinha uma voz expressiva e muito pessoal..



Alguns críticos apontaram que a produção de Writer era um pouco densa demais. Jon Landau mencionou que a sonoridade parecia trabalhada e desleixada ao mesmo tempo. Carole sentia que precisava de um som mais limpo e direto nas gravações. Ela queria que sua música soasse como as demos feitas em casa. Essas lições foram fundamentais para a concepção técnica de seu próximo grande projeto. King estava pronta para simplificar seu som e focar na emoção pura.

A filosofia de produção de Lou Adler

Lou Adler entendeu perfeitamente a visão artística de Carole King para Tapestry. Ele desejava capturar a essência da artista sentada ao piano na sala. Adler evitou arranjos orquestrais complexos ou produções carregadas de efeitos sonoros modernos. O objetivo era criar um disco que soasse como uma conversa íntima. O piano de Carole deveria ser o guia melódico central de todas as faixas. Adler queria que o ouvinte sentisse a presença física da artista.

A escolha por uma estética minimalista foi ousada para os padrões da época. Muitos produtores preferiam sons grandiosos e camadas infinitas de instrumentos no estúdio. Adler confiou na força das composições de King para carregar o álbum todo. Ele permitiu que a voz de Carole brilhasse com todas as suas nuances naturais. Essa abordagem resultou em um som atemporal que ainda soa fresco hoje. A simplicidade tornou-se o maior trunfo comercial e artístico do disco.

As sessões de gravação no Estúdio B da A&M

As gravações de Tapestry ocorreram em janeiro de 1971 em Hollywood, Califórnia. O local escolhido foi o renomado Estúdio B da A&M Recording Studios. Carole trabalhou simultaneamente com James Taylor, que gravava seu próprio álbum de sucesso. Essa proximidade criou um ambiente de colaboração e apoio mútuo entre os artistas. Muitos dos músicos de estúdio participaram das gravações de ambos os projetos importantes. O clima era de amizade e dedicação total à música de qualidade.



A banda de apoio incluía nomes que se tornariam lendários na cena californiana. Charles Larkey tocou baixo enquanto Danny Kortchmar assumiu as guitarras e as congas. Russ Kunkel e Joel O’Brien forneceram a base rítmica sólida na bateria acústica. Ralph Schuckett contribuiu com o piano elétrico em faixas selecionadas do disco. O engenheiro Hank Cicalo capturou a performance com uma clareza cristalina e natural. O resultado final foi uma gravação orgânica que exalava calor e proximidade.

I Feel the Earth Move” e a energia do piano

O álbum abre com a vibrante “I Feel the Earth Move” de forma imediata. A canção é construída sobre um riff de piano enérgico e marcante. King descreve a sensação física avassaladora de estar perto de uma pessoa amada. A música possui um ritmo contagiante que mistura pop, rock e soul. A performance vocal de Carole é rouca, bluesy e cheia de convicção artística. É uma introdução poderosa que estabelece o alto nível de todo o disco.

Jon Landau elogiou a faixa por sua generosidade e paixão sonora evidentes. Ele notou que Carole King entrega tudo de si nessa interpretação vocal específica. A música tornou-se um dos singles mais vendidos do ano de 1971. Ela provou que King poderia escrever temas rítmicos tão bem quanto baladas confessionais. O sucesso de rádio foi instantâneo em todo o território norte-americano. “I Feel the Earth Move” continua sendo um hino de vitalidade e alegria.

So Far Away” e a melancolia da distância

So Far Away” é uma balada contemplativa que aborda a saudade e o isolamento. A letra questiona a tendência moderna das pessoas se afastarem umas das outras. Carole King canta com uma vulnerabilidade que ressoa profundamente em qualquer ouvinte atento. O arranjo é econômico, focando no piano e em toques suaves de flauta. Curtis Amy entrega um solo final que acentua o sentimento de solidão contida. É uma das canções mais amadas e citadas do vasto repertório de King.



A canção fala sobre o desejo de ver o rosto de alguém na porta. “Tão longe / Ninguém mais fica / em um lugar só? / Seria tão bom ver seu / rosto na minha porta.“. Essa honestidade brutal sobre a vida adulta tornou-se uma marca do álbum. Ouvintes de todas as idades se identificaram com a dor da separação física. A música oferece um conforto gentil através de sua melodia circular e acolhedora. “So Far Away” define a estética do gênero soft rock dos anos 1970..

