É uma comparação lógica: “Rocketman” e “Bohemian Rhapsody” são biografias sobre astros do rock britânicos cujas carreiras foram lançadas na década de 1970 – Elton John e o falecido vocalista do Queen, Freddie Mercury, respectivamente – e ambos foram dirigidos por Dexter Fletcher. Por isso, tivemos que pedir a opinião do mais recente vencedor do Oscar.
“O nosso diz a verdade – mesmo que seja uma fantasia”, John disse à Variety horas depois de ganhar seu segundo Oscar (de melhor música original por “(I’m going) Love Me Again” com o co-autor de longa data Bernie Taupin) e chegar ao 28º evento beneficente anual de sua fundação de combate à Aids em West Hollywood. “Minha vida não pode ser coberta de açúcar e eu não queria que fosse.”
Ironia registrada: a abordagem fantástica de John ao formato biográfico mostrou-se mais verdadeira do que o indicado à categoria de melhor filme em 2018 sobre a ascensão de Mercury e sua morte prematura de AIDS. De fato, “BoRhap” deu um novo significado à letra do Queen: “Is this real life? / Or is this just fantasy?*
“Muitos críticos questionaram a maneira como ‘Bohemian Rhapsody’ dramatizou os eventos reais de sua história – e, em muitos casos ao longo do filme, inventou totalmente os fatos para os encaixar na história de Brian May e Roger Taylor, do Queen, (que atuaram como ‘produtores executivos musicais’) queriam contar”, escreveu a Esquire acerca do lançamento do filme. A IndieWire informou que o filme foi “chamado à atenção por imprecisões factuais, incluindo o tratamento cruel do diagnóstico de HIV de Freddie Mercury”.
Explorar a doença fatal de Mercury como um dispositivo dramático – em “Bohemian Rhapsody“, ele se apresenta como soropositivo para seus colegas de banda durante os ensaios do Live Aid – não é apenas historicamente impreciso (uma das muitas revisões da história da banda), um crítico do Daily. Beast a descreveu como uma “versão manipuladora da tragédia” que “perpetua o cenário da Aids como punição pela promiscuidade gay“.
Ainda assim, John, o notável ativista da Aids, não vai massacrar o filme. “A performance de Rami Malek ganhou um Oscar; O Taron não foi indicado, mas ambas foram ótimas performances”, disse ele. “Bohemian Rhapsody” foi um filme para todos, e funcionou de forma brilhante. Trouxe a ótima música de Freddie Mercury para um monte de gente que nunca teria ouvido falar dele. Estou emocionado com os caras [no Queen].”
E enquanto Egerton venceu Daniel Craig e Leonardo DiCaprio na categoria de Melhor Ator em Musical ou Comédia no Globo de Ouro, e com “Rocketman” obtendo melhores críticas com um consenso quase idêntico entre críticos (89%) e multidões (88%) no Rotten Tomatoes, John ainda se sente ofendido pela Academia por desprezar Egerton. “Eu queria ganhar por Taron Egerton, que foi tão incrível durante todo o filme – e ele ganhará um Oscar algum dia“, prometeu John.
*”Essa é a realidade/Ou apenas uma fantasia“?








