Ácida troca de acusações entre Gene Simmons e Peter Criss reacendem rusgas antigas.
A terceira semana de janeiro de 2026 já trouxe à tona uma das rivalidades mais longevas da história do rock. O centro da nova controvérsia é a canção “Beth“, lançada originalmente em 1976 no álbum Destroyer. Gene Simmons e Peter Criss trocaram declarações públicas que questionam a legitimidade dos créditos de composição da faixa. A balada continua sendo o single de maior sucesso comercial do grupo nos Estados Unidos.
As alegações de Gene Simmons sobre a participação de Criss
O estopim do conflito foi uma entrevista concedida por Gene Simmons ao canal Professor of Rock. O baixista afirmou categoricamente que o baterista original não teve envolvimento criativo na obra. Simmons declarou que subestimaram o papel de Criss ao longo das décadas. Segundo o músico, o baterista foi apenas o intérprete vocal da canção.
Em sua fala, Simmons foi enfático ao declarar:
“Peter não teve nada a ver com aquela música. Ele a cantou. A mitologia de ‘Beth’ é exatamente isso: mitologia.”
O baixista argumentou que Peter Criss não compunha canções por não tocar instrumentos melódicos. Ele definiu a bateria como um instrumento estritamente percussivo, o que impediria a criação de melodias protegidas por direitos autorais.
Para Simmons, a verdadeira autoria pertence a Stan Penridge, antigo colega de Criss na banda Chelsea. O produtor Bob Ezrin também recebeu créditos por moldar a estrutura final da balada. O baixista sugeriu que o nome de Criss foi incluído nos créditos por questões políticas internas da época. Essas afirmações geraram uma resposta imediata e contundente do ex-baterista.
A resposta de Peter Criss em sua defesa
Peter Criss utilizou um espaço na revista Billboard para rebater as críticas de seu antigo colega de banda. O baterista classificou as declarações de Simmons como ridículas e desnecessárias. Criss afirmou que o baixista fala sobre processos criativos nos quais ele não estava presente. Ele destacou que a música nasceu muito antes da existência do próprio KISS.
Durante a defesa de sua contribuição, Criss afirmou:
“As declarações de Gene são ridículas e muito descabidas; ele fala sobre coisas que não conhece.”
O baterista detalhou que escreveu a melodia e o fraseado original na demo intitulada “Beck“. Este trabalho teria sido realizado em parceria com Stan Penridge no final dos anos sessenta.
De acordo com o relato de Criss, a essência melódica da canção permaneceu inalterada na versão final. Ele admitiu que Bob Ezrin expandiu a composição com orquestrações sinfônicas. Contudo, ele insiste que o núcleo da música é fruto de seu trabalho autoral. O baterista reforçou que Simmons não acompanhou o desenvolvimento inicial da obra com Penridge.
O papel de Bob Ezrin na transformação da obra
A figura de Bob Ezrin surge como o mediador técnico dessa disputa histórica. O produtor é amplamente reconhecido por ter transformado um rock mais agressivo em uma balada sensível. Criss confirmou que Ezrin foi o responsável pela mudança do título de “Beck” para “Beth“. O baterista aceitou a sugestão por considerar o novo nome mais adequado ao clima da faixa.
Criss descreveu o processo de estúdio:
“Bob Ezrin mudou o título de ‘Beck’ para ‘Beth’ — não foi Gene ou qualquer outra pessoa. Ele me perguntou: ‘Peter, você se importa se mudarmos o título?’ Eu disse: ‘Absolutamente não. Beth é muito melhor’“
Essa colaboração resultou na estrutura de piano que define a canção até hoje.
O produtor também comentou sobre o assunto recentemente para a imprensa internacional. Ezrin afirmou que a música original era mais voltada para o rock e apresentava uma postura mais robusta. Ele decidiu reduzir o tempo da composição para torná-la mais vulnerável e sensível. Suas lembranças confirmam que a base da canção foi apresentada por Criss e Penridge.
O impacto comercial de “Beth“
A canção “Beth” atingiu a sétima posição na Billboard Hot 100 em 1976. Ela transformou o KISS de uma banda de nicho em um fenômeno de massa. A disputa sobre sua autoria reflete as tensões financeiras e de ego que acompanham o grupo há meio século. Paul Stanley já havia manifestado opiniões semelhantes às de Simmons em anos anteriores.
A narrativa de que Peter Criss não seria um compositor legítimo é um tema recorrente na biografia oficial da banda. No entanto, os créditos oficiais registrados em órgãos de proteção autoral listam o baterista em primeiro lugar. Essa hierarquia nos créditos é um dos pontos contestados por Simmons na atualidade. Ele sugere que tal ordem não reflete a realidade da criação artística.
O debate levanta questões sobre o que define a autoria de uma obra musical na era moderna. A melodia vocal e o fraseado são elementos fundamentais em processos judiciais de direitos autorais. Por outro lado, a visão dos líderes do KISS prioriza a composição harmônica e os riffs. Essa divergência filosófica sustenta a continuidade do conflito mesmo após a aposentadoria da banda dos palcos.








