“Eu não compraria“, disse o baterista
Apesar de seu status como uma das bandas mais icônicas da história do rock, nem todos os projetos do Pink Floyd merecem ser celebrados. Para Nick Mason, baterista da banda, há um exemplo que talvez fosse melhor deixar enterrado: o abandonado álbum experimental “Household Objects“, concebido durante o início dos anos 1970, como apurado pela FAR OUT.
O projeto, iniciado após a saída de Syd Barrett e antes do aclamado The Dark Side of the Moon (1973), foi uma tentativa de explorar sons criados exclusivamente com objetos domésticos, como copos de vinho, elásticos e lápis. “Passávamos dias tentando fazer um lápis com um elástico soar como um baixo“, relembrou o tecladista Richard Wright em um documentário da BBC em 2007.
A ideia, embora ousada e alinhada com o espírito experimental da época, rapidamente encontrou resistência dentro do grupo. Wright revelou ter dito a Roger Waters: “Roger, isso é insano!” Mesmo Waters e David Gilmour, conhecidos por abraçar o experimentalismo, concordaram que o conceito não estava funcionando.
Nick Mason, por sua vez, foi direto ao comentar sobre o projeto em uma entrevista de 1996:
“Eu acho que pode interessar aos… digamos, ‘fãs obsessivos’, mas não creio que seja algo de grande interesse para a maioria das pessoas em termos musicais. Do ponto de vista histórico, talvez seja interessante, mas para alguém interessado em música… digamos assim, eu mesmo não compraria!“
O fascínio por “Household Objects“
Apesar das críticas internas, o projeto nunca deixou de intrigar os fãs mais devotos do Pink Floyd, que frequentemente especulam sobre o material não lançado. Sabe-se que duas faixas chegaram a ser gravadas: “Wine Glasses” e “The Hard Way”, mas o restante do trabalho permanece nos arquivos do estúdio, provavelmente em cassetes esquecidas.
Ainda assim, Mason é cético quanto à qualidade do material. Para ele, essas gravações são mais relevantes para “arqueólogos musicais” do que para o público em geral. O baterista acredita que o projeto está muito distante da essência da banda e que, mesmo sendo lançado, dificilmente se pareceria com algo reconhecível como Pink Floyd.
Um experimento fora de lugar
“Household Objects” foi uma enorme ruptura com os trabalhos psicodélicos anteriores da banda, como Piper at the Gates of Dawn (1967), e não teve o mesmo impacto revolucionário dos álbuns subsequentes, como The Dark Side of the Moon. Contudo, o projeto serve como uma lembrança de como o Pink Floyd estava disposto a explorar os limites da criatividade, mesmo que, às vezes, isso significasse ultrapassar um pouco o ponto de equilíbrio.
Embora seja improvável que “Household Objects” veja a luz do dia, o projeto continua sendo um exemplo fascinante do espírito experimental que definiu o Pink Floyd e que, de certa forma, ajudou a moldar a grandiosidade dos discos que viriam logo depois.