It’s Too Late” e o fim maduro dos ciclos

It’s Too Late” é amplamente reconhecida como uma obra-prima da composição pop moderna. Toni Stern escreveu a letra enquanto Carole King compôs a melodia envolvente. A canção descreve o fim de um relacionamento de forma pacífica e realista. Não há drama excessivo ou acusações mútuas entre os personagens da história. Existe apenas o reconhecimento de que algo importante chegou ao seu término natural. Essa maturidade lírica foi revolucionária para a música popular daquela década.

Musicalmente, a faixa apresenta uma fusão sofisticada de elementos de jazz e pop. O baixo de Charles Larkey guia a música com uma linha melódica fluida. O solo de saxofone soprano de Curtis Amy adiciona uma camada de elegância urbana. A canção ganhou o prêmio Grammy de Gravação do Ano em 1972. Ela permaneceu no topo da Billboard Hot 100 por cinco semanas consecutivas. “It’s Too Late” consolidou a imagem de Carole King como uma mulher independente.

Home Again” e a busca por pertencimento

Home Again” continua a exploração de temas íntimos e confessionais de Carole King. A música expressa o cansaço do mundo exterior e o desejo de retorno. Ela serve como uma resposta emocional às pressões da fama e da vida urbana. O vocal de King nesta faixa é mais vigoroso e carrega uma urgência real. A melodia de piano é robusta e conduz a narrativa com grande firmeza. A canção evoca uma sensação de busca por um refúgio seguro e familiar.



Muitos críticos veem “Home Again” como o coração emocional do Lado A do disco. Ela resume o sentimento de muitos jovens que buscavam novos valores na época. A simplicidade da letra permite que o ouvinte projete suas próprias experiências nela. King demonstra que o lar pode ser um lugar físico ou um estado mental. A produção mantém o foco na performance crua e sem adornos de Carole. A faixa contribui para a atmosfera de honestidade que permeia todo o Tapestry.

Beautiful” e a afirmação da autoestima

Beautiful” traz uma mensagem de luz e esperança para o repertório do álbum. A canção incentiva as pessoas a reconhecerem a beleza em seus próprios corações. Carole King canta sobre como a nossa atitude molda a realidade ao redor. A estrutura da música lembra os melhores momentos do teatro musical clássico americano. É uma faixa otimista que não soa ingênua ou artificial em sua entrega. A melodia é cativante e convida o ouvinte a cantar junto com Carole.

A letra sugere que o amor é a chave para transformar o cotidiano cinzento. King acredita que cada pessoa tem o poder de criar sua própria felicidade interna. Essa filosofia de vida ressoou fortemente com o público da contracultura da época. “Beautiful” tornou-se um dos momentos mais celebrados em suas apresentações ao vivo posteriores. A canção equilibra perfeitamente as passagens mais melancólicas do disco de 1971. Ela reforça a imagem de Carole como uma guia sábia e compassiva.

Way Over Yonder” e a espiritualidade no som

“Way Over Yonder” mergulha nas raízes do gospel e do soul com grande maestria. A canção é construída sobre um compasso de valsa que evoca reuniões religiosas. Carole King entrega uma das suas melhores performances vocais em todo o trabalho. Ela utiliza tons mais baixos e intensos para expressar uma busca espiritual profunda. A participação de Merry Clayton nos backing vocals eleva a música a outro patamar. A faixa descreve um lugar de paz absoluta localizado além do horizonte visível.



A influência de músicos negros americanos na formação de King é evidente nesta composição. Ela consegue transitar pelo estilo gospel sem perder sua própria identidade pop característica. “Way Over Yonder” é frequentemente apontada como um ponto alto técnico do álbum original. A produção de Lou Adler permite que o piano e a voz respirem naturalmente. A canção adiciona uma dimensão de reverência e transcendência ao conjunto da obra. Ela mostra a amplitude do talento criativo de Carole King como artista completa.

You’ve Got a Friend” e a promessa de lealdade

You’ve Got a Friend” é indiscutivelmente uma das canções mais famosas da história moderna. Carole King escreveu a música em um momento de pura inspiração lírica e melódica. Ela oferece um apoio incondicional para alguém que está passando por tempos sombrios. A canção tornou-se um hino global de amizade e solidariedade entre os seres humanos. King afirmou que a música parecia já existir e ela apenas a transcreveu. A composição rendeu a ela o prêmio Grammy de Canção do Ano em 1972.

