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Accept: novo livro conta a ascensão e queda da formação clássica

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"Metal Heart - A História do Accept"

Metal Heart – A História do Accept, foi lançado em português pela Editora Estética Torta.

A edição brasileira de “Metal Heart – A História do Accept”, de Martin Popoff, chega pela Editora Estética Torta. O livro recompõe a trajetória da formação clássica e detalha seu esgarçamento nos anos 1990. A narrativa cruza memórias, entrevistas e recortes de imprensa. O foco recai nas decisões artísticas e gerenciais que moldaram a banda.

Popoff situa o leitor no clima após “Death Row” e “Predator”. A recepção foi fria, e os conflitos internos se intensificaram. Udo Dirkschneider divergia de Wolf Hoffmann e Peter Baltes sobre rumos criativos. Stefan Kaufmann testemunhava as discussões. A decisão de encerrar atividades encerrou um ciclo. Udo e Stefan seguiram com o U.D.O..

Rejeição a uma volta “por razões comerciais”

O livro registra a visão cética de Stefan sobre qualquer reunião. Ele descartava um retorno que não igualasse o auge criativo. A posição aparece no trecho reproduzido:

Um encontro agora seria uma grande mentira e simplesmente iria destruir todo o legado do Accept. Death Row e Predator nunca deveriam ter sido gravados.

A frase sintetiza o dilema entre legado e mercado.

A obra ressalta como a Rock Hard acionou um gatilho. A revista alemã insistiu para que o grupo tocasse nas celebrações de seus 20 anos. Esse convite reabriu conversas e aproximou agendas. Ainda assim, a recomposição exigiu negociações delicadas.

O convite da Rock Hard e a costura até 2005

Wolf Hoffmann explica que a primeira tentativa não prosperou. Em suas palavras:

Eles começaram a revista quando o Accept começou, e acho que fomos a primeira matéria de capa deles. Conversamos com isso sobre Udo, mas ele disse que sua banda era prioridade sobre o Accept, então não deu certo. Porém, felizmente, neste ano deu certo.

A fala marca a virada que resultou nos compromissos de 2005.

Entrevistas daquela fase capturam atritos ainda vivos. Em conversa com Marko Syrjala, da Metal Rules, Hoffmann demonstrou frustração com recusas de Udo. O guitarrista citou a ausência no festival da Rock Hard e no aniversário de 25 anos do Wacken Open Air. A justificativa era a prioridade do trabalho solo.

Ensaios, repertório e tensões à flor da pele

A reunião não trouxe todos os nomes originais, mas reuniu veteranos. O grupo veio com Udo nos vocais, Wolf Hoffmann e Herman Frank nas guitarras, Peter Baltes no baixo e Stefan Schwarzmann na bateria. Hoffmann descreveu o plano de palco como amplo:

Bastante óbvio, mas também estamos pensando em tocar músicas que nunca tocamos. […] Não queremos fazer só o que é esperado.

Os ensaios começaram em 1º de janeiro. A logística mostrou-se extenuante. Hoffmann admitiu o peso das tratativas:

É realmente difícil chegar ao ponto de estarmos em cima do palco, por causa de todas as negociações e barganhas nos bastidores. Pra dizer a verdade, é um pesadelo. Entretanto, quanto estamos no palco, tudo é bem tranquilo.

O contraste entre palco e bastidores é um dos fios condutores do capítulo.

Futuro incerto e versões em choque

Hoffmann avaliou a sustentabilidade do projeto de maneira pessimista.

Gostaria que pudéssemos fazer isso a cada dez ou cinco anos. Mas isso é bem improvável, com a maneira como Udo se comporta e essas merdas. Ele está tornando tudo bem difícil pra nós. Estamos tentando o que podemos, mas somos sempre nós contra Udo.

Udo expõe outro prisma sobre a experiência.

Nos divertimos muito naquela turnê, falando sobre os velhos tempos e blá-blá-blá, mas não sei como explicar. É, a sensação não estava boa. […] Para mim, particularmente, foi difícil fazer aquilo tudo com o Accept. A razão pela qual eu disse sim foi porque queria descobrir se ainda havia alguma coisa. Mas, por mim — e só posso dizer por mim, não por Wolf ou por Peter —, não restou nada. Acho que esse foi o jeito perfeito de terminar o Accept.

Controle criativo, prioridades e a guinada de 2009

Hoffmann especula sobre as motivações do vocalista.

Ele tem sua própria banda, e acho que agora ele adora estar no controle e ser seu próprio chefe mais do qualquer coisa. Quase tivemos que implorar para que ele aceitasse. […] Nem você nem o resto do mundo entendem o porquê de ele dificultar tanto isso, não posso explicar, a não ser o fato de que odeia que sejamos muito mais bem-sucedidos, mesmo que ele fizesse parte disso. Talvez ser dono de 100% do U.D.O. seja melhor do que ter 25% de um todo.

Udo rebate a versão:

Ele (Hoffmann) sabia que eu estava fazendo trabalhos com o U.D.O. e nosso álbum já estava a caminho, e sabia o que eu estava pensando o tempo todo. Da minha parte, não haveria reunião em nenhum momento, e ele sabia disso desde o início, e agora está mudando a história. […] Se ele quiser, ainda pode fazer o Accept, mas com outro vocalista.

O desfecho imediato é conhecido. Em 2009, a formação que havia feito a turnê de reunião seguiu sem Udo. Mark Tornillo foi recrutado. O Accept retomou sua produção com “Blood of the Nations” em 2010. O livro amarra essa transição com depoimentos e contexto histórico.

Onde comprar a edição brasileira

A biografia, publicada originalmente em 2021, ganhou versão em português pela Estética Torta. A edição apresenta acabamento de colecionador. Para adquirir, acesse AQUI ou clipe na capa do livro, logo abaixo.

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