Sequenciando a série das “Onze músicas compostas por Gilmour e Waters no Pink Floyd“e aproveitando o ensejo dos 39 anos do lançamento do álbum duplo de estúdio “The Wall“, que chegou em 30 de novembro de 1979, lhes trago agora a canção “Comfortably Numb“, provavelmente pra não dizer certamente, a mais cultuada e adorada dessa ópera-rock pelos fãs floydianos de carteirinha e mesmo até pelos apenas simpatizantes.
“Comfortably Numb” é uma das canções do Pink Floyd onde encontramos juntamente as genialidades de Waters e Gilmour exponenciadas ao máximo, temperada pela harmônica enebriante dos teclados de Richard Wright.
Já nos primeiros acordes de sua introdução é normal um bom mergulho do ouvinte em seu próprio âmago ou no inconsciente de Pink, protagonista da história contada no disco e filme “The Wall“, nessa canção, amplamente ambientada na mente ensandecida do criador do Pink Floyd, Syd Barrett. Sim, onze anos após seu afastamento do Floyd, novamente Syd era tema recorrente, sempre por ali pairando.
A grande sacada de Roger Waters nesta música sublime foi escrever um diálogo entre um psiquiatra entoado por ele, que faz uma “anamnese” com um paciente já apagado que o responde com a voz de seu inconsciente, parte cantada com a maviosa voz de David Gilmour que entrega para o lindo e cartesiano primeiro solo de guitarra que devolve a canção para o “psquiatra Waters”, sequenciando o diálogo entre realidade e insanidade, desembocando no mais famoso solo de guitarra da carreira dos Floyd e um dos mais lindos solos executados neste instrumento em toda a história da música. Absortos por ele “muitos foram e não voltaram”, metáfora que um floydiano certamente entenderá.
Mas muito mais do que um solo espetacular, “Comfortably Numb” nos traz uma experiência dramática completa, uma “Viagem ao Centro da Terra”, só que no inconsciente de cada um de nós, o centro apical de uma jornada onde os tijolos do muro da vida emocional o fecham de vez e o ego suplica ao inconsciente que se manifeste, externalizando o mais primal desejo de compreensão e cura: “I can’t explain, you would not understand; This is not how I am; I have become comfortably numb” (eu não posso explicar, você não entenderia; Isso não é como eu sou, eu me tornei confortavelmente entorpecido).
Em diferentes graus e formas, esta música reflete todo o brado afetivo de quem durante a vida sentiu o peso de um mundo cão, que não é nenhum pequinês, mas que mesmo quando toda a saúde mental parece ter se esvaído, uma voz lá do fundo do poço do inconsciente grita: “a criança cresceu”, o sonho se foi“. Mas o show deve continuar.
Vida que segue.
Confira nos players abaixo “Comfortably Numb” em sua versão de estúdio e algumas emblemáticas versões ao vivo:
CONHEÇA TODAS AS CANÇÕES DA SÉRIE:
- “Pink Floyd: as onze músicas compostas por Gilmour e Waters”
- A série “As onze músicas compostas por Gilmour e Waters no Pink Floyd’ traz a canção “On the Run”
- A série “As onze músicas compostas por Gilmour e Waters no Pink Floyd’ traz a canção “Young Lust”
- A série “As onze músicas compostas por Gilmour e Waters no Pink Floyd’ traz a canção “Pillow of Winds”
- A série “As onze músicas compostas por Gilmour e Waters no Pink Floyd’ traz a canção “Wot’s… Uh The Deal”