A versão do álbum conta com o violão acústico delicado de James Taylor. Joni Mitchell e Taylor também contribuíram com harmonias vocais suaves no refrão final. “Basta chamar meu nome / E você sabe, onde quer que eu esteja / Eu virei correndo para te ver de novo.” Essas palavras simples ofereceram conforto para milhões de pessoas ao redor do mundo. A música transcende barreiras culturais e continua sendo regravada por novos artistas anualmente. “You’ve Got a Friend” é a essência do espírito generoso de Tapestry.

Where You Lead” e a devoção no relacionamento

Where You Lead” é uma colaboração vibrante entre Carole King e a letrista Toni Stern. A canção apresenta um ritmo mais acelerado e uma sonoridade de pop-rock otimista. A letra aborda o compromisso total de seguir um parceiro para qualquer lugar. Embora tenha sido escrita no contexto de um romance, a música ganhou novos significados. Ela foi adotada como tema de abertura da série de televisão Gilmore Girls. Essa nova exposição apresentou Carole King para uma geração inteira de jovens telespectadores..



O arranjo instrumental destaca o trabalho de percussão e o piano elétrico de Schuckett. King demonstra sua habilidade em criar ganchos melódicos que grudam na mente do ouvinte. A canção adiciona uma energia ensolarada ao Lado B do disco de vinil original. Ela mostra que Tapestry não é apenas feito de baladas lentas e introspectivas. A faixa é um exemplo da química produtiva entre Carole King e seus colaboradores. A música continua sendo uma das favoritas em todas as suas turnês mundiais.

Will You Love Me Tomorrow” e a nova perspectiva

Carole King decidiu incluir sua própria versão de seu primeiro grande sucesso internacional. “Will You Love Me Tomorrow” foi originalmente gravada pelo grupo The Shirelles em 1960. Na versão de Tapestry, King remove o arranjo orquestral e a energia adolescente da original. Ela transforma a canção em uma balada lenta, focada na dúvida e na vulnerabilidade. A voz de Carole transmite uma incerteza que apenas a experiência adulta pode proporcionar. Essa releitura revelou a profundidade oculta contida em suas próprias palavras antigas..

James Taylor acompanha Carole com um violão acústico discreto e muito bem executado. A interpretação de King é despida de qualquer artifício técnico ou exibicionismo vocal desnecessário. Ela permite que a pergunta central da letra ressoe com força máxima no silêncio. Críticos elogiaram a coragem de revisitar um clássico e dar a ele um novo sentido. A versão de 1971 tornou-se a interpretação definitiva para muitos fãs da artista. Ela liga o passado de King como compositora ao seu presente como intérprete solo.

Smackwater Jack” e a narrativa do fora-da-lei

Smackwater Jack” destaca-se no álbum por ser uma canção narrativa com personagens fictícios. A letra de Gerry Goffin conta a história de um confronto violento no velho oeste. Carole King compôs uma música no estilo shuffle que é extremamente divertida e rítmica. Ela demonstra seu alcance interpretativo ao contar uma história que não é autobiográfica. O piano elétrico de Ralph Schuckett adiciona um brilho especial ao arranjo da faixa. A música oferece um momento de descontração antes da conclusão emocional do disco..



Jon Landau notou que a canção mostra como a parceria Goffin-King ainda era poderosa. Ele elogiou as letras abrangentes de Goffin e os embelezamentos musicais sutis de Carole. A faixa prova que Tapestry possui uma variedade estilística maior do que parece inicialmente. Ela quebra o tom confessional do álbum e insere uma dose de ficção dramática. A canção é um exemplo da versatilidade de King como arranjadora e pianista de estúdio. Ela continua sendo um destaque cativante em sua discografia oficial completa.

A faixa-título e o simbolismo da vida

A faixa Tapestry é a composição mais poética e metafórica de todo o álbum icônico. Carole King utiliza a imagem de uma tapeçaria para descrever a jornada da alma humana. A letra fala de fios de ouro e azul que se entrelaçam na paisagem da vida. Existe uma aura de mistério e magia que envolve toda a gravação acústica da música. King reflete sobre encontros, perdas e a inevitabilidade do destino final de cada ser. A canção eleva o álbum a um patamar de reflexão filosófica profunda e atemporal.

