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B.B. King: 100 Anos do nascimento do Rei do Blues

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B.B. King, cujas apresentações o levaram tanto para cidades pequenas quanto para grandes, toca guitarra no Central Park, em Nova York, em junho de 1969. (David Fenton / Getty Images)

No centenário de B.B. King, relembra-se a trajetória do saudoso guitarrista e cantor cuja obra o consagrou como a máxima referência do blues.

Hoje, 16 de setembro de 2025, B.B. King completaria 100 anos de idade. Falecido em 2015, o saudoso músico deixou um legado incomparável no blues. Conhecido mundialmente como o “Rei do Blues”, King teve uma carreira de quase sete décadas. Sua música levou o gênero dos campos de algodão do Mississippi aos palcos mais prestigiados do mundo.

B.B. King: Das Origens no Mississippi ao Sucesso Inicial

B.B. King nasceu como Riley Ben King em 16 de setembro de 1925, em Itta Bena, no Mississippi. Teve uma infância difícil. Aos 9 anos já vivia sozinho, colhendo algodão para se sustentar, e logo passou a tocar violão nas esquinas por algumas moedas. Em 1947, aos 22 anos, mudou-se para Memphis determinado a se tornar músico profissional de blues. Na nova cidade, trabalhou como DJ na rádio WDIA, a primeira emissora dos EUA com equipe totalmente negra, o que lhe deu projeção regional. Nessa época adotou o nome artístico B.B. King, derivado do apelido “Beale Street Blues Boy” que usava na rádio.

Em 1952, a canção “3 O’Clock Blues” alcançou o primeiro lugar na parada de R&B e revelou B.B. King ao grande público nacional. A partir de então, o guitarrista embarcou em extensas turnês pelos Estados Unidos, apresentando-se sem descanso para construir sua base de fãs. Em 1956, por exemplo, B.B. King realizou impressionantes 342 shows em um único ano, uma marca que evidencia sua ética de trabalho incansável.

A Consagração do Rei do Blues

B.B. King consolidou-se definitivamente como estrela internacional no final dos anos 1960. Em 1969, sua interpretação de “The Thrill Is Gone” tornou-se um grande sucesso e rendeu a King seu primeiro prêmio Grammy. A faixa apresentou o blues de King a um público muito além do circuito tradicional do gênero. Ele conseguiu atingir o mainstream sem diluir sua essência musical. Permaneceu fiel às raízes do gênero mesmo ao conquistar novas audiências.

Nas décadas seguintes, King colaborou com diversos astros de gerações posteriores. Astros do rock como Eric Clapton (seu fã confesso) e a banda U2 uniram-se em projetos com King, expandindo ainda mais o alcance do blues. A parceria com o U2 no hit “When Love Comes to Town” (1989) apresentou B.B. King a uma nova geração de ouvintes. Já o álbum Riding with the King (2000), gravado com Clapton, celebrou o encontro do mestre com seu discípulo musical.

B.B. King literalmente levou o blues aos quatro cantos do planeta. Sua acessibilidade fez com que ele se apresentasse tanto em pequenos clubes quanto em grandes palcos consagrados, de casas noturnas no sul dos EUA ao Carnegie Hall, além de participar de festivais de jazz na Europa. Em reconhecimento à sua importância, King foi introduzido em 1987 tanto no Blues Hall of Fame quanto no Rock & Roll Hall of Fame. Anos depois, seria agraciado também com a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos EUA. Ao todo, o “Rei do Blues” conquistou 15 prêmios Grammy ao longo da carreira. Ainda assim, apesar de todo o prestígio, manteve uma postura humilde, frequentemente expressando surpresa e gratidão por todo o carinho que recebia do público.

Estilo Inconfundível e a icônica guitarra “Lucille”

B.B. King se destacou por um estilo de tocar guitarra imediatamente identificável. Sua técnica trazia um vibrato intenso nas cordas e bends (notas “puxadas”) sustentados, carregados de sentimento. Ao cantar, King estabelecia um autêntico diálogo com sua guitarra Gibson, chamada “Lucille”. Ele extraía do instrumento poucas notas, mas tão belas e precisas que “valiam por mil”. Diferente de muitos guitarristas, ele raramente fazia acordes; preferia solar com notas individuais que pareciam cantar como uma voz humana, em fraseados quase conversacionais. Essa abordagem única tornou-se sua marca registrada e influenciou praticamente todos os grandes guitarristas de blues e rock que vieram depois dele. Entre os guitarristas influenciados por B.B. King estão lendas do blues e do rock. De Buddy Guy e Jimi Hendrix a Eric Clapton, Carlos Santana e Stevie Ray Vaughan, todos reconheceram a dívida com o estilo de King.

A história de como sua guitarra recebeu o nome “Lucille” entrou para o folclore do blues. Nos anos 1950, King se apresentava em um salão de dança no Arkansas quando estourou uma briga que acabou incendiando o local. Ele conseguiu evacuar junto com o público. Ao perceber que havia deixado sua guitarra dentro do prédio em chamas, correu de volta para resgatá-la, escapando por pouco com vida. Soube depois que a briga começara por causa de uma mulher chamada Lucille. King batizou então sua guitarra (e as posteriores) como “Lucille”, em lembrança para nunca mais arriscar a vida por algo tão trivial.

Legado e influência eterna

B.B. King não foi apenas um músico brilhante, mas também um mentor e verdadeiro embaixador do blues. Ele costumava incentivar artistas jovens, convidando-os a dividir o palco e recebendo-os com generosidade, atitudes que lhe renderam admiração e afeição unânimes no meio musical. Em Indianola, sua cidade natal no Mississippi, foi criado o B.B. King Museum, dedicado a preservar sua memória. Esse museu também ensina às novas gerações sobre a história do Delta do Mississippi e sobre o próprio blues.

Cem anos após seu nascimento, o legado do “Rei do Blues” permanece vivo e pulsante. Suas gravações abrangem desde clássicos de estúdio até performances ao vivo emblemáticas. O álbum Live at the Regal (1965), por exemplo, é considerado um registro definitivo de um bluesman em seu auge. Mesmo um século depois, a música de B.B. King continua emocionando ouvintes e inspirando novas gerações de músicos ao redor do mundo. Como o próprio King certa vez escreveu:

As pessoas no mundo todo têm problemas; e enquanto as pessoas tiverem problemas, o blues nunca poderá morrer”.

Sua arte, carregada de emoção genuína e humanidade, prova que o blues, longe de ser apenas lamentação, simboliza sobrevivência, conexão e força do espírito humano.

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