A melodia é circular e parece flutuar sobre o acompanhamento minimalista de piano e violão.

Minha vida tem sido uma tapeçaria de matizes ricos e reais. Uma visão eterna da paisagem em constante mudança.

Essas palavras resumem o conceito visual e sonoro de toda a obra de Carole King. A faixa-título funciona como um epílogo espiritual para as canções que a precederam. Ela solidificou a reputação de King como uma letrista capaz de grande abstração lírica. Tapestry é uma meditação sobre o tempo e a beleza efêmera da nossa existência.

Natural Woman” e a celebração da identidade



O álbum encerra com a poderosa “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman“. Carole King co-escreveu esta canção para Aretha Franklin no final da década de 1960. Em sua própria versão, ela remove a grandiosidade do soul da igreja de Aretha. King entrega uma interpretação íntima que foca na gratidão pessoal e na autodescoberta. O piano é o único guia necessário para carregar a emoção contida em cada verso. Ela transforma um hino de empoderamento em uma confissão suave de amor e reconhecimento.

Esta faixa final amarra todos os temas de vulnerabilidade e força presentes no disco. Carole King reivindica sua própria criação e a apresenta sob uma nova luz emocional. A performance vocal é honesta, sem buscar competir com a potência vocal de Aretha Franklin. Ela encerra o álbum com uma nota de afirmação positiva sobre a feminilidade e a verdade. Muitos consideram esta versão tão essencial quanto a gravação original da Rainha do Soul. A faixa é o fechamento perfeito para a tapeçaria sonora tecida por Carole.

A iconografia da capa e a imagem pública

A capa de Tapestry tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da história da música. Carole King foi fotografada por Jim McCrary na sala de sua casa em Laurel Canyon. Ela aparece sentada em um banco de madeira, descalça e segurando uma de suas tapeçarias. Seu gato Telemachus repousa tranquilamente em primeiro plano, adicionando um toque doméstico. A luz natural que entra pela janela cria uma atmosfera de paz e total autenticidade. Não havia maquiagem pesada ou figurinos extravagantes para a sessão de fotos oficial.

Essa imagem ajudou a definir a marca pessoal de Carole King para o resto da vida. Ela representava a antítese do glamour artificial das estrelas de cinema de Hollywood. O público via em Carole uma amiga real, alguém com quem poderiam conversar e conviver. Essa conexão visual foi um fator determinante para o sucesso massivo do álbum nas lojas. A capa refletia perfeitamente a honestidade contida nos sulcos do disco de vinil original. Carole King e seu gato tornaram-se ícones permanentes da cultura popular dos anos 1970.

Desempenho histórico nas paradas da Billboard



Tapestry alcançou números de vendas e permanência que desafiaram todos os recordes anteriores. O álbum atingiu o primeiro lugar na Billboard 200 em 19 de junho de 1971. Ele permaneceu no topo da parada por 15 semanas consecutivas, um feito impressionante. Ao todo, o disco ficou listado nas paradas americanas por mais de 300 semanas. Por décadas, deteve o recorde de álbum de uma artista feminina com mais semanas consecutivas no topo. Apenas fenômenos modernos conseguiram se aproximar de tamanha longevidade comercial e cultural.

O sucesso comercial foi impulsionado pela onipresença de seus singles nas rádios AM e FM. It’s Too Late e I Feel the Earth Move dominaram as ondas sonoras durante todo o ano. O álbum continuou a vender milhões de cópias muito tempo após seu lançamento inicial oficial. Ele foi certificado como Diamante pela RIAA, simbolizando mais de 10 milhões de cópias vendidas. Atualmente, estima-se que as vendas mundiais de Tapestry superem a marca de 25 milhões. O disco provou que a música íntima poderia ter um apelo de massa gigantesco.

Permanência nas paradas da Billboard 200

RegistroEstatística
Semanas Consecutivas no Número 115 Semanas
Total de Semanas na Parada (Histórico)318 Semanas
Posição no Top 1000 de Colin Larkin74º Lugar
Posição na Lista da Rolling Stone (2020)25º Lugar

.

O triunfo na 14ª cerimônia do Grammy

A noite do Grammy Awards em 1972 pertenceu inteiramente a Carole King e seu álbum. Ela conquistou as quatro categorias mais importantes da premiação da indústria musical americana. Tapestry foi eleito o Álbum do Ano, superando concorrentes de peso daquela temporada. King também levou para casa os prêmios de Gravação do Ano e Canção do Ano. Ela foi a primeira artista feminina solo a vencer o prêmio de Gravação do Ano. Essas vitórias marcaram um momento histórico de reconhecimento para as mulheres na música.



Além das categorias principais, ela venceu como Melhor Performance Vocal Pop Feminina. A aclamação da indústria coincidiu com o enorme sucesso de público nas lojas e rádios. O impacto de suas vitórias abriu portas para futuras gerações de cantoras e compositoras. Carole King demonstrou que as mulheres podiam controlar todos os aspectos de sua arte. Suas conquistas no Grammy de 1972 continuam sendo um marco de excelência e pioneirismo. Ela saiu daquela cerimônia como a rainha indiscutível da música popular contemporânea mundial.

A recepção crítica e o impacto duradouro

A crítica especializada foi quase unânime em elogiar a qualidade superior de Tapestry. Jon Landau escreveu que o álbum era imbuído de um senso de propósito artístico real. Robert Christgau elogiou a voz de Carole por ser livre de qualquer decoro técnico artificial. Ele previu que sua abordagem vocal libertaria outras cantoras de padrões limitantes e antigos. O jornal The New York Times descreveu o LP como uma fusão relaxada de folk e soul. Essas resenhas ajudaram a solidificar o status do álbum como uma obra de arte.

Landau afirmou que Carole King estende a mão para nós e dá tudo o que tem. Ele descreveu essa generosidade extraordinária como a verdadeira definição de paixão artística intensa. Cinquenta e cinco anos depois, o álbum continua a receber notas máximas em sites como AllMusic e Pitchfork. Ele é frequentemente incluído em listas de discos essenciais para qualquer coleção de música. A relevância de Tapestry não diminuiu com o passar das décadas ou mudanças de moda. O álbum continua a ser um modelo de integridade e qualidade para novos músicos.

A perspectiva feminina e o feminismo implícito

Tapestry é frequentemente citado como um documento fundamental da libertação feminina na música. Carole King não escreveu canções políticas explícitas, mas sua atitude era profundamente política. Ela cantou sobre relacionamentos sob uma ótica de igualdade e respeito mútuo emocional. Em It’s Too Late, ela define os termos da separação sem pedir desculpas ou permissão. King personificou a mulher independente que é dona de seus próprios sentimentos e carreira. Esse feminismo implícito ressoou com milhões de mulheres que viviam mudanças sociais reais.



Ela pavimentou o caminho para que artistas como Carly Simon e Joni Mitchell florescessem comercialmente. King provou que as experiências domésticas e emocionais das mulheres eram temas universais importantes. O álbum ajudou a mudar a narrativa de como as mulheres eram retratadas nas letras pop. Elas deixaram de ser apenas objetos de desejo para se tornarem sujeitos de suas histórias. A influência de Tapestry na representatividade feminina na indústria da música é imensurável e perene. Carole King tornou-se um símbolo de força, talento e autonomia para gerações de mulheres.

Indução em Halls da Fama e Registros Nacionais

As honrarias concedidas a Tapestry refletem sua importância histórica para a cultura americana e mundial. Em 1998, o álbum foi induzido ao prestigiado Grammy Hall of Fame por sua excelência. A Biblioteca do Congresso o incluiu no National Recording Registry no ano de 2003. Esta distinção é reservada para gravações que são cultural, histórica ou esteticamente significativas. Carole King também recebeu o prêmio Gershwin de Canção Popular da Biblioteca do Congresso. Ela foi a primeira mulher a receber tal honraria em toda a história do prêmio..

Sua indução dupla ao Rock and Roll Hall of Fame confirma seu impacto monumental. Ela foi reconhecida primeiro como compositora e depois como uma performer solo de sucesso. Essas homenagens validam a transição bem-sucedida que ela realizou durante a era de Tapestry. O álbum é considerado um tesouro nacional dos Estados Unidos e uma joia da música global. Carole King continua a ser celebrada em museus e exposições dedicadas à história do rock. Seu lugar no panteão dos grandes gênios da música está garantido para a eternidade.

O fenômeno do retorno às paradas em 2025

Recentemente, em fevereiro de 2025, Tapestry demonstrou sua força incrível ao retornar às paradas. O álbum voltou a figurar no Top 10 de vendas no Reino Unido após décadas. Esse ressurgimento foi impulsionado pela exibição de um documentário especial na televisão britânica. O filme Just Call Out My Name detalhou a amizade histórica entre King e James Taylor. O público reagiu imediatamente, redescobrindo a magia contida em cada faixa do disco clássico. Esse fenômeno prova que a boa música nunca perde sua capacidade de conectar pessoas.

O álbum alcançou o nono lugar na parada oficial de downloads de álbuns britânica. Ele também subiu para a posição 36 na lista geral de vendas de álbuns físicos. Hugh McIntyre observou que este é um feito extraordinário para um disco lançado há então 54 anos. A música de Carole King continua a competir com lançamentos de artistas contemporâneos de sucesso. O interesse renovado mostra que os temas de Tapestry permanecem atuais e necessários hoje. Carole King provou mais uma vez que sua obra é imune à passagem do tempo.

Tapestry‘ como catapulta

Tapestry‘ permanece como um dos álbuns mais importantes e influentes de toda a história da música. Ele não apenas catapultou Carole King ao estrelato global como intérprete solo de sucesso. O disco definiu uma nova forma de fazer música pop, focada na verdade e na simplicidade. Suas canções tornaram-se parte do DNA cultural de várias gerações ao redor de todo o mundo. A combinação do talento de composição de King com a produção de Adler foi perfeita. O álbum continua a oferecer conforto e sabedoria para quem o descobre hoje em dia.

A trajetória de Carole King, de compositora de bastidores a ícone global, é inspiradora e única. ‘Tapestry’ é a prova de que a honestidade emocional é a ferramenta de comunicação mais poderosa. O sucesso contínuo da obra, evidenciado pelo retorno às paradas em 2025, é um testemunho de sua qualidade. Carole King teceu uma obra que transcende o tempo, a moda e as fronteiras geográficas. Sua tapeçaria de cores ricas e matizes reais continuará a brilhar por muitos séculos ainda. Ela é, sem dúvida, uma das maiores artistas que o mundo já teve o privilégio de ouvir.

Tracklist do LP original

Lado A

  1. I Feel the Earth Move (Carole King) – 2:58
  2. So Far Away (Carole King) – 3:55
  3. It’s Too Late (Carole King, Toni Stern) – 3:53
  4. Home Again (Carole King) – 2:29
  5. Beautiful (Carole King) – 3:08
  6. Way Over Yonder (Carole King) – 4:44

Lado B

  1. You’ve Got a Friend (Carole King) – 5:09
  2. Where You Lead (Carole King, Toni Stern) – 3:20
  3. Will You Love Me Tomorrow? (Gerry Goffin, Carole King) – 4:12
  4. Smackwater Jack (Gerry Goffin, Carole King) – 3:41
  5. Tapestry (Carole King) – 3:13
  6. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman (Gerry Goffin, Carole King, Jerry Wexler) – 3:49

Músicos

  • Carole King: Voz, piano, teclados e sintetizador.
  • James Taylor: Violão e backing vocals.
  • Danny “Kootch” Kortchmar: Guitarra elétrica, congas e violão.
  • Charles “Charlie” Larkey: Baixo elétrico e contrabaixo acústico.
  • Russ Kunkel / Joel O’Brien: Bateria.
  • Curtis Amy: Saxofone (alto, tenor e barítono) e flauta.
  • Ralph Schuckett: Piano elétrico.
  • Merry Clayton / Julia Tillman: Backing vocals.
  • Joni Mitchell: Backing vocals (em “Will You Love Me Tomorrow?” e “You’ve Got a Friend”).
  • Quarteto de Cordas: David Campbell (viola), Terry King (violoncelo), Barry Socher (violino).
tapestry_site_

PUBLICIDADE

Assuntos
Compartilhe
Comentários

Deixe uma resposta

Veja também...

PUBLICIDADE

Descubra mais sobre Confraria Floydstock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